Além de seu trabalho exemplar como membro sênior para o Cato Institute , Johan Norberg produz alguns ótimos vídeos para o Free to Choose Media . Aqui estão alguns que chamaram minha atenção.

Mas meu vídeo favorito, o qual compartilhei em janeiro, é sua concisa explicação de por que os políticos devem focar em combater a pobreza em vez de reduzir a desigualdade .

Estou postando novamente para preparar o terreno para uma discussão sobre desigualdade e justiça.

Agora vamos entrar no principal tópico de hoje.

Um estudo de três acadêmicos do Departamento de Psicologia de Yale concluiu que as pessoas querem justiça em vez de igualdade.

Não há evidências de que as pessoas sejam incomodadas pela desigualdade econômica em si. Em vez disso, elas são incomodadas por algo que é geralmente confundido com desigualdade: injustiça econômica. Analisando estudos de laboratório, pesquisas em diferentes culturas, e experimentos com bebês e crianças, nós demonstramos que os seres humanos naturalmente preferem distribuições justas, não distribuições iguais, e que quando a justiça e a igualdade colidem, as pessoas preferem uma desigualdade justa sobre uma igualdade injusta.

Meu antigo colega de graduação Steve Horwitz escreveu sobre o estudo acima mencionado :

O que realmente nos preocupa é algo diferente da desigualdade em si. Nos preocupamos com mobilidade social, ou com a renda média de todos, ou com a qualidade de vida dos que estão pior. […] Um estudo recente na Nature defende, com evidências, que o que incomoda as pessoas mais do que a desigualdade é a “injustiça”. As pessoas aceitarão a desigualdade se elas acreditarem que o processo que a produziu é justo. […] Quando falo sobre desigualdade, eu destaco o número de produtos da Apple visíveis na sala e pergunto se eles acham que a riqueza que Steve Jobs e outros fundadores da Apple acumularam ao longo de suas vidas é questionável. É este o tipo de desigualdade a que eles se opõem? Os estudantes geralmente se sentem pressionados ao tentar explicar por que a riqueza de Jobs é imprópria. […] Eu também lembro a eles que estudos econômicos demonstram que apenas 4% dos benefícios totais de inovações vão para o inovador. O resto vai para os consumidores.

Steve cita Nozick e Hayek para reforçar seu argumento antes de apresentar o ponto chave de que os mercados produzem abundância material baseada em genuína justiça.

Como Robert Nozick defendeu em Anarquia, Estado e utopia : se cada etapa na evolução do mercado é justa por si só, como pode o padrão de renda que emerge ser injusto? […] Hayek observou em Os fundamentos da liberdade que se queremos igualdade de resultados, teremos que tratar as pessoas de forma desigual. Se, entretanto, tratamos as pessoas igualmente, chegaremos a resultados desiguais. O argumento de Hayek é baseado no fato de que os seres humanos não são iguais em sua inteligência, sua força, suas habilidades e suas capacidades inatas. […] Se as pessoas realmente se importam com justiça, então os defensores do mercado deveriam insistir na importância da igualdade perante a lei. […] Igualdade de resultados exige que tratemos as pessoas de forma desigual, o que seria provavelmente percebido como injusto por muitos. Igualdade perante a lei corresponde melhor às noções de justiça, mesmo que os resultados produzidos sejam desiguais. […] Se o que parece ser uma preocupação sobre desigualdade for, na verdade, uma preocupação sobre injustiça, nós temos formas de abordá-la que demonstram o poder das trocas e dos mercados competitivos. Mercados são mais justos porque exigem que os governos nos tratem igualmente e que nenhum de nós tenha a capacidade de usar o poder político para nos proteger da competição no mercado e das escolhas dos consumidores. Além do mais, sociedades baseadas no mercado têm sido a melhor solução para a pobreza que a humanidade já conheceu .

Escrevendo para o CapX , Oliver Wiseman analisou outra pesquisa acadêmica sobre igualdade e justiça.

Um estudo de 2012 dos economistas comportamentais Dan Ariely e Mike Norton atraiu alguma atenção por demonstrar que os americanos querem viver em um país mais igual. Mas, mais igual não é o mesmo que completamente igual. […] Se você deixar as pessoas escolherem entre sociedades iguais e desiguais – e então dizer que a elas mesmas será atribuído um nível de riqueza completamente aleatório – a maioria das pessoas escolhem a desigualdade. E esta preferência é observável por todo o espectro político, em diferentes países e em diversas idades.

Mas as pessoas não querem desigualdade sem merecimento, já que este é o resultado de intervenções injustas (isto é, capitalismo de compadrio ).

As conclusões deste artigo ajudam a explicar muito do clamor sobre desigualdade econômica nos últimos anos. Occupy Wall Street e a ideia do “um porcento” surgiram logo após a crise financeira levar quase todo o mundo à recessão, e os bancos dos EUA e do Reino Unido receberam bilhões de dólares para estabilizar a situação. A revolta não veio do fato de que os banqueiros foram tão bem pagos. Ela veio da percepção de que eles ganharam dinheiro acumulando riscos ao invés de serem particularmente astutos ou trabalharem duro – riscos que agora estão sendo arcados pelo pagador de impostos. A riqueza não foi apenas distribuída de forma desigual, mas injusta. Os mecanismos de mercado que a maioria das pessoas aceitam como sendo as regras do jogo econômico subitamente pareceram manipulados. […] Eleitores, em outras palavras, não querem igualdade – eles querem justiça. […] Como os soviéticos descobriram, a verdadeira igualdade econômica não pode ser acomodada em um sistema que permite às pessoas níveis toleráveis de liberdade política e econômica. Mas justiça, pelo contrário, é algo que o capitalismo pode – e deve – entregar.

O professor Tyler Cowen da Universidade George Mason cita outras pesquisas acadêmicas reforçando a conclusão de que as pessoas não se opõem a formas justas de desigualdade.

A maioria dos americanos não se importam com a desigualdade tanto quanto os especialistas e acadêmicos sugerem. Um artigo recente de Graham Wright da Universidade de Brandeis descobriu que os comportamentos pesquisados sobre a desigualdade econômica não correspondem muito bem com o desejo de ação do governo a respeito. Há inclusive evidências parciais, uma vez que controles são introduzidos nas estatísticas, que falar de desigualdade reduz o apoio para ações nesse sentido. […] Não é óbvio por que tais resultados contraintuitivos podem ser o caso. Uma possibilidade é que […] falar sobre desigualdade econômica aumenta a polarização política, o que reduz as chance de ação efetiva. Ou que criticar a sociedade americana pode fazer nos sentirmos menos virtuosos1 , o que por sua vez pode nos fazer agir de forma menos virtuosa. […] Uma série de outros estudos vem mostrando que a desigualdade não é em si a maior preocupação. Um estudo recente de Matthew Weinzierl da Harvard Business School mostra que a maioria dos americanos são muito propensos a aceitar a desigualdade econômica que provém de pura sorte, e que eles estão inclinados a assumir que a desigualdade é justificada, a menos que se prove o contrário.

Por último, mas não menos importante, Anne Bradley do Instituto para Estudos Humanos reforça esta análise explicando a diferença entre a desigualdade ética gerada pelo mercado versus a desigualdade injusta causada pelo capitalismo de compadrio.

A questão de se a desigualdade de renda é ruim tem a ver com as instituições dentro desta sociedade, e se elas apoiam o empreendedorismo e a criatividade, ou criminalidade e exploração. A desigualdade de renda é boa quando as pessoas ganham o seu dinheiro descobrindo novas e melhores formas de fazer as coisas e, através do mecanismo de lucros , são encorajadas a trazer estas descobertas para as pessoas comuns. […] Rendas crescentes para todos os grupos de renda (mesmo se a diferentes ritmos ) é muito frequentemente o sinal de uma economia vibrante onde estranhos são incentivados a ajudar uns aos outros e a resolver problemas. Rendas estagnadas sugerem algo diferente: seja uma economia manipulada onde apenas alguns podem participar, ou uma economia onde o Estado controla uma ampla porção dos recursos sociais, restringindo rendimentos, riqueza e bem-estar.

Ela inclui um exemplo muito poderoso de por que pode ser muito melhor viver em uma sociedade com altos níveis de (justa) desigualdade.

Considere o seguinte experimento mental. Sabendo nada mais do que o índice de Gini , você gostaria de viver em um mundo com um Gini de 0,296 (próximo da igualdade) ou 0,537 (longe da igualdade)? Muitas pessoas quando perguntadas sobre isto escolhem o mundo do 0,296. Estes são os índice de Gini reais do Paquistão (0,296) e de Hong Kong (0,537). Se dada a escolha, eu gostaria de viver em Hong Kong sem pensar duas vezes. Hong Kong tem uma economia aquecida e altas rendas , e é o líder mundial em liberdade econômica . A diferença entre estes dois países não poderia ser mais gritante. No Paquistão, pode até haver mais igualdade de renda, mas todos são pobres. É difícil sair da pobreza no Paquistão. Hong Kong oferece um ambiente muito mais rico onde as pessoas são encorajadas a iniciar negócios, e esta é melhor esperança para o crescimento de renda, ou mobilidade de renda.

Seu exemplo de Hong Kong e Paquistão é provavelmente a conclusão mais importante desta coluna.

População de Hong Kong e do Paquistão.

Resumindo, é melhor ser pobre em uma jurisdição como Hong Kong onde há forte crescimento e altos níveis de ascensão social. De fato, eu geralmente uso um exemplo similar quando faço discursos, perguntando aos presentes se as pessoas pobres estão melhor em Hong Kong, onde há apenas um minúsculo Estado de bem-estar social , ou melhor em nações como a França e a Grécia , onde há inchados Estados de bem-estar social, mas muito pouco dinamismo econômico.

A resposta é óbvia. Ou deveria ser óbvia, ao menos para todos que querem ajudar os pobres mais do que querem punir os ricos (e existem muitos neste último grupo, como Margaret Thatcher explicou ).

E agora vou incluir o exemplo da China nos meus discursos, uma vez que a desigualdade aumentou dramaticamente ao mesmo tempo em que houve uma grande redução na pobreza .

Uma vez mais, a moral da história deveria ser óbvia. Foco no crescimento . Sim, algumas pessoas ricas ficarão mais ricas, mas a boa notícia mesmo é que os pobres também irão enriquecer. E desde que todos estejam ganhando dinheiro através das trocas voluntárias e não da coerção governamental, assim é também como uma economia justa funciona.


Esse artigo foi originalmente publicado como A Primer on Inequality, Growth, and Fairness para o International Liberty .


Notas:

  1. O autor é americano e, como podemos ver, escreveu com o público americano em mente. (N. do E.)

Sobre o Autor

É ex-colaborador sênior do Cato Institute. É presidente do Center for Freedom and Prosperity, uma organização criada para defender e promover impostos competitivos. Previamente, Dan serviu como colaborador sênior no The Heritage Foundation e foi economista do senador Bob Packwood e do comitê de finanças do Senado. Recebeu seu Ph.D em economia da George Mason University e graduação e mestrado em economia da University of Georgia.

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