Se você está cursando Econ 1011 neste outono2 , você provavelmente vai se depararar com “Princípios de Economia” , o livro para faculdade mais vendido de Gregory Mankiw , agora em sua 7ª edição. O professor Mankiw é o coordenador do Departamento de Economia da Universidade de Harvard e atuou como presidente do Conselho de Assessores Econômicos sob o presidente George W. Bush .

O livro é uma melhoria dramática em relação a muitos best sellers anteriores, como o livro de Paul Samuelson (por décadas, ele previu que a produção soviética ultrapassaria a americana). Mankiw oferece uma sólida apresentação de tópicos técnicos para preparar estudantes para estudo futuro. No entanto, é fraco em uma área onde deveria ser seu mais forte: princípios fundamentais que constituem o cerne da maneira econômica de pensar.

A omissão destes seis conceitos essenciais faz definitivamente um desserviço aos estudantes que esperam tomar melhores decisões econômicas.

1. Somente indivíduos escolhem, e somente indivíduos agem

O professor Mankiw apresenta a economia como “o estudo de como a sociedade gerencia seus recursos escassos”. Esta definição trata a economia como a ciência de desenhar3 soluções coletivistas para problemas técnicos de alocação de recursos. Ao fazer isso, ele deixa de fora boa parte do que faz o estudo da economia tão rico.

A economia é fundamentalmente o estudo do comportamento humano , sempre que escolhas estão em jogo. Somente indivíduos tomam decisões, e apenas indivíduos são os responsáveis por essas decisões. Ao ignorar o princípio subjacente de que a economia está enraizada na escolha individual, o texto de Mankiw perde a oportunidade de tornar o estudo da economia pessoalmente relevante para os estudantes. Poucos estudantes continuarão traçando curvas de demanda, mas todos se beneficiam de ter um conjunto de ferramentas para tomar melhores decisões nos negócios, na política e na vida. A economia é especialmente valiosa quando ensinada como um conjunto de ferramentas que ajudam a compreender as escolhas que pessoas de verdade enfrentam e as decisões que elas tomam.

2. O valor econômico é subjetivo

O que é mais valioso: bilhetes para futebol universitário ou um livro didático? Uma estudante de graduação em Cambridge pode ter pouco interesse no futebol e preferir gastar dinheiro com um livro de princípios de economia para que ela possa ser aprovada no curso.

Eu prefiro gastar dinheiro em ingressos para o jogo4 , neste outono, pela nova experiência. Os recursos econômicos que valorizamos só nos são valiosos como parte do nosso plano para atingir algum objetivo tendo em vista as alternativas disponíveis. Em resumo, o valor está no olho do observador.

Ou, em outras palavras, o valor econômico é subjetivo . Infelizmente, o texto de Mankiw não fornece qualquer explicação sobre o valor econômico. Em vez disso, ele pula direto para tratar a economia como um problema de alocação de recursos a ser resolvido por economistas inteligentes.

Mankiw é cuidadoso ao explicar que os economistas podem discordar sobre como os recursos devem ser distribuídos, mas ele ignora totalmente a ideia de que os recursos só têm valor para uma pessoa com base em suas ideias e planos únicos, em um determinado momento e em meio a circunstâncias em constante mudança. Dá pra ver como os estudantes podem realmente enxergar a economia como a “ciência sombria” quando os aspectos mais humanos são omitidos.

3. O problema de conhecimento

Nenhuma pessoa ou grupo de pessoas pode ter conhecimento o suficiente para fazer um lápis , muito menos prever as ações de milhões de pessoas, cada uma com suas próprias avaliações únicas e pessoais sobre recursos em um mundo que está em constante mudança. O conhecimento dos recursos mais urgentemente necessários para atender às necessidades das pessoas está disperso em pequenos e localizados fragmentos por toda a economia . Este conhecimento está sempre e constantemente mudando em resposta às circunstâncias em mutação.

O prêmio Nobel F. A. Hayek enfatizou como é literalmente impossível para uma autoridade central coletar, agregar e usar esse tipo de conhecimento circunstancial para efetivamente planejar a sociedade. Uma das primeiras lições para um estudante que estuda as ciências sociais deve ser diferenciar o conhecimento efetivo do que Hayek chamou de simples pretensão de conhecimento . As vantagens práticas que decorrem da genuína humildade em reconhecer os limites da razão humana é uma decoberta maravilhosa .

Infelizmente, essa descoberta não aparece uma única vez no livro Princípios de Economia.

4. O visto e o não visto

As pessoas conseguem notar resultados que são facilmente visíveis. Quando um programa de estímulo do governo cria um emprego, vemos um homem e sua pá. Uma quantidade menor de pessoas capta os efeitos não visíveis de tais políticas. À medida que recursos são direcionados para os programas governamentais, outros empregos geradores de riqueza nunca chegam a existir. Medidas políticas não só produzem impactos imediatos e diretos em grupos identificáveis, mas também têm efeitos a longo prazo em grupos menos visíveis.

O economista francês Frédéric Bastiat ensinou uma das lições mais simples, mais profundas, em toda a economia: bons economistas devem olhar tanto para o que é visível quanto para o que não é visível . Você pode pensar que isso parece óbvio, mas a persistência com que as pessoas apresentam argumentos para tudo, desde salário mínimo de US$ 15,00 , até políticas de estado de bem-estar social e para estímulos governamentais sugerem o contrário. Henry Hazlitt concluiu que a visão de Bastiat era tão importante para combater falácias econômicas populares que ele a tornou o tema central de seu livro Economia em uma única lição . Infelizmente, esta lição permanece não visível no texto de Harvard.

5. Empreendedorismo

Não mencionadas em nenhuma das 880 páginas de introdução aos princípios da economia são as palavras “empreendedorismo” ou “empreendedor”. A criação econômica de riqueza é um processo , e o empreendedor desempenha um papel fundamental neste processo . Os empreendedores criam riqueza redirecionando recursos para usos mais produtivos. Eles fazem isso inventando novos produtos ou processos para substituir os antigos , e descobrindo oportunidades despercebidas para lucrar e atuar nessas oportunidades.

Dando vazão ao conceito de empreendedorismo de Israel Kirzner , Steven Horwitz explica : “O empreendedorismo está relacionado à capacidade de ver possibilidades não perceptíveis pela análise dos dados. É o ato de ver uma novo paradigma de meios-fins em vez de otimizar com base nos paradigmas vigentes.” O mundo real é dinâmico e está mudando. Lamentavelmente, não há espaço para explicar o papel da criação de riqueza em um livro didático que trata a riqueza existente como um fato da vida e aponta para alocação e distribuição como as principais preocupações dos economistas.

6. Os atores governamentais não são anjos

Seções inteiras do texto de Mankiw são dedicadas a explicar falhas do mercado. Ele é rápido em sugerir como os governos podem teoricamente melhorar os resultados do mercado. Mankiw explica: “… a tensão entre o sucesso do mercado e o fracasso do mercado é fundamental para a microeconomia.” Além disso, o professor Mankiw inflama os sentimentos anti-mercado em todo o texto com comentários como “… a informação assimétrica nos dá uma nova razão para desconfiar do mercado.”

No entanto, há pouco mais do que um breve parágrafo no primeiro capítulo que adverte sobre a possibilidade de falhas do governo. A intervenção governamental no mercado muitas vezes deixa as coisas piores do que eram, onde a cura é de alguma forma pior do que a doença . James Buchanan , Gordon Tullock e outros nos ensinaram a analisar a política sem romantismo , usando a lente econômica para observar como políticas públicas funcionam no mundo real. Este quadro útil para futuros conselheiros de políticas públicas está ausente do livro de graduação de Mankiw.

Além da educação na Ivy League5

Mark Twain uma vez brincou: “Não é o que você não sabe que faz você se meter em problemas. É o que você sabe com certeza, mas não é.” No caso da economia, são ambos.

De acordo com o Conselho de Educação Econômica, 42% dos formados no ensino médio nunca cursam uma disciplina em economia. Apenas 3,3% das faculdades enumeram a economia básica como um requisito. É uma pena que milhões de estudantes americanos nunca sejam expostos ao método econômico de pensar durante seus anos de educação formal.

Se a ausência de economia nos currículos do ensino médio e da faculdade nos causa motivo de preocupação, devemos estar ainda mais preocupados com o fato de os conceitos econômicos essenciais listados acima não serem ensinados na maioria das aulas de economia. Os estudantes que estudam economia na faculdade, e especialmente aqueles do livro didático de Harvard, provavelmente aprenderão sobre o uso das ferramentas que os economistas usam para aconselhar políticas públicas.

Poucos aprenderão corretamente a diferença entre quando essas ferramentas são úteis e quando são contraproducentes. Quando a humildade em face do conhecimento restrito não é ensinada, corremos o risco de cultivar um grupo de pessoas inteligentes que estão ansiosas por arquitetar6 o caos planejado .

Aqueles que decidem políticas públicas hoje são os estudantes de ontem. Aqueles que se imaginam capazes de prever o futuro e usam estatísticas agregadas para administrar e planejar a economia preparam o cenário para lambanças econômicas . As ideias dos economistas são mais poderosas do que o modo como costumam ser compreendidas – e não apenas pelas ideias que são ensinadas. Muitas vezes, é o que é omitido por influenciadores intelectuais que moldam a conversa.

Não desanime. Mesmo se você é um estudante que foi relegado a aprender economia a partir de um livro didático de Harvard, você ainda pode aprender o que torna o estudo da economia tão rico em FEE.org/Courses 7 .


Esse artigo foi originalmente publicado como 6 Things Your Harvard Economics Textbook Won’t Tell You para o Foundation for Economic Education .


Notas:

  1. Nas universidades americanas, Economics 101, ou simplesmente Econ 101, é o curso introdutório de economia. (N. do E.)
  2. Esse artigo foi originalmente publicado em setembro de 2016. (N. do E.)
  3. No original em inglês, o autor usou o verbo engineer, que não possui equivalente em português. Seu significado seria “engenheirar”, ou desenhar, projetar, organizar. (N. do T.)
  4. O autor se refere a um jogo anual de futebol americano entre as universidades de Harvard e Yale. O evento é conhecido como The Game . (N. do T.)
  5. Expressão usada para se referir a um conjunto de prestigiosas universidades no leste dos EUA. (N. do T.)
  6. Mais uma vez foi usada a palavra engineer no texto original. (N. do T.)
  7. E também, é claro, na Academia Liberalismo Econômico . (N. do E.)

Sobre o Autor

Jason Riddle é Diretor de Cursos e Relações com Alunos do Foundation for Economic Education - FEE. Antes de entrar para a FEE, Jason foi consultor de uma variedade de organizações públicas e privadas para aperfeiçoar suas performances através de gerenciamento de riscos, efetividade operacional, e controles de relatórios internos e externos.

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