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Salário mínimo no mundo real

por Daniel J. Mitchell

Os políticos podem interferir nas leis de oferta e demanda (e eles o fazem, com uma regularidade aborrecedora), mas não podem revogá-las.

A questão do salário mínimo é um exemplo trágico. Se os legisladores aprovarem uma lei exigindo salários de US$ 10 por hora1, isso terá um efeito muito ruim sobre os trabalhadores pouco qualificados que podem gerar apenas, digamos, US$ 8 de receita por hora.

Você não precisa ser um libertário para perceber que isso é um problema.

Catherine Rampell tem tendências de esquerda, mas ela alertou no ano passado no Washington Post sobre o perigo de “ajudar” os trabalhadores a encontrar a fila de desemprego.

(…) A esquerda precisa pensar mais sobre as consequências não intencionais de (…) propostas de aparência benevolente. Isoladamente, cada uma dessas políticas tem o potencial de tornar os trabalhadores mais caros para contratar. Cumulativamente, elas quase com certeza o fazem. O que significa que, a menos que cuidadosamente desenhada, uma plataforma “pró-trabalho” de esquerda pode na verdade encorajar as empresas a contratar menos mão-de-obra. (…) É mais fácil, ou talvez mais politicamente conveniente, supor que as políticas “pró-trabalhador” nunca prejudicam os trabalhadores que elas pretendem ajudar. Tome como exemplo a proposta de elevar o salário mínimo federal para US$ 15 por hora. (…) A elevação dos salários em Seattle para US$ 13 produziu grandes cortes nas horas trabalhadas, deixando os trabalhadores mal remunerados com contracheques mais baixos. E isso em uma cidade de alto custo. Imagine o que aconteceria se o congresso elevasse o salário mínimo para US$ 15 em todo o país. (…) Por que você não iria querer melhorar o padrão de vida de tantas pessoas quanto possível? A resposta: você não está ajudando de verdade se tornar seu trabalho muito mais caro, muito rapidamente, resultar na sua demissão.

Multidão de desempregados

A propósito, embora eu fique feliz que Rampell reconheça que grandes aumentos no salário mínimo terão um impacto adverso, eu acho que ela é bastante ingênua em acreditar que existem opções “cuidadosamente desenhadas” que não seriam prejudiciais.

Ou ela tem um ponto de corte para baixas aceitáveis? Talvez ela pense que um aumento no salário mínimo é ruim se ele colocar 500 mil pessoas no desemprego, mas um pequeno aumento que leve à perda de 200 mil talvez seja aceitável?

De qualquer forma, os eleitores do District of Columbia2 aparentemente não leram a sua coluna e votaram no começo do ano a favor de restringir a liberdade de empregadores e empregados no setor de restaurantes de se envolverem em trocas voluntárias.

Mas depois algo interessante aconteceu. Trabalhadores e proprietários se uniram e conclamaram que o governo do District of Columbia revertesse o referendo.

O Wall Street Journal opinou sobre esse desenvolvimento.

Na semana passada, os vereadores democratas de Washington, DC, se mobilizaram para derrubar um salário mínimo obrigatório para os trabalhadores que recebem gorjetas depois que bartenders, garçons e gerentes de restaurantes lhes deram uma lição de economia. (…) O aumento salarial foi aprovado como uma forma de dar estabilidade financeira aos trabalhadores. (…) Mas os trabalhadores que recebem gorjeta perceberam que a política vinha com sérias consequências não intencionais. (…) Os trabalhadores pressionaram pela revogação. Embora os restaurantes paguem um salário de US$ 3,89/hora para os trabalhadores que recebem gorjeta, “escolhemos esses empregos porque ganhamos muito mais do que o salário mínimo padrão” com as gorjetas, disse a bartender Valerie Graham à câmara da cidade. (…) “Aumentar o salário base para os trabalhadores que já ultrapassam o salário mínimo ameaça aqueles que não recebem gorjetas”, como cozinheiros, lavadores de pratos e limpadores de mesa, disse a bartender Chelsea Silber do Rose Luxury à câmara municipal. (…) A revogação exige uma segunda votação na câmara, mas a prefeita democrata Muriel Bowser diz que concorda. Parabéns pela revolta das massas nos restaurantes.

Vamos rever outro exemplo.

Hoje está em andamento um aumento escalonado do salário mínimo em Nova York. Ellie Bufkin explica algumas das consequências em uma coluna para The Federalist.

Esse aumento do salário mínimo forçou várias empresas da cidade de Nova York a fechar suas portas e reivindicará muito mais vítimas em breve. As empresas precisam atingir o salário de US$ 15 até o final de 2018, que é o auge dos incrementos obrigatórios que começaram em 2016. (…) Para muitos negócios, essa escandalosa lei não é apenas um inconveniente, é simplesmente além de suas capacidades. A vítima mais recente é a antiga The Coffee Shop. (…) Ao explicar sua decisão de fechar após 28 anos de negócios em alto volume, o proprietário Charles Milite disse ao New York Post: “Os tempos mudaram em nosso setor. O aluguel está muito alto e agora o salário mínimo está subindo e temos um grande número de funcionários.” (…) De todos os negócios afetados, os restaurantes são os de maior risco de perder sua capacidade de operar sob a pressão de demandas financeiras esmagadoras. Eles operam com os custos operacionais diários mais altos de qualquer negócio, em parte porque precisam empregar mais pessoas para funcionar de forma eficiente. (…) Em algum momento, as leis de salário mínimo e outros regulamentos proibitivos farão com que a gastronomia de renome mundial em cidades como Nova York, Washington e São Francisco deixe de existir.

Terraço de restaurante em Nova York

A quem possa interessar, eu não acho que os restaurantes “deixarão de existir” por causa dos salários mínimos mais altos.

Mas definitivamente haverá menos estabelecimentos, e com menos trabalhadores.

Por quê? Porque empreendimentos não são caridades. Eles contratam trabalhadores para aumentar os lucros, então é inevitável que tenhamos resultados ruins quando as exigências do governo resultam em alguns funcionários custando mais do que a receita que geram.

Que é o que estamos vendo agora em Seattle.

Se alguns estados querem tirar trabalhadores pouco qualificados de seus empregos, acho que esse será um resultado terrível. Mas não será tão ruim quanto um esquema nacional para aumentar o desemprego (especialmente para as minorias).


Artigo originalmente publicado como Real-World Examples of How the Minimum Wage Destroys Jobs and Hurts Workers para o International Liberty.


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