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Já está publicado1 o ranking de liberdade econômica 2019, elaborado pela Heritage Foundation. A edição especial desse ano comemora 25 anos de publicações do ranking. Enquanto celebra-se a conquista de um quarto de século de divulgações anuais, com uma edição melhor do que nunca, o mesmo não pode se dizer sobre a liberdade econômica global.

Com a média global caindo 0,3 pontos, de 61,1 para 60,8, a pontuação média dos 186 países analisados ainda está entre as três maiores desde o início do ranking. Porém, qualquer queda deve servir como alerta.

Os principais culpados pelo decréscimo da média global neste ano foram a eficácia judicial, que reduziu em 2,2 pontos, e a liberdade de comércio, a qual reduziu 1,5 pontos de sua respectiva média.

Sem muitas surpresas na parte de cima do ranking, os seis primeiros países classificados como livres permaneceram inalterados de 2018 para 2019. A grande diferença no top 10 veio da Estônia, que caiu do 7º para o 15º lugar. No seu lugar, entrou o Taiwan que subiu do 13º para o 10º lugar.

Ranking de liberdade econômica 2019:

1. Hong Kong
2. Singapura
3. Nova Zelândia
4. Suíça
5. Austrália
6. Irlanda
7. Reino Unido
8. Canadá
9. Emirados Árabes Unidos
10. Taiwan

150. Brasil

Confira aqui o ranking completo.

Como é calculada a pontuação?

A metodologia do ranking é baseada em 12 fatores qualitativos e quantitativos, que são agrupados em quatro grandes categorias. Ou, como a própria Heritage se refere, os quatro grandes pilares da liberdade econômica. São eles:

1. Estado de direito
– Direito de propriedade
– Integridade do governo
– Eficácia Judicial

2. Tamanho do governo
– Gastos do governo
– Peso dos impostos
– Saúde fiscal do governo

3. Eficiência regulatória
– Liberdade para se fazer negócios
– Liberdade de trabalho
– Liberdade monetária

4. Abertura de mercado
– Liberdade de comércio
– Liberdade de investimentos
– Liberdade financeira

Cada um dos 12 itens são avaliados em uma escala de 0 a 100, e todos possuem o mesmo peso. Após a avaliação individual dos itens, é feita uma média geral e chega-se à pontuação final de cada país.

O período analisado de cada ranking é geralmente do semestre de um ano ao outro. Por exemplo, o ranking de 2019 engloba o período do segundo semestre de 2017 até o fim do primeiro semestre de 2018. Em alguns fatores, como a política monetária de um país, é usada uma média de três anos.

O Brasil no ranking de liberdade econômica 2019

Com um discreto aumento de 0,5 ponto, o Brasil conseguiu sair do 153º para o 150º lugar do ranking de 2018 para 2019. Os dois quesitos com melhoria foram na liberdade de trabalho, em decorrência da reforma trabalhista, e no gasto governamental. Os dois quesitos com maior queda foram a eficácia judicial e a integridade do governo.

Apesar de subir três posições, o Brasil ainda amarga uma colocação lamentável. Sendo categorizado como um país pouco livre, estamos a apenas oito posições acima de sermos categorizados como um país reprimido.

Os dois quesitos com piores notas para o Brasil são a saúde fiscal (nota 5,9), devido a atingirmos um dos piores déficits de orçamento do mundo, e a integridade do governo (nota 28,1), desencadeada pelos massivos escândalos de corrupção revelados nos últimos anos.

Histórico recente de déficit orçamentário no Brasil. Resultado nominal como percentual do PIB.

Os dois quesitos com melhores notas para o Brasil, são a liberdade monetária (nota 75,5) devido aos cortes no controle de preços de setores como energia e petróleo, e a decrescente inflação. E o peso dos impostos (nota 70,5) que é avaliado tanto pelo imposto sobre pessoa física (27,5%), quanto sobre a pessoa jurídica (34%).

Existe um longo caminho para o Brasil percorrer a fim de melhorar sua liberdade econômica. As prováveis reformas sinalizadas para um futuro próximo, como a da previdência, serão um importante passo para melhorar a saúde fiscal do país. O novo ministro de justiça também traz otimismo para a integridade do governo.

Mas o que é a liberdade econômica?

A liberdade econômica define a liberdade que as pessoas possuem de trabalhar, empreender, acumular capital, investir e proteger suas propriedades, em determinado país.

Em uma sociedade economicamente livre, os indivíduos podem satisfazer as necessidades uns dos outros, de forma voluntária. Sem intervenções estatais, sem burocracias, sem regulamentações estatais, sem espoliação por meio de impostos e taxas abusivas e sem entraves de contratos.

Qual a relevância do ranking da Heritage?

O ranking de liberdade econômica publicado pela Heritage foundation, possui uma parceria de mais de 20 anos com o Wall Street Journal, que os auxilia na coleta de dados e divulgação. A Heritage também possui parcerias para obtenção de dados, com o Banco Mundial, o FMI, e a Organização Mundial do Comércio.

A instituição Transparência Internacional, que anualmente divulga os índices de corrupção global, bem como o Fórum Econômico Mundial, que realiza a famosa reunião de líderes mundiais em Davos, também são importantes aliados na elaboração do ranking.

Empresas privadas de renome também participam da obtenção de dados, e auxiliam na elaboração de métricas para o ranking de liberdade econômica. Algumas delas são: a Economist Intelligence Unit, a Deloitte, e a PricewaterhouseCoopers.

Ao longo dos 25 anos, o ranking de liberdade econômica se tornou um importante documento utilizado como guia para políticas econômicas. Presidentes de países como Polônia, Taiwan, Estônia, Chile, Tunísia, Gana e México já ressaltaram publicamente a importância do uso do ranking.

A sua transparência, acessibilidade e confiança nos dados e métricas, faz com que o ranking seja também usado como uma importante ferramenta por agências de classificação de crédito e de investimentos. São diversas as utilizações do ranking como guia de tomada de decisões para as mais variadas corporações e instituições mundo afora.

Conclusão

Muito antes da primeira edição do ranking em 1995, o mundo já via um valioso progresso em países que passaram a adotar a Liberdade econômica. É a partir desta primeira edição porém, que passamos a documentar esses avanços, e provar que o progresso e desenvolvimento andam de mãos dadas com a liberdade.

A liberdade econômica prova ser, ano após ano, a única maneira de erradicarmos a pobreza, de melhorarmos o padrão de vida das populações e tornar nações ricas, de forma sustentável.

É com liberdade econômica que vimos uma ilha superpovoada, sem recursos naturais, refém de embargos e sem infraestrutura, se tornar um centro urbano de primeiro mundo. É com a mesma liberdade econômica que vimos outra ilha tornar sua população extremamente rica, exportando laticínios, ovos, carne e lã.

E é com a mesma liberdade econômica que vimos os países nórdicos enriquecerem, para depois implementarem o insustentável modelo de bem estar social, tão desejado pelos progressistas mundo afora.


Esse artigo foi originalmente publicado no blog do Economista Visual.

Sobre o Autor

O Economista Visual cria conteúdo rico visualmente para facilitar o entendimento de diversos tópicos da economia, história e política mundial.

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