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Quem vai construir as estradas?

por Brittany Hunter

Os libertários agora podem ficar tranquilos sabendo que, da próxima vez que formos abordados com a infame questão sobre estradas1, poderemos olhar para o Domino’s como um farol de inovação de livre mercado de um bem público.

Ontem, o Domino’s Pizza anunciou que, em vez de esperar pela ação do governo, a empresa tomaria a responsabilidade de tampar buracos como parte de sua campanha “Paving for Pizza”2.

Local onde foi tampado buraco pela campanha Paving for Pizza.
Local onde foi tampado buraco pela campanha Paving for Pizza.

Muito pode acontecer no tempo que leva para a sua pizza sair da loja de origem e chegar à sua porta. Sentado impotente no banco da frente3, um encontro com um buraco pode significar que sua deliciosa pizza de queijo seja entregue em ruínas.

Todos já tivemos a infeliz experiência de abrir aquela caixa de papelão depois que o entregador foi embora, apenas para descobrir que o queijo e a cobertura escorregaram no que parece ter sido um ato desastrado. Tomado de fome e raiva, você liga na loja de pizzas e exige que uma nova seja enviada. Mas, sendo realista, com o tempo de forno e o trânsito, você não vai comer a pizza por pelo menos mais uma hora. Essa situação é muito real.

Este problema é aparentemente tão comum para a Domino’s, que eles lançaram recentemente um programa de seguro de pizza que permitiria aos consumidores fazer um seguro de sua pizza no caso de algo acontecer durante a entrega. Embora essa fosse uma ideia inteligente, especialmente para aqueles de nós que adotamos uma filosofia de “seguro privado para tudo”, ela não impede a destruição das pizzas. Segurado ou não, a Domino’s ainda tem que fazer outra pizza se a primeira estiver arruinada.

Então, como você, com o melhor de sua habilidade, impede que as pizzas sejam destruídas na rua? Você ataca a raiz do problema e conserta as próprias ruas. E é exatamente isso que a Domino’s pretende fazer.

Apesar de o novo programa ter sido oficialmente lançado ontem, “Paving for Pizza” já consertou mais de 50 buracos na Califórnia, Texas e Delaware. A campanha promete dar às municipalidades locais o dinheiro necessário para consertar sua infraestrutura em ruínas caso sejam selecionadas pela empresa. Aqueles que querem se beneficiar desta oportunidade só precisam entrar no site da Domino’s e indicar as ruas de seu bairro para consideração.

Comentando essa iniciativa pouco convencional, a diretora criativa da CP + B, Kelly McCormick, disse:

Sabemos que a experiência esperada inclui tudo, desde o pedido até receber a pizza em casa em perfeitas condições. Isso nos obrigou a pensar mais amplamente sobre o transporte e fez com que tivéssemos que pensar no trajeto a carro ou a pé, nas ruas cheias de buracos e nas calçadas cheias de gelo que não são nossas e que não podemos controlar. Então, decidimos ir onde nenhuma outra pizzaria jamais fora.

E para onde eles estão indo, eles certamente precisarão de estradas.

Quem vai construir as estradas?

Desde o início dos tempos, os libertários têm sido rotineiramente bombardeados com uma pergunta infame: sem o Estado, quem construirá as estradas? Para aqueles que são hostis à filosofia da liberdade, esta questão parece ser um grande “te peguei”. Não é possível que o livre mercado possa lidar com um “bem público” tão importante quanto as estradas, provando assim que toda a filosofia libertária é inatingível. Obviamente, o Domino’s está provando que essa afirmação é falsa.

Meme que diz: "Mas sem o Estado, quem vai construir as estradas?"
“Mas sem o Estado, quem vai construir as estradas?”

No entanto, a questão das “estradas” assumiu vida própria dentro da esfera da liberdade, entrando na cultura dos memes e tornando-se uma fonte de constante frustração para aqueles comprometidos com os princípios do livre mercado. Esta questão está tão firmemente amarrada no movimento moderno pela liberdade que o historiador Tom Woods disse uma vez:

“Quem construirá as estradas?” é a pergunta que pertence ao topo de todo jogo de bebida4 entre libertários. Se não tivéssemos trabalho forçado, diz o argumento, não haveria estradas. Haveria uma loja da Sears ali, e a sua casa aqui, e todos os presentes ficariam parados coçando a cabeça.

Mas o que nossos amigos céticos talvez não entendam completamente é que, onde há estradas, há comércio. E na ausência de estradas, como a Sears poderia atrair clientes para sua loja? Ou, diferentemente, sem as estradas funcionando bem, como poderia o Domino’s entregar pizza com segurança à sua porta?

Todas as estradas levam ao comércio

Historicamente, as estradas têm sido vistas como um bem público, que é definido como um produto ou serviço que é fornecido aos cidadãos exclusivamente por governos, garantindo que seu uso seja acessível a todos. Isso levou muitos a acreditar que o governo é a única entidade capaz de administrar estradas. E embora rodovias com pedágio e outras formas de vias privadas existam como exemplos vivos, há muitos que se apegam ao monopólio do Estado nas estradas. Mas existem vários problemas com este ponto de vista.

Estrada pública esburacada.
Situação das estradas públicas pelo Brasil.

Para começar, não há absolutamente nenhuma prova de que o Estado esteja bem preparado para cuidar das estradas. De fato, há muito mais evidências no sentido oposto. As estradas estatais estão sempre precisando de reparos ou completamente congestionadas porque algum funcionário público sentado em sua mesa ordenou que as obras fossem feitas durante o horário de pico.

Além disso, o Estado não tem qualquer real incentivo para cuidar das estradas para começar.

No mercado, as entidades privadas que esperam ter sucesso sabem que precisam responder à demanda do consumidor para não saírem de mercado. Uma empresa de telhados, por exemplo, não sobreviveria no mercado se prometesse e não respondesse prontamente a situações de emergência sempre que chamada. No entanto, as estradas estatais estão em constante estado de abandono, e às vezes leva anos até que uma solicitação de serviço seja concluída.

É claro que o governo não é demitido quando não consegue responder a um problema na rua em tempo hábil. Como o Estado opera pela força, a satisfação do consumidor não desempenha nenhum papel em sua existência.

O setor privado, por outro lado, tem um interesse próprio em manter adequadamente as ruas locais o mais rápido possível, como o Domino’s está provando agora.

A decisão de lançar a Paving for Pizza nasceu de uma demanda reprimida no mercado. O Estado não estava conseguindo atender às necessidades dos motoristas na rua, o que por sua vez estava impedindo o Domino’s de cumprir sua promessa de oferecer produtos de qualidade a seus consumidores.

A campanha Paving for Pizza na verdade opera nos melhores interesses do Domino’s. A empresa já está tendo que gastar dinheiro para substituir as pizzas que estão sendo destruídas no caminho para seus destinos finais. Além disso, ter que refazer uma pizza estragada significa que o funcionário do Domino’s precisa desviar sua atenção do pedido de outro cliente. Substituir uma pizza acaba custando à empresa tempo e dinheiro preciosos.

Portaria de condomínio privado com a rua em boas condições.
Ruas de condomínios privados, sempre em boas condições.

Mas, ao optar por investir dinheiro para consertar as ruas em suas muitas áreas de entrega, o Domino’s não está apenas atacando a raiz do problema, mas também está ganhando muitos pontos de consumidores e das comunidades locais. Não só o consumidor tem mais chance de receber uma pizza graciosamente intacta, mas toda a comunidade também se beneficia da infraestrutura melhorada. Isso, por sua vez, resultará em novos clientes para o Domino’s que são atraídos pelo resultado das ruas melhoradas. Todos ganham nessa situação.

Mas as implicações disso são de grande alcance. As ruas claramente desempenham um papel vital na forma como o Domino’s conduz os negócios. Mas o Domino’s é apenas uma empresa. Como muitos estabelecimentos dependem das ruas para trazer seus clientes até eles, existe um enorme potencial para as empresas privadas abrirem o caminho para uma inovação em infraestrutura se seguirem a liderança do Domino’s.

No mínimo, os libertários agora podem ficar tranquilos sabendo que na próxima vez que formos abordados com a infame questão sobre as estradas, poderemos olhar para o Domino’s como um farol de inovação de livre-mercado para um bem público.


Artigo originalmente publicado como Without Government, Who Will Build the Roads? Domino’s Pizza, Apparently para a Foundation for Economic Education.


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