Os comentaristas de esquerda estão lutando para enfrentar o colapso econômico da Venezuela. No início de agosto, a professora da Universidade de Stanford Terry Lynn Karl juntou-se ao refrão alegando que a queda dos preços do petróleo é o problema.

É verdade que o preço do petróleo caiu de cerca de US$ 100 por barril em 2014 para cerca de US$ 50 em 2017. Mas as políticas socialistas exacerbaram a crise do petróleo e criaram a pobreza que vemos na Venezuela hoje .

Recursos não ditam prosperidade.

As sociedades de livre mercado são menos afetadas pela queda dos preços das commodities1 , em parte porque sua riqueza não depende de matérias-primas.

Hong Kong e Singapura são duas das economias mais ricas do mundo, que tinham em 2016 um PIB per capita bruto de US$ 57.676 e US$ 84.821, respectivamente. O que transformou estas terras desprovidas de recursos naturais em metrópoles prósperas, com comércio movimentado e um classe média próspera? Liberdade econômica.

Demora, em média, apenas dois dias para abrir uma empresa em Hong Kong – três em Singapura. Singapura tem uma empresa para cada 350 pessoas , o que significa que há empresas competitivas em constante disputa pelo dinheiro dos consumidores, com inovações e excelente serviço. Ambas as economias incentivam o investimento e o comércio, o que permite que consumidores e empresas se beneficiem da riqueza e das ideias de outras nações.

De acordo com o relatório anual de 2016 sobre a liberdade econômica do mundo do Instituto Fraser , Hong Kong e Singapura são as duas economias mais livres da Terra. Como os economistas do Fraser notaram:

Países com instituições e políticas públicas mais consistentes com a liberdade econômica têm maiores taxas de investimento, crescimento econômico mais rápido, maiores níveis de renda e mais rápida redução das taxas de pobreza”.

Os mercados livres encorajam o comércio, o empreendedorismo e o investimento , que criam riqueza.

Em contrapartida, as economias mais pobres do mundo são caracterizadas por intervenções governamentais opressivas. Em 2014, as 40 nações menos livres economicamente tinham um PIB per capita médio de US$ 5.471 (valores de 2011). Compare isso com os US$ 41.228 dos 40 países mais livres.

Recursos naturais abundantes não conseguem compensar a falta de liberdade. O Irã tem reservas de mais de 150 bilhões de barris de petróleo , mas é uma das 10 nações menos economicamente livres do mundo. Controles de preços e subsídios setoriais paralisaram sua economia por décadas, e o governo limita estritamente o acesso ao financiamento para empresas. O PIB per capita do Irã em 2014, antes dos preços do petróleo caírem, era de apenas US$ 6.007 .

Como a indústria do petróleo da Venezuela desapareceu

No caso da Venezuela, uma aquisição governamental da indústria do petróleo reduziu a oferta, semeando as sementes do empobrecimento futuro. A indústria do petróleo foi nacionalizada em 1976, mas, cautelosa com a má gestão e corrupção de outras empresas petrolíferas nacionalizadas, como a Pemex, a Venezuela deixou a PDVSA 2 atuar como uma empresa quase privada, com tomada de decisão mais livre e gerentes de negócios competentes.

Quando Hugo Chávez assumiu o poder em 1999, ele restringiu essa liberdade. Chávez proibiu investimentos estrangeiros em campos de petróleo na Venezuela e parou de investir em processos petroleiros na companhia. Ele demitiu 18.000 trabalhadores da PDVSA , substituindo funcionários profissionais do petróleo por trabalhadores ineptos, mas politicamente leais. O tempo para preparar uma oferta para explorar petróleo aumentou em meses, pois a equipe mudava continuamente as especificações técnicas. Acidentes fatais e incêndios tornaram-se mais comuns, porque os puxa-saco de Chávez não entendiam como administrar com segurança uma refinaria de petróleo. Os gerentes intermediários da PDVSA exigiam um Rolex como suborno para agendar reuniões.

Chávez defendeu a construção de um gasoduto natural ligando a Venezuela ao Brasil e à Argentina . De acordo com Luis Giusti , que competentemente geriu a PDVSA antes da era Chávez, isso “levaria gás que não existe para mercados que não existem”.

Previsivelmente, a produção de petróleo entrou em colapso: The Washington Post observa que a produção caiu 25% de 1999 a 2013. A PDVSA tomou suas decisões com base na política e não nas necessidades dos consumidores e, como consequência, a produção despencou.

Caso Chávez tivesse, por outro lado, privatizado a indústria do petróleo, a Venezuela desfrutaria de mais petróleo, entregue de forma mais eficiente, e teria sofrido menos desperdício e corrupção. Quando a China privatizou seu setor agrícola, as colheitas cresceram. Em um documento de trabalho feito para o Banco Mundial , os economistas Sunita Kikeri e John Nellis explicam que a privatização melhora o desempenho . Quando empresas privadas competem e inovam, podem reduzir o desperdício e gerenciar recursos de forma mais eficiente, criando mais valor.

Enquanto a Venezuela sufocava sua indústria petroleira, as políticas socialistas em outros setores deixaram o país mais dependente do petróleo. Quando a Venezuela nacionalizou a manufatura, a produção caiu para níveis de 1965. A nacionalização da eletricidade gerou apagões contínuos, e uma aquisição de supermercados e fazendas criaram escassez de alimentos. Os controles de preços sobre produtos fundamentais deram às empresas pouco incentivo para produzir, um fato que não foi ajudado por incursões do governo contra negócios que Chávez acreditava estarem operando abaixo da capacidade.

Poderia ter sido diferente

Setores não-petrolíferos saudáveis ​​poderiam ter diversificado a economia venezuelana e diminuído o impacto da queda dos preços do petróleo. Ao estrangulá-los, Chávez e seu sucessor, Nicolás Maduro , forçaram a economia a depender mais do petróleo, justamente na hora errada.

Em 1998, o petróleo representou 77% das exportações da Venezuela; em 2011, esse número aumentou para 96%. A produção despencou , mas ainda representava uma fatia cada vez maior de um bolo cada vez menor.

Os comentaristas que minimizam o sofrimento da Venezuela como que sendo causado pela crise do petróleo precisam explicar por que outros países dependentes do petróleo não entraram em colapso. De acordo com o Banco Mundial, sete nações dependem mais do petróleo do que a Venezuela; todos os sete tiveram crescimento econômico de 2013 para 2017. Se a Venezuela tivesse imitado a liberdade econômica de nações como o Chile , seu povo não passaria fome nas ruas.


Esse artigo foi originalmente publicado como Socialism Set Fire to Venezuela’s Oil Crisis para o Real Clear World .


Notas:

  1. Commodities são produtos de qualidade e características uniformes, que não são diferenciados de acordo com quem os produziu ou de sua origem. Por exemplo o milho, a soja, e o minério. (N. do E.)
  2. Petróleos de Venezuela. (N. do A.)

Sobre o Autor

Julian Adorney faz parte da Young Voices Advocate. Seu trabalho foi apresentado em diversos meios, incluindo National Review, Fox News Nation, The Federalist, e Foundation for Economic Education.

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