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Paridade de gênero e liberdade econômica estão intrinsecamente ligados

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O novo índice Liberdade Econômica do Mundo classifica 159 países a partir de cinco medidas de liberdade econômica: tamanho do governo, sistema jurídico e direitos de propriedade, moeda forte, liberdade para comercializar internacionalmente e regulamentação.

Publicado pelo Fraser Institute, os dados mostram uma forte correlação entre liberdade econômica e progresso humano. Pessoas que vivem nos países que compõem o quarto mais economicamente livre não só têm maior PIB per capita do que aqueles no quarto inferior, como também vivem mais, gozam de maior liberdades política e civil e tendem a ser mais felizes com suas vidas.

Paridade de gênero importa

Pela primeira vez, o índice mudou a sua metodologia para incluir o Índice de Disparidade de Gênero (GDI, na sigla em inglês), que reflete barreiras legais e regulatórias às atividades econômicas das mulheres. Os relatórios anteriores pressupunham que mulheres e homens enfrentavam as mesmas barreiras.

Mas este não é o caso em muitos países, como a Arábia Saudita, onde mulheres ainda precisam da permissão de um homem para conseguir um emprego ou abrir uma conta de banco.

O GDI utiliza dados do Women, Business, and Law1 e do 50 Years of Women’s Rights2 do Banco Mundial, que monitoram mudanças na igualdade de gênero ao longo do tempo. A pontuação GDI de um país pode ir de 0 a 1.

Isso significa que a pontuação de um país será mais próxima a zero se as mulheres de lá não tiverem os mesmos direitos econômicos que os homens. Por outro lado, um país com pontuação mais próxima de um provavelmente trata homens e mulheres de maneira igual perante a lei, e mulheres não enfrentam barreiras adicionais à atividade econômica.

No ano mais recente para o qual se tem dados, 2015, o GDI praticamente não afetou a pontuação geral de 122 dos 159 países. Mas para um pequeno grupo de nações, essa metodologia resultou em uma significativa queda em suas pontuações e em suas posições no ranking.

Dentre os países que sofreram as maiores mudanças estão a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait, a Jordânia, o Bahrain, o Qatar, o Omã, o Irã, o Egito, o Marrocos, e a Síria.

A contribuidora Rosemary Fike aponta que o GDI teve seu maior impacto nas nações do Oriente Médio e do Norte da África. Muitos destes países seriam relativamente livres em termos econômicos, se não fossem as restrições impostas às mulheres.

Por exemplo, os Emirados Árabes Unidos e a Jordânia, que estariam entre as 20 nações no topo da lista se não se tivesse incluído o ajuste de gênero, caíram para o 37º e o 39º lugar, respectivamente.

Igualdade para as mulheres

Outro achado importante é que as menores pontuações GDI aumentaram significativamente se comparadas a 1970, quando as 15 menores pontuações iam de 0,00 a 0,44. Em 2015, essas 15 menores pontuações vão de 0,41 a 0,65.

Os países começaram a remover suas barreiras às atividades econômicas das mulheres na mesma época em que as mulheres começaram a se tornar mais iguais aos homens em suas escolhas e carreiras.

O gráfico abaixo mostra as pontuações médias de disparidade de gênero por quarto de liberdade econômica3. Os países no quarto inferior têm uma pontuação GDI menor, média de 0,76.  À medida que se move para os quartos superiores, as pontuações GDI aumentam, e o quarto mais economicamente livre tem uma pontuação GDI média de 0,95.

Fonte: Liberdade Econômica no Mundo: Relatório Anual de 2017; Rosemarie Fike.

A igualdade entre gêneros sob a lei melhora à medida que os países tornam-se mais economicamente livres. Países que ainda restringem os direitos econômicos das mulheres pagarão custos econômicos maiores. Tratar mulheres e homens igualmente perante a lei traz mais liberdade econômica e aumenta o crescimento potencial da sociedade.


Esse artigo foi originalmente publicado como Gender Parity and Economic Freedom Are Closely Linked para o Economics21.

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