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Os salários estão subindo

por John Tamny
Restaurante Chick-fil-A.

“Como proprietário, estou olhando para o cenário todo, e para o longo prazo.” Essas são as palavras de Eric Mason, proprietário de um Chick-fil-A1 em Sacramento, CA.

Mason estava falando sobre seus funcionários e suas vendas. Ele acredita que restaurantes de sucesso são uma consequência de trabalhadores felizes e bem pagos. É por isso que ele está oferecendo a seus funcionários aumentos que elevariam seus salários de US$ 12-13 por hora para US$ 17-18 por hora2.

O fato de Mason estar aumentando o salário dos trabalhadores muito além do salário mínimo na Califórnia é um lembrete de que os especialistas da esquerda estão perdidos quando falam de salários estagnados. Eles poderiam aprender muito com Mason. Mason vê muito claramente o que eles não veem: trabalhadores com baixos salários são incrivelmente caros.

São porque não são muito produtivos. Como se costuma dizer, você recebe o que paga. Trabalhadores com baixos salários não precisam ter um desempenho muito bom, simplesmente porque não estão sendo remunerados para isso. Mason quer que seus negócios cresçam, o que significa que ele quer que seus funcionários se sintam bem recompensados. Citado no Washington Post sobre sua decisão de aumentar a remuneração dos funcionários, Mason disse que “o que [esse pagamento muito acima do salário mínimo] faz pelos negócios é proporcionar consistência, alguém que tenha um relacionamento com nossos clientes e está construindo uma cultura de longo prazo.”

A “cultura de longo prazo” é crucial aqui. O argumento de Mason é que a rotatividade de funcionários é muito cara. Não só é demorado treinar trabalhadores que logo partirão, mas também é ruim para os negócios. As pessoas frequentam restaurantes por toda sorte de razões. A consistência em termos de comida e serviço, e um ambiente acolhedor são um fator claro. É mais provável que essas qualidades sejam encontradas em restaurantes que mantêm seus funcionários a longo prazo.

O exposto acima fala com clareza como é caro pagar mal. Fazer isso, como tentando explorá-los, é afastar os trabalhadores que são capazes de dominar o menu, criando uma “cultura de longo prazo”, e que conhecerão muitos clientes por nome e por seus pedidos.

Linha de montagem nos primeiros anos da Ford.
Linha de montagem nos primeiros anos da Ford.

O insight de Mason é tão antigo quanto o lucro. Henry Ford entendeu há muito tempo o que Mason entende agora. Trabalhadores mal remunerados são um fardo que prejudica os negócios. Ford não aumentou os salários de seus funcionários para que eles comprassem carros Ford; ao contrário, ele ofereceu a eles impressionantes aumentos porque a rotatividade anual superior a 300% estava limitando sua capacidade de lucrar. Os baixos salários estavam custando muito à sua empresa. Mason quer evitar o alto custo de estar sempre trocando de funcionários.

As ações de Mason desmentem a crença popular na esquerda de que as empresas prosperam pagando a seus funcionários o mínimo possível. Ele é certamente um proprietário sensato, mas aqueles que pensam que os negócios crescem através da exploração, eles devem acreditar que a visão de Mason sobre remuneração é minoritária? Mais realisticamente, as corporações bem administradas, de formas e tamanhos variados, compreendem bem que as empresas são bem-sucedidas graças às pessoas que aparecem para trabalhar todos os dias. Proprietários e CEOs bem-sucedidos entendem que a parcimônia não é o caminho para os lucros.

Empresas lucrativas assim se tornam pagando a mais. Alguém se lembra do apelido da General Electric quando era a principal blue chip3 americana no final dos anos 90? Os funcionários da “Generous Electric”4 eram extremamente bem remunerados, e também era dito sobre a Time Warner na mesma época que ela mantinha seus trabalhadores com “algemas de ouro”. De tanto medo em perder seu capital humano para os iniciantes no Vale do Silício, a Goldman Sachs entregou generosos bônus em ações durante o primeiro boom da internet. Mais recentemente, os leitores só precisam considerar a Amazon. É uma das cinco empresas mais valiosas do mundo. Não é de surpreender que o pagamento na Amazon seja muito impressionante. Quem duvida disso só precisa considerar a intensa competição entre cidades da América do Norte pela sede secundária da gigante de Seattle.

Os exemplos anteriores são muito grandes e muito corporativos? Muito costeiros ou muito estranhos? Muito focado no trabalho com ensino superior? Se sim, tudo bem. Considere o setor de encanamento. Em uma primeira página do Wall Street Journal da semana passada, foi relatado que a Neuworks Mechanical, com sede em Ft. Collins, está oferecendo aos encanadores “torneiras de chopp com cerveja artesanal”, café espresso, grelha para a carne no almoço e, a seguir, um estúdio de ioga. Uma empresa de encanamento em St. Paul oferece jogos de fliperama e uma “sala de silêncio”, enquanto outra encanadora encontrada pelo Journal oferece massagens e tratamentos de spa a seus funcionários.

Barman trabalhando.

O que nos leva ao mito sobre salários estagnados nos EUA. Sério mesmo? Se os salários estivessem estagnados, alguém acha que as empresas pagariam tanto e ofereceriam tanto para ganhar e reter trabalhadores? Sem dúvida, alguns proprietários e CEOs são simplesmente esclarecidos e percebem que uma força de trabalho feliz significa clientes satisfeitos, mas até certo ponto essa guerra de ofertas para os trabalhadores é o resultado de uma disputa por talentos entre todas as empresas.

Pagamento estagnado pressupõe falta de crescimento econômico e escassez de negócios de sucesso. Exceto que os EUA tiveram um dos maiores crescimentos desde o início dos anos 80, e abrigam uma maioria das empresas mais valiosas do mundo. Em uma economia baseada em pessoas, é natural que as pessoas que trabalham nas empresas dos EUA recebam cada vez mais e sejam compensadas de maneiras cada vez mais criativas. A remuneração é tão impressionante nos EUA que mesmo as empresas de fast-food precisam pagar mais para competir. De fato, como a história do Chick-fil-A nos lembra, não é apenas a Starbucks que está se esforçando para reter trabalhadores com salários e benefícios.

Portanto, enquanto muitos da esquerda certamente querem o melhor para os trabalhadores, muitos atuam sob a falsa ilusão de que as empresas se esforçam para minimizar os custos com funcionários. De modo nenhum. Elas não têm dinheiro para isso. Elas se esforçam para pagar a mais porque uma falha na retenção de funcionários é o caminho para o declínio.


Artigo originalmente publicado como Chick-fil-A Mocks the Lefty Myth About Wage Stagnation para o Real Clear Markets.


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