Meu filho de 19 anos, Thomas – pelo qual eu tenho todo o orgulho que um pai pode ter de seu filho – é um astrofísico promissor. Seu interesse profissional reside puramente nas ciências exatas1 e na matemática. Mesmo assim, seu conhecimento de economia é profundo. (Sim, eu estou contando vantagem. Mas é considerado contar vantagem quando é verdade?)

Thomas entende com naturalidade a inevitabilidade dos trade-offs, ele compreende que não existe tal coisa como almoço grátis (ou qualquer coisa grátis), ele entende ordem espontânea, ele é realista o suficiente para entender que para cada incentivo perverso que existe no setor privado, existem 1.001 incentivos perversos no setor público, e Thomas entende que empresas que têm lucro no setor privado servem o público – e, quanto maior o serviço, maior o lucro.

Thomas é naturalmente um libertário: ele não possui qualquer interesse em se intrometer na vida dos outros, e fica horrorizado com a possibilidade de qualquer um se intrometer na sua vida. Ele é, de fato, um homem decente e civilizado.

Hoje à tarde, Thomas e eu voltávamos do almoço e nossa conversa foi parar no McDonald’s. Thomas notou corretamente que o McDonald’s vem sofrendo tempos difíceis nos últimos anos. Meu filho e eu concordamos que ele – e possivelmente até mesmo eu – viverá para ver o dia em que o McDonald’s irá pedir falência, será ignominiosamente absorvido por outra companhia em crescimento (possivelmente uma empresa que ainda nem existe), ou será transformado em uma companhia bem diferente do que é atualmente. Thomas e eu concordamos que o mesmo destino aguarda o Wal-Mart e, provavelmente mais à frente, a Amazon, a Apple, o Google, e quase todas as empresas que hoje ostentam sucesso.

Nesse gráfico podemos observar o declínio das ações da Kodak de 1997 a 2012, quando decretou falência. Fonte: The Plain Dealer
Nesse gráfico podemos observar o declínio das ações da Kodak de 1997 a 2012, quando decretou falência. Fonte: The Plain Dealer

Thomas conhece a história o suficiente para saber que os comércios monumentais de hoje – as empresas que hoje parecem ser destinadas a sobreviver para sempre, imbatíveis, abençoadas pelo toque de Midas – são os perdedores patéticos de amanhã. Essa é a natureza da competição de mercado. Pense na Pullman, Western Eletric, Woolworth’s, K-mart, Sears, Kodak, PanAm, RCA, e a General Foods – para nomear apenas algumas, e apenas empresas americanas que já foram gigantes2 . (Os investidores dessas empresas esqueceram de alguma maneira a receita milagrosa do “capital que cresce automaticamente e por si próprio” que aparece tão proeminentemente na obra de Thomas Piketty.)

De qualquer forma, Thomas e eu predizemos que chegará o dia em que esquerdistas lamentarão o fim do McDonald’s e do Wal-Mart. Meu filho e eu expressamos nosso espanto um ao outro diante do fato de que esquerdistas são previsivelmente nostálgicos por empresas que estão morrendo, e furiosamente hostis em relação a qualquer que seja a empresa que está crescendo e sendo mais lucrativa no momento.

Então, simultaneamente, nos ocorreu que esquerdistas – ao aplaudir e louvar apenas empresas que estão em declínio, enquanto desprezam e criticam empresas que estão no seu auge – aplaudem e louvam empresas que utilizam os recursos ineficientemente (que é a causa do seu declínio), e desprezam e criticam apenas empresas que utilizam os recursos eficientemente (que é a causa do seu sucesso).

Criticar o sucesso de empresas privadas em mercados competitivos é demonstrar falha na compreensão de que o alto lucro dessas empresas é reflexo de seu atípico sucesso em melhorar a vida de incontáveis fornecedores de insumos (incluindo trabalhadores) e consumidores. E tentar usar força governamental para impedir que empresas sejam levadas à falência pelas forças de mercado é tentar usar força governamental para permitir que empresas continuem a utilizar recursos ineficientemente – isso é, utilizar recursos de maneira que piore a vida de muitos fornecedores de insumos (incluindo trabalhadores) e consumidores.


Esse artigo foi originalmente publicado como My Son and I Are Inspired by McDonald’s to Discuss Economics para o Cafe Hayek.


Notas:

  1. Hard sciences, no original em inglês. Esse termo geralmente se refere a ciências naturais ou exatas, em contraponto a ciências humanas e sociais (como a economia, que o autor menciona logo a seguir). (N. do T.)
  2. No Brasil, poderíamos citar o Mappin, a Rede Manchete, a Varig, e o Unibanco, todos substituídos por empresas mais jovens. (N. do E.)

Sobre o Autor

Donald Boudreaux é professor de economia na George Mason University, membro sênior do Fraser Institute e colaborador no blog Café Hayek.

1 Comment

  1. o o negocio no brasil,não e bem assim ,no ramo de prestação de serviços engenharia ,instalações industriais as grandes e media usam a tatica de dar presentes ao diretor de compras de serviço do cliente que as contratou ,mediante o fechamento de contrato ,isso acontece na iniciativa privada,que as micro e pequenas fazem orçamentos competitivos ,com preços melhores ç,mais os envelopes de proposta ja esta marcado ,não vou citar nome da empresa estavamos concorrendo para instalar uma cervejaria no centro oeste,orçamento que praticamos e o preço justo,perdemos a concorrencia ,porque alegaram que o banco que aceitou receber as faturas dos serviços não dava a garantia de deposito de garantia de 5milhões,ate ai tudo bem ,passados alguns meses ,o vendedor de serviços da que ganhou ,conversou com o representante comercial que e nosso parceiro na prospecção de serviços ,sabe porque vcs ,perderam a concorrencia ,vcs não ofereçam vantagens ao comprador de serviços ,essa uma pratica que no brasil as grandes não descem o elevador ,so as pequenas que trabalham com preço competitivo e que tem etica nos negocios,não sobem para a faixa de cima ,so com muito trabalho ,qualidade ,inovação para vencer esta pratica perversa,que insiste em ficar nas empresas privadas ,que o cade não consegue tirar essas praticas de circulação,o virus que veio das empresas publicas.

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