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O socialismo sueco

por Jon Henschen

O mito de que a Suécia é um paraíso utópico onde todos os problemas sociais foram resolvidos e que você pode ter alto crescimento com altos impostos tem sido elogiado por Bernie Sanders, assim como os muitos millennials que o seguem.

A economia sueca

Os dias de glória para a Suécia ocorreram economicamente antes dos anos 60, quando ela tinha uma economia livre, pouca regulamentação e muita riqueza. Entre 1870 e 1950, a Suécia tinha o maior crescimento de renda per capita do mundo e se tornou um dos países mais ricos, atrás apenas da Suíça, dos EUA e da Dinamarca1.

Nos anos 60, a Suécia começou a redistribuir riqueza, o que interrompeu a criação de riqueza. Em meados dos anos 90, o país tinha crescentes problemas econômicos porque ele continuou a redistribuir riqueza que não estava criando. Foi neste momento que muitos dos ricos (incluindo os membros da banda ABBA) e empreendedores deixaram a Suécia. Em 1994, a Suécia começou a implementar as seguintes medidas desenhadas para reverter esta tendência:

  • Redução da regulamentação.
  • Redução dos gastos do governo.
  • Reforma de seus programas de bem-estar social.
  • Redução do seu Estado.

A Suécia continuou nesta trajetória pelos últimos 24 anos, o que lhe trouxe uma modesta taxa de crescimento, mas nem perto daquela dos níveis pré-60 devido ao fato de a tributação governamental permanecer alta.

Muitos veem a Suécia como socialista. No entanto, o país é de fato muito pró capitalismo, mas faz redistribuição através de impostos. A renda pessoal é tributada a uma taxa de 61,85%, mais uma taxa de 7% de seguridade social para os empregados. Além destes impostos, a Suécia também tem 25% de tributo sobre consumo. Por estes sacrifícios em liberdade financeira, isto é o que a Suécia oferece aos seus cidadãos em benefícios:

  • Previdência.
  • Saúde.
  • Seguro desemprego.
  • Educação até o nível de doutorado.
  • Creche para as crianças.
  • Permissões bastante generosas para se ausentar do trabalho, incluindo: cursos de até 6 meses, abertura da sua própria empresa com até 6 meses de folga, licença parental de até 16 meses com 80% de seu pagamento durante o período.
  • 16 feriados oficiais (10 destes feriados são cristãos, apesar de apenas 5% da população frequentar a igreja regularmente).

Saúde no reino da Suécia

Hospital na Suécia

Naturalmente, quase todos se aproveitam ao máximo destes benefícios. Johan Norberg, um autor e historiador, afirma que apesar de a Suécia ser um dos países mais saudáveis, ela tem também uma das taxas mais altas de licenças médicas da Europa, sem dúvidas em grande parte porque os suecos recebem 80% de seus salários enquanto estão em casa.

De onde vêm as tecnologias de saúde e os medicamentos? Quase todos são inventados e implementados nos Estados Unidos, em um mercado de tratamentos de saúde competitivo.

Norberg recomenda cautela, no entanto, para aqueles que implementariam um sistema de saúde “gratuito” similar ao programa sueco financiado por impostos.

Na Suécia, o governo tenta precificar os tratamentos de saúde próximos a zero, então a demanda é ilimitada. Entretanto, os recursos são limitados, resultando em racionamento nos tratamentos. Longas filas de espera são a norma. São várias as histórias de pessoas com uma doença como câncer de cérebro sendo avisadas de que terão que aguardar pelo tratamento até que tenham equipamentos e médicos prontos para elas.

Como os canadenses, muitos irão para outros países para se tratar a tempo. O economista Andreas Bergh explica que os suecos são saudáveis não por causa do sistema de saúde, mas sim porque eles comem comidas saudáveis e são fisicamente ativos.

Impostos e imigração

Um aspecto do sistema tributário sueco que não é bem conhecido é que apesar de os impostos serem altos sobre o trabalho, eles são relativamente baixos para as empresas (22%) e sobre o capital. Manter impostos baixos evita que as empresas e o capital migrem para outros países. As mudanças no governo em 1994 desregulamentaram tudo, desde táxis, serviços aéreos, estradas, eletricidade, telecomunicações, e até escolas.

O modelo de competição aberta para escolher as escolas na Suécia causaria um alvoroço nos sindicatos americanos de professores. Pais e alunos decidem que escolas eles querem frequentar e todas elas são pagas através de impostos. Empresas, cidades, instituições de caridade, religiões, qualquer um pode abrir uma escola, mas são os pais e alunos que decidem se vão frequentar. Quanto mais pessoas escolherem uma escola em particular, mais financiamento público esta escola receberá.

O lado fiscal da Suécia tem se tornado cada vez mais pró livre mercado, classificado em 15° lugar no mundo enquanto os EUA estão em 18°. Estas características capitalistas têm ajudado a manter o padrão de vida da Suécia, mas nuvens negras estão no horizonte. O país tem uma força de trabalho em envelhecimento juntamente com uma baixa taxa de natalidade (1,67 por cada mulher, bem abaixo das 2,1 necessárias para manter a população estável). Décadas sem grandes construções nas cidades resultaram na disparada de preços dos imóveis, enquanto os altos salários levaram muitos trabalhadores não qualificados, suecos e imigrantes, para fora do mercado de trabalho.

Estes desafios fiscais estão sendo exacerbados pela imigração.

A Suécia, que tem uma população similar à de Michigan2, trouxe mais de 163.000 asilados em 2015, e 28.939 em 2016 – mais em termos per capita do que qualquer outro país.

Quase um quinto de sua população (10,1 milhões) é composta de residentes nascidos no exterior (1,7 milhões), muitos deles fazem jus a receberem moradia gratuita e benefícios mensais em dinheiro. O principal problema com esta nova safra de imigrantes é que poucos são qualificados ou possuem conexões para entrar no rígido mercado de trabalho sueco.

Yaron Brook do Instituto Ayn Rand observa que debater os benefícios sociais que a Suécia oferece versus os programas de bem-estar social nos EUA é irrelevante porque ambos os modelos são insustentáveis e caminham para resultados semelhantes aos esquemas Ponzi, a menos que haja uma intervenção significativa nos gastos do governo. Como os EUA, a Suécia está vivendo um crescimento econômico medíocre e pouco progresso em comparação com os níveis anteriores à década de 60.

Valores e liberdade

Para Bernie Sanders e seus seguidores millennials, uma questão a ser perguntada é: “Vocês querem ser maduros e ter responsabilidade pessoal para administrar suas próprias vidas ou desistir de suas liberdades financeiras e serem cuidados como foi descrito em ‘A vida de Julia’ por Obama?” A narrativa foi uma apresentação de slides que mostrava Julia, uma personagem que era mãe solteira, dos 3 aos 67 anos, e que explicou como as políticas de Obama, do Head Start ao Obamacare, à cobertura obrigatória de contracepção, à reforma do Medicare, daria a Julia uma vida melhor.

A vida de Júlia

Um dos slides da apresentação “A vida de Julia”. Cada slide mostra uma fase de sua vida em que ela recebe auxílio governamental financiado coletivamente pelos trabalhadores. É interessante observar como esse tipo de propaganda política deixa claro o que a pessoa está recebendo, mas não menciona o quanto ela está pagando. (N. do E.)

Os valores americanos têm sido historicamente relacionados à autoconfiança, responsabilidade pessoal e liberdade. Mas a sociedade está mudando, e a estrutura do núcleo familiar que uma vez permitiu que os indivíduos crescessem e prosperassem estão cedendo.

Se esta tendência continuar, os americanos podem em breve se encontrar um sistema como o de Julia, um no qual o Estado cuida deles – do berço ao túmulo.


Este artigo foi originalmente publicado como Is Sweden Socialist? No, but… para o Intellectual Takeout.

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