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O socialismo e suas boas intenções

por Barry Brownstein

Você iria a um médico ou dentista que não acreditasse na teoria dos germes e usasse os mesmos instrumentos o dia inteiro sem esterilizá-los? O que você diria se, quando seus pacientes desenvolvessem infecções, o médico ou dentista insistisse que teve boas intenções e alegasse que o capitalismo, e não os germes, causa infecções?

Permitir que tal profissional mantenha sua licença seria uma loucura. No entanto, elegemos e apoiamos políticos que acreditam que algo diferente do socialismo provoca a atual crise humanitária na Venezuela.

Em seu relatório para o Wall Street Journal, “A Venezuela está morrendo de fome”, Juan Forero relata sobre a piora na tragédia:

Jean Pierre Planchart, um ano de idade, tem a cara desenhada de um homem velho e um choro que é pouco mais do que um gemido. Suas costelas aparecem através de sua pele. Ele pesa apenas 5 quilos.

Sua mãe, Maria Planchart, tentou alimentá-lo com o que podia encontrar vasculhando o lixo – restos de frango ou batata. Ela finalmente o levou para um hospital em Caracas, onde ela reza para que uma mistura de leite com arroz mantenha seu filho vivo.

‘Eu o vi dormir e dormir, ficando mais fraco, o tempo todo perdendo peso’, disse a Sra. Planchart, 34 anos de idade. ‘Eu nunca pensei que veria a Venezuela assim.’

Caracas, Venezuela nos anos 60 ou 70.

A Venezuela “já foi a nação mais rica da América Latina, produzindo alimentos para exportação. A Venezuela agora não consegue crescer o suficiente para alimentar seu próprio povo em uma economia prejudicada pela nacionalização de fazendas privadas e pelos controles de preço e moeda.”

Em 2010, muitos na Venezuela já estavam passando fome, enquanto 120 mil toneladas de comida apodreciam no porto de Puerto Cabello, administrado pelo governo. Esse foi um ameaçador aviso do que estava por vir. Os apoiadores ocidentais de Chávez aparentemente não deram atenção ou não se importaram. Thor Halvorssen, presidente da Human Rights Foundation, se atentou e escreveu: “Não é surpresa, portanto, que a política agrícola da Venezuela tenha como modelo a de outro país com escassez crônica de alimentos – a Cuba comunista”.

Vernon L. Smith é um ganhador do prêmio Nobel de economia. Recentemente, ele fez essas observações informalmente no Facebook sobre o relatório de Forero:

O governo da Venezuela, em nome do povo, e em benefício do povo, apoderou-se das grandes empresas petrolíferas do mal, pensando que qualquer um que estivesse na rua poderia administrar um negócio. Eles começaram a redistribuir riqueza para os pobres, tornaram a eletricidade gratuita e foram elogiados por alguns (bom, pelo menos um) economistas americanos vencedores do prêmio Nobel por reduzir a desigualdade.

Este país pequeno e incrivelmente rico em petróleo agora não consegue se alimentar sozinho. Os mercados, cujos preços coordenam e incentivam a criação de riqueza, não conseguem operar. Os agricultores não conseguem comprar sementes ou fertilizantes, as importações de alimentos caíram 70% e as pessoas não conseguem encontrar comida suficiente nas latas de lixo. O funcionamento invisível da complexa economia da abundância – que, é claro, não pode assegurar que todos serão produtivos o suficiente para compartilhar de sua abundância – entrou em colapso total.

Vernon Smith

Smith continua com estas palavras assombrosas: “REVERTA todas essas políticas, e seus efeitos seriam imediatamente revertidos e a abundância restaurada com facilidade e tão rapidamente quanto desapareceu.” Deixe as palavras de Smith fazerem cair a ficha – o sofrimento humano terminaria quase que imediatamente assim que a liberdade fosse restaurada para a Venezuela.

Dado que a tragédia venezuelana é de criação humana, é difícil entender por que políticos como Jeremy Corbyn (que talvez seja o próximo primeiro-ministro do Reino Unido1) e Bernie Sanders, que prestou socorro ao regime de Hugo Chávez, não são esquecidos da política em meio a chacotas. Corbyn também apoiou o sucessor de Chávez, Nicolás Maduro. Maduro apoiou Sanders em 2016, chamando-o de “amigo revolucionário”.

Em 2011, ignorando as faltas de alimentos, Bernie Sanders disse: “Atualmente, o sonho americano é mais fácil de ser realizado na América do Sul, em lugares como Equador, Venezuela e Argentina…”

Em 2013, Jeremy Corbyn disse: “Saudamos Chávez e o povo da Venezuela por mover os ponteiros por todo o círculo do relógio da história. […] Estou ansioso para o desenvolvimento da Venezuela, para a eficiência da Venezuela, na prestação de bons serviços e decência para todas as pessoas desse país.”

Quando Hugo Chávez, pai do pesadelo venezuelano, faleceu em 2013, o presidente Carter elogiou as boas intenções de Chávez dizendo: “Embora não tenhamos concordado com todos os métodos seguidos por seu governo, nunca duvidamos do compromisso de Hugo Chávez em melhorar as vidas de milhões de seus compatriotas.”

Hitler, Mao, Stalin, Pol Pot e todos os outros déspotas e assassinos em massa também alegaram terem tido boas intenções. Quanto valem boas intenções? Milton Friedman é famoso por ter escrito: “O poder concentrado não se torna inofensivo pelas boas intenções daqueles que o criam.”

Família durante o Holodomor, fome generalizada promovida pelos soviéticos em parte de seu território nos anos 1932-33, possivelmente para enfraquecer um movimento de independência.

A fome generalizada é uma característica inerente às economias estatais: a Coreia do Norte de hoje, a China sob Mao e a Rússia sob Stalin são apenas alguns exemplos. Acreditar que os planejadores centrais possam coordenar e ajustar nossas atividades individuais é ilusório.

No entanto, muitos compartilham da ilusão de que o planejamento central é possível. Uma pesquisa da Fundação em Memória às Vítimas do Comunismo revelou que “seis de cada dez norte-americanos entrevistados não conheciam o ditador socialista da Venezuela, Nicolás Maduro, nem a crise econômica e os abusos aos direitos humanos que ocorreram sob seu governo.” Com esse nível de ignorância, não é de admirar que “mais millennials prefiram viver em um país socialista (44%) do que em um capitalista (42%).”

Em seu livro “Erros foram cometidos (mas não por mim)”, os famosos psicólogos Carol Tavris e Elliot Aronson escrevem:

A frase ‘erros foram cometidos’ é um esforço tão gritante para absolver-se de culpabilidade que se tornou uma piada nacional – o que o jornalista político Bill Schneider chamou de ‘pretérito eximitivo’. ‘Oh, tudo bem, erros foram cometidos, mas não por mim, por outra pessoa, alguém que cujo nome não será dito.’

Quando a história dessa tragédia na Venezuela for escrita, a responsabilidade será atribuída. No entanto, poucos vão olhar para as falhas inerentes ao socialismo. Os verdadeiros seguidores não darão um passo em falso; eles continuarão a insistir que não há falhas inerentes ao socialismo. Os verdadeiros seguidores dirão que “erros foram cometidos, mas não por mim.” Então, eles farão uma promessa de que esses erros não serão cometidos novamente. E então, erros serão cometidos novamente. Esse padrão será repetido até que mais pessoas acreditem que o socialismo causa sofrimento humano e a cura é a liberdade pessoal e econômica.


Artigo originalmente publicado como The People of Venezuela Are Starving. Why Did Bernie Sanders and Jeremy Corbyn Support Their Oppressors? para o Intellectual Takeout.


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