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Eu costumo assistir ao programa de John Oliver Last Week Tonight porque é engraçado e informativo ao mesmo tempo. Seu último episódio sobre consolidação corporativa não foi, infelizmente, um dos melhores.

Neste episódio, Oliver fala sobre como certos setores estão sendo dominados por um punhado de empresas e como isso é ruim para os consumidores. Ele se concentra particularmente nas empresas aéreas e de telecomunicações. Até aí, tudo bem.

Todos concordam que a falta de concorrência no mercado é ruim. Oliver então culpa a falta de regulamentação e exige a aplicação mais agressiva das leis antitruste.

Capitalismo, não estou certo?

Isso me lembrou uma das minhas citações prediletas de Mises:

Em regra, o capitalismo é culpado pelos efeitos indesejáveis ​​de uma política direcionada à sua eliminação. O homem que toma seu café da manhã não diz: “O capitalismo trouxe essa bebida para minha mesa do café da manhã.” Mas quando ele lê nos jornais que o governo do Brasil ordenou que uma parte da colheita do café fosse destruída, ele não diz: “Aí está o Estado.” Ele exclama: “Aí está o capitalismo.”

Corolário: a regulamentação governamental leva a pedidos de mais regulamentação governamental para corrigir os problemas criados pela regulamentação anterior.

Mises escreveu este excelente parágrafo no prefácio de seu livro brilhante e perspicaz Intervencionismo: uma análise econômica, que eu recomendo a todos.

O episódio de Oliver sobre consolidação corporativa é um exemplo disso. Ele toma um problema criado pelo governo, ou seja, o oligopólio, e exige um maior controle governamental para corrigi-lo.

Oligopólios causados ​​pelo governo

Vamos tomar o caso das companhias aéreas. Por que existem apenas quatro grandes companhias aéreas nos EUA? Robert W. Poole Jr, da Fundação Reason, escreveu em 2000 que o principal obstáculo para a concorrência é a dificuldade em obter portões nos aeroportos.

Grandes companhias aéreas assinam arrendamentos de longo prazo com as autoridades aeroportuárias, o que lhes dá acesso exclusivo aos portões nos terminais do aeroporto, barrando a concorrência de novos operadores. Também dá às companhias aéreas monopólios sobre determinadas rotas.

Isso, demonstra Poole, porque os aeroportos são de propriedade do Estado e, portanto, são avessos ao risco. Um contrato de longo prazo lhes dá um fluxo de receita constante.

Ele compara com a Europa, onde os aeroportos são administrados pela iniciativa privada. Uma vez que esses aeroportos são empresas com fins lucrativos, eles arrendam os portões por hora às companhias aéreas individuais, preservando assim a concorrência no mercado.

Mais recentemente, em 2016 David R. Henderson defendeu a fusão da American Airlines e da US Airways usando argumentos semelhantes, dizendo que a principal restrição eram os portões, e não o número de companhias aéreas. Ele também apontou que, na Europa, as companhias aéreas estrangeiras podiam fornecer voos domésticos, ao contrário dos EUA.

Se uma fossa socialista como a Europa1 tem mais companhias aéreas, além de melhores e mais baratas, claramente a falta de regulamentação não é o problema.

Isso não é apenas restrito às companhias aéreas. Todo monopólio ou oligopólio que tenha resistido durante um longo período de tempo foi auxiliado por regulamentos governamentais e subsídios. Por exemplo, há o setor de telecomunicações, onde o governo apoia monopólios para empresas como a AT&T. O mercado de seguros de saúde nos EUA não tem concorrência porque as seguradoras foram, até muito recentemente, impedidas de competir além de seus estados.

É profundamente preocupante então que as pessoas culpem o livre-mercado por problemas criados pelo Estado. Ao escrever isso na véspera do aniversário de Mises2, sinto que há uma necessidade cada vez maior de destacar os males das intervenções estatais; para direcionar a raiva das pessoas à verdadeira fonte de problemas. Durante esses momentos, mentes brilhantes como a de Mises farão muita falta.


Esse artigo foi originalmente publicado como What John Oliver Could Learn from Mises para a Foundation for Economic Education.


Notas:

  1. Os Estados europeus intervêm muito mais pesadamente em suas economias do que o Estado norte-americano, caracterizando um regime mais próximo do socialismo. Deve-se notar que os EUA têm diminuído essa diferença nas últimas décadas. (N. do E.)
  2. Esse artigo foi originalmente escrito no dia 2 de outubro de 2017. (N. do E.)

Sobre o Autor

Jairaj Devadiga é um economista que ilustra a importância dos direitos de propriedade através de alguns interessantes exemplos do mundo real. Ele usa princípios econômicos para encontrar soluções para os males dos nossos tempos. Quando ele não está pesquisando, ele gosta de ler sobre medicina, astronomia, computação, direito, entre outros.

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