Início História econômica O notável progresso econômico da humanidade

O notável progresso econômico da humanidade

por Marian L. Tupy

Mais cedo esse ano1, o Centro Groningen de Desenvolvimento e Crescimento – CGDC lançou uma nova edição do banco de dados do Projeto Maddison, que fornece informações sobre crescimento global e níveis de renda no curso de longos períodos.

A versão de 2018 dos dados abrange 169 países até o ano de 2016. Algumas informações, que tratam de partes da Europa e do Oriente Médio, remontam à época de Cristo. Ela fornece uma visão impressionante da luta da humanidade para gerar e sustentar o rápido crescimento econômico, até que os séculos recentes inauguraram a atual era da abundância.

Os números foram compilados pela primeira vez pelo falecido professor de economia da Universidade de Groningen, Angus Maddison. Em 1995, ele publicou estimativas do PIB para 56 países desde 1820. Em 2001, ele estendeu suas estimativas para o início da era cristã. Para alguns, os números de Maddison “não são mais do que palpites qualificados”. Para outros, são “ficções, tão reais quanto as relíquias espalhadas pela Europa na Idade Média.” Mas a pesquisa de Maddison serviu a um propósito importante. Ao questionar seus números, The Economist previu que futuros “acadêmicos seriam estimulados a fazerem suas próprias estimativas.” E assim foi.

O projeto Maddison

O Projeto Maddison começou em março de 2010, quando um grupo de colegas de Maddison decidiu continuar o trabalho do britânico na mensuração do desempenho econômico de diferentes regiões e períodos de tempo. A última edição dos dados do PIB levou cinco anos para ser feita e, embora os números tenham mudado, as linhas de tendência de crescimento econômico permaneceram as mesmas.

Como nas edições anteriores dos dados, a história econômica humana se parece com um taco de hóquei. Por milhares de anos, o crescimento econômico foi insignificante (assemelhando-se ao cabo do taco de hóquei). No final do século XVIII, no entanto, o crescimento econômico e, consequentemente, o padrão de vida, começou a acelerar na Grã-Bretanha e depois no resto do mundo (parecendo a ponta virada para cima).

Que os primeiros dados devessem estar mais prontamente disponíveis para as regiões constituintes do Império Romano e da Mesopotâmia não é surpreendente, uma vez que a evidência documental e arqueológica dessas duas regiões é abundante. De acordo com os pesquisadores do CGDC, a renda anual real (ou corrigida pela inflação) por pessoa na época de Otaviano (63 a.C. a 14 d.C.) variou de US$ 1.546 na Itália a US$ 973 na Espanha. Isso equivale a entre US$ 4,20 e US$ 2,70 por pessoa por dia.

É uma prova do desequilíbrio do desenvolvimento econômico que, mais de dois milênios mais tarde, alguns países ainda estejam presos a esses (e ainda mais baixos) níveis. Em 2016, o PIB per capita no Burundi, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Libéria, Malaui e Níger foi de US$ 692, US$ 619, US$ 836, US$ 764, US$ 950 e US$ 906, respectivamente.

Esses países são casos isolados, é claro. Na maior parte do mundo, o PIB per capita aumentou dramaticamente, especialmente nos dois últimos séculos. Para se ter uma ideia de quão recente e sem precedentes é a era da abundância, considere a França. Em 1 d.C., o PIB per capita na província romana da Gália era de US$ 1.050 – e é aí que permanece pelos próximos treze séculos. Durante a primeira metade do século XIV, no entanto, a renda francesa aumentou cerca de 50%, atingindo um pico de US$ 1.553 em 1355. Por quê?

O final do período de calor medieval no final do século XIII levou a um clima mais frio e maior precipitação. As colheitas encolheram e a fome proliferou. Para piorar as coisas, a peste negra (1347-1351) varreu entre 75% e 80% dos franceses que sobreviveram à mudança climática. Curiosamente, as duas catástrofes tiveram um efeito salutar nos desenvolvimentos econômicos e institucionais da Europa Ocidental. A abundância de terras e ferramentas agrícolas parece ter aumentado a produtividade dos camponeses sobreviventes, enquanto a escassez de mão-de-obra encorajava as classes mais baixas a exigir melhor tratamento de seus senhores feudais. Como consequência, a servidão desapareceu gradualmente da região, embora persistisse na Europa Oriental onde a peste negra foi, devido à menor densidade populacional, muito menos mortífera.

À medida que a população da Europa Ocidental se recuperava, a renda ora se expandia e ora contraía: nem caía para seus níveis anteriores à praga, nem aumentava acima do máximo de meados do século XIV. Assim, já em 1831, o PIB médio per capita na França era de apenas US$ 1.534. Colocado de outra forma, nos 18 séculos que separaram os reinados do primeiro imperador romano e do último rei francês (Luís Filipe I), a renda aumentou em insignificantes 50%. A Revolução Industrial, uma importação britânica, mudou consideravelmente a sorte francesa. Entre 1831 e 1881, a renda aumentou em 100% (para US$ 3.067). Em outras palavras, em 50 anos a França dobrou o progresso econômico verificado nos 1.800 anos anteriores. Em 2016, o PIB francês per capita situou-se em US$ 38.758, o que significa que um francês moderno está aproximadamente 24 vezes mais próspero (em termos reais) do que seu ancestral há 200 anos. Uma transformação notável.

A França, claro, não está sozinha. O mesmo aconteceu em todo o Ocidente. Um ano antes da declaração de independência, o PIB americano per capita ficou em US$ 1.883. Quando Barack Obama deixou o cargo, era de US$ 53.015 – um aumento de 27 vezes.

Abundância ao redor do globo

Hoje, a abundância não está mais restrita ao Ocidente. Conforme os países anteriormente subdesenvolvidos abraçaram a industrialização e o comércio, eles prosperaram. Em 1978, quando a China começou a reformar sua economia comunista falida, seu PIB per capita ficou em US$ 1.583 (o mesmo nível da França no início da década de 1830). Em 2016, havia subido para US$ 12.320 (o nível francês em 1964).

Para colocar esse progresso em perspectiva, a China cresceu tanto em 38 anos quanto a França em 130 anos. Isso também é digno de nota, pois demonstra que os países não precisam reinventar a roda. Eles só precisam das políticas certas. E eles têm a vantagem de adotar ideias e tecnologias que levaram aos países avançados milênios para desenvolver e saltarem da extrema pobreza para a era da abundância dentro de algumas gerações.


Esse artigo foi originalmente publicado como Humanity’s remarkable economic history para o CapX.

Veja também

Deixe um comentário