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Na África, as mulheres têm sido prejudicadas por uma falta de independência social e financeira, especialmente nas regiões mais pobres. As culturas locais impuseram-nas uma dependência em relação aos homens, muitas vezes forçando famílias pobres a viver de uma única renda. As perspectivas financeiras e profissionais das mulheres são muitas vezes sombrias.

O sistema patriarcal que existe na maioria das áreas do continente africano submete as mulheres ao abuso doméstico e aos maus tratos. Além disso, muitos costumes e tradições considerados sagrados nas culturas locais, tais como o casamento infantil, a mutilação genital feminina e os assassinatos de honra, prejudicam as liberdades das mulheres, sejam elas sociais ou mesmo físicas.

Umoja, uma aldeia só de mulheres no Quênia

Em algumas culturas, especialmente no norte da África, casos de violação às mulheres ainda são resolvidos exigindo que o agressor se case com a vítima. Outras vezes, as mulheres são forçadas a sair de suas casas para viver separadamente de suas famílias e comunidades. As leis mantidas nesses lugares não garantem que maridos violentamente abusivos sejam levados à justiça. As leis em tais países continuam a ver as mulheres como culpadas, não as protegendo de homens abusivos, dentro e fora da casa. Este raciocínio se resume a tornar as mulheres uma propriedade do homem uma vez casadas.

Agora, porém, uma pequena vila queniana tem perturbado essa mentalidade há quase três décadas.

Depois de sofrer abusos contínuos nas mãos de seu marido, em 1990 Rebeca Lolosoli formou uma aldeia “exclusiva para mulheres” chamada Umoja, na região de Samburu, no Quênia. Ela queria criar um refúgio seguro para mulheres que sofreram abusos e que buscam a liberdade da sociedade tóxica e injusta de onde todas vieram.

Em Umoja, todas as casas e edifícios — mesmo a escola — foram construídos do zero com recursos naturais pelas habitantes locais, todas mulheres. Os homens são proibidos de morar lá.

Mudança influenciada pelo empreendedorismo

Umoja sobreviveu durante todo este tempo, em grande parte, graças à mentalidade empreendedora. Sendo uma aldeia apenas para mulheres, um de seus maiores desafios era gerar receita em uma cultura que as desestimulava de trabalhar. Quando a aldeia começou, as mulheres ganhavam dinheiro vendendo joias artesanais pela estrada principal perto de Umoja. Mais tarde, elas foram forçadas a sair das estradas por homens descontentes da redondeza, que frequentemente atacavam e roubavam aquelas que estavam vendendo seus produtos.

A aldeia ganhou cada vez mais atenção graças à singularidade de sua mini-sociedade. Em uma reviravolta muito típica do empreendedorismo, elas usaram essa atenção para redirecionar o tráfego da estrada principal para passar por sua aldeia, onde elas agora fazem todos os seus negócios. Os grupos constantes de turistas que visitam Umoja criaram um fluxo confiável de receitas para a aldeia. Graças ao turismo e à sua existência como uma sociedade auto-sustentável e feminina, as aldeãs de Umoja têm estabilidade financeira, liberdade do patriarcado cultural e verdadeira independência.

Em relação ao futuro

Em relação à segurança, recursos como o sistema online de bancos do Quênia, o M-PESA, ajudam a reduzir o custo da custódia de dinheiro no caso de saqueadores e ladrões. O M-PESA criou uma facilidade de troca para as mulheres de Umoja, bem como um nível adicional de segurança quando se trata de dinheiro. Com a disponibilidade de dinheiro móvel, mesmo em aldeias remotas como Umoja, as transações com clientes raramente exigem troca de dinheiro de mão a mão. Os turistas podem fazer pagamentos de joias e lembranças diretamente de seus celulares. Todos os resultados permanecem armazenados com segurança remotamente em uma conta virtual para o uso do vendedor.

Além de serem totalmente capazes de construir sua própria infraestrutura, administrarem suas próprias escolas, garantirem um abastecimento constante de água e cultivarem seus próprios alimentos, essas mulheres tomaram questões de segurança com suas próprias mãos. Normalmente, a aplicação da lei é considerada um bem público na sociedade moderna; no entanto, existem casos como esse, onde a esfera pública não fornece suficientemente esses bens. Neste caso, a aplicação da lei em comunidades como o Umoja e as aldeias vizinhas perpetua um viés que é contra o bem-estar das mulheres. Por conta disso, as mulheres não são capazes de confiar em agentes estatais de justiça e segurança. As moradoras da vila de Umoja, por essa razão, buscaram sua própria agência de proteção: elas mesmas. Elas operam em um sistema de rotação para garantir a segurança, bem como a lei e a ordem.

Por quase 30 anos, essas mulheres se sustentaram com sucesso em sua pequena aldeia. Estou certa de que continuarão a fazê-lo com cooperação e espírito empreendedor.


Esse artigo foi originalmente publicado como Private Enterprise Is Securing Freedom for Women in Kenya para o Foundation for Economic Education.


Sobre o Autor

Rahimat Emozozo é estudante de pós-graduação em economia no Centro Johnson de Economia Política da Universidade de Troy. Ela é bacharel em Política, Economia e Direito pela Universidade Estadual de Nova York em Old Westbury. Suas áreas de interesse incluem Economia Política e Desenvolvimento de Economias Emergentes.

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