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O efeito do salário mínimo nos benefícios trabalhistas

por Art Carden

Um recente relatório do Escritório Nacional de Pesquisas Econômicas dos economistas Jeffrey Clemens, Lisa B. Kahn e Jonathan Meer deveria nos fazer parar e questionar a sabedoria de salários mínimos mais altos. Os economistas exploram como os salários mínimos afetam a probabilidade de ser oferecida cobertura de saúde pelo empregador, e descobrem que uma parte do aumento dos ganhos para os trabalhadores que recebem salários mais altos será compensada por uma redução na cobertura de saúde fornecida pelo empregador.

Há muitas formas de o salário mínimo prejudicar as pessoas que se espera que ele ajudasse. Ao elevar o preço de algo em um mercado competitivo, as pessoas demandarão menos dele. E embora haja evidências para os dois lados, parece ser mesmo o caso dos salários mínimos reduzirem o nível de emprego.

Nas versões mais simples do mercado de trabalho, assumimos que os trabalhadores trabalham por uma coisa e uma coisa apenas: os salários. Sabemos que isso não é estritamente verdadeiro, mas é uma boa aproximação que nos traz algumas informações importantes sobre como os mercados de trabalho funcionam.

Claro, há muito mais em um emprego do que o salário. As pessoas querem um trabalho que lhes faça sentido ou que lhes seja agradável. Elas podem dar muito valor à segurança, ao conforto ou à flexibilidade. As pessoas também podem receber muitos benefícios não salariais, como planos de saúde, oportunidades de bolsas de estudo, e férias pagas. Os trabalhadores podem (e o fazem) “comprar” esses benefícios aceitando salários mais baixos do que exigiriam se o trabalho não fosse tão agradável, com sentido ou seguro, ou se os benefícios adicionais não fossem tão bons.

Em suma, os trabalhadores não vivem apenas de salários, e os salários mínimos podem não mudar o que os trabalhadores recebem, mas sim como são pagos. Os salários mínimos exigem que os salários em dinheiro consumam uma parte maior da remuneração dos empregados.

Salários obrigatórios mais altos não serão um almoço grátis. Considere alguém que ganha US$ 12 por hora como remuneração total1, mas apenas US$ 8 por hora em salário (o restante é composto por coisas como plano de saúde, prazer no trabalho, segurança no local de trabalho, flexibilidade e assim por diante). Um salário mínimo de US$ 10 por hora não lhe custa o emprego, mas muda a forma como ele é remunerado: em vez de US$ 8 em dinheiro e US$ 4 em benefícios, ele receberia US$ 10 em dinheiro e US$ 2 em benefícios.

O efeito não aparece em menos horas trabalhadas ou na perda do emprego, mas ele está em pior condição. Isso também ocorre no sentido contrário: se ele é obrigado a ter parte de sua remuneração em seguro saúde, ele receberá um salário mais baixo ou um ajuste em alguma outra coisa.

Clemens, Kahn e Meer são limitados pelos dados disponíveis, então eles não podem medir tudo de forma abrangente. Eles estreitam seu foco à relação entre salários mínimos e cobertura de saúde fornecida pelo empregador e descobrem que para trabalhadores de salário muito baixo (exemplo: serviço de alimentação), cerca de 9% do aumento nos rendimentos devido a um aumento de US$ 1 por hora no salário mínimo são compensados pela menor probabilidade de cobertura de saúde fornecida pelo empregador. Para trabalhadores com salários baixos (exemplo: vendas no varejo), são 16%. Para os trabalhadores de salários modestos (balconistas e supervisores do serviço de alimentação), são 57% – o que não é surpreendente, uma vez que os trabalhadores com salários mais altos recebem um empurrão menor quando o salário mínimo sobe.

Henry Hazlitt, autor de “Economia numa única lição”, escreveu que:

A arte da economia está em considerar não só os efeitos imediatos de qualquer ato ou política, mas também os mais remotos; está em descobrir as consequências dessa política, não somente para um único grupo, mas para todos eles.

No caso do salário mínimo, a arte da economia também consiste em identificar todos os efeitos importantes, e não apenas aqueles que são mais politicamente salientes. Nesse caso, faríamos bem em tentar medir todos os efeitos importantes em termos de cobertura de seguro, qualidade do emprego, benefícios extras, flexibilidade de horários e assim por diante, antes de decidirmos que é sensato “#LutarPor15”2.


Artigo originalmente publicado como Minimum Wages Might Mean Fewer Benefits, So Let's Not #Fightfor15 para a Forbes.


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