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O diferencial salarial invertido no Google

por Tyler Curtis

Uma das grandes vantagens sobre concordar com a opinião predominante é que você nunca precisa examiná-la com muita atenção. Isso é particularmente verdadeiro em relação a questões de “identidade”, como o gênero. Quase como um axioma lógico, a ideia de que as mulheres são ativamente discriminadas no mercado de trabalho é muitas vezes tomada como algo dado. Muitos simplesmente aceitam que as mulheres recebam menos do que um homem por fazer o mesmo trabalho. Afinal, é algo que todo mundo sabe.

O chocante diferencial salarial invertido no Google

É por isso que o anúncio recente do Google de que estava pagando menos aos homens do que às mulheres foi um choque para alguns. A revelação veio depois de um estudo interno, que concluiu que engenheiros de software do sexo masculino em empregos de um certo código – mais de 10.000 funcionários – estavam recebendo menos do que suas colegas mulheres porque os homens “recebiam menos fundos discricionários do que elas.” Como a National Public Radio observou, os resultados põem de cabeça para baixo “a típica narrativa de diferenças salariais entre homens e mulheres.”

As respostas à análise do Google foram invariavelmente céticas. O site de tecnologia WIRED publicou esta manchete: “Os homens no Google recebem menos que as mulheres? Na verdade, não”. Resolvidamente rejeitando o relatório do Google, a autora do artigo Nitasha Tiku não apresentou qualquer prova tangível de que ele fosse impreciso. Em vez disso, Tiku questionou o momento em que o relatório foi feito, apontando que a empresa está atualmente enfrentando um processo por discriminação de gênero.

Bryce Covert, do New York Times, também se esquivou dos resultados do relatório, escrevendo: “É difícil saber com certeza o que está acontecendo em relação à diferença salarial do Google, porque a empresa não quer divulgar publicamente todos os seus dados.” A falta de dados publicamente disponíveis, contudo, não impediu Covert de acusar a gigante da tecnologia de discriminar sistematicamente as mulheres. Citando um funcionário do Departamento de Trabalho1 de 2016, Covert afirmou que a desigualdade de gênero no Google poderia ser “bastante extrema”, apesar do fato de os dados deste departamento também não terem sido divulgados ao público e, portanto, não podem ser analisados.

De qualquer forma, há poucas razões para suspeitar que o governo poderia ter as informações necessárias para chegar a uma conclusão tão ousada sobre as práticas trabalhistas do Google. Como Rachel Greszler, da Heritage Foundation, aponta, os investigadores do Departamento do Trabalho não estão em posição de julgar os fatores intangíveis que tornam o trabalho de um funcionário diferente do de outro, mesmo que no papel os empregados façam o “mesmo” trabalho. “Nos dias de hoje,” escreve Greszler, “com horários de trabalho mais flexíveis, funções de trabalho altamente diversificadas (mesmo que dentro de um determinado título) e amplos pacotes de remuneração, muito poucos empregos são realmente idênticos.”

A narrativa sobrevive, apesar das evidências contrárias

Homens e mulheres trabalhando juntos

No entanto, para alguns, a crença de que as mulheres em nossa sociedade são injustamente pagas menos do que os homens é virtualmente inquestionável. É a narrativa pela qual todos os fatos, mesmo aqueles que a contradizem, devem ser interpretados. Assim, Covert pode afirmar que o Google deve estar pagando injustamente aos homens mais do que às mulheres porque “as mulheres americanas que trabalham em período integral o ano todo ganham 20% menos que os homens.”

O problema é que essa afirmação foi desmascarada tantas vezes que é surpreendente vê-la ainda ser papagaiada. Embora as mulheres, em média, realmente recebam 80% do que o homem comum recebe, quase certamente não é devido à discriminação. As razões para a disparidade são inúmeras: os homens têm mais diplomas universitários exigidos pelo mercado, trabalham mais horas, fazem trabalhos mais perigosos e geralmente têm mais experiência de trabalho. Quando ajustada para essas e outras variáveis, a diferença salarial entre homens e mulheres cai para cerca de 3 a 5%.

Em última análise, no entanto, ainda é possível que empresas como o Google discriminem determinadas mulheres durante determinadas decisões de contratação e, ao mesmo tempo, paguem menos a alguns de seus funcionários do sexo masculino.

Reconhecer isso não serviria de forma alguma para minimizar as legítimas preocupações que algumas pessoas têm sobre equidade de gênero no setor de tecnologia. Minaria, no entanto, a narrativa de que apenas as mulheres, e nunca os homens, são impactadas de maneira desigual em nossa sociedade. Precisamos examinar os fatos em seus próprios termos, em vez de interpretar através das lentes de pressupostos infundados sobre a injustiça econômica.


Artigo originalmente publicado como On the Gender Pay Gap, Narrative Is Trumping Facts para a Foundation for Economic Education.


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