As duas vezes que visitei o Brasil, tive a impressão que este era um país que anseia em ser livre. Sua cultura é tão rica e variada, seu povo é tão numeroso, seus hábitos e costumes são tão imbuídos de tradição e gestos informais, sua comida é tão espetacular, me pareceu um país em que seria impossível comandar do centro.

Suas cidades foram construídas por tantas gerações, milhões de mentes, uma coordenação incrível de planos diversos através do tempo e do espaço, que me pareceu um lugar intrinsecamente resistente ao planejamento central. Presidentes poderiam desfilar e se vangloriar, ditadores poderiam berrar e gritar, alguns setores poderiam ser nacionalizados à força, impostos poderiam subir e subir, mas o controle absoluto seria sempre ilusório.

O socialismo certamente não poderia durar.

E de fato, não está durando. Todas as notícias locais sugerem um momento revolucionário, mas aqui está a chave. Em muitos desses casos, quando um regime é amplamente considerado corrupto e explorador, existe uma tendência do público em ser golpeado à direita e à esquerda. Vamos pilhar os ricos! Precisamos de alguém com mão de ferro! Estas são as reações comuns de um público furioso.

Mas no Brasil, isso é diferente hoje. Imagine: manifestações em massa contra o Estado que estão realmente guiadas pela racionalidade econômica. Os cartazes são por direitos de propriedade, livre-comércio e privatizações. Isto é incrível. De forma muito rara, um movimento popular parece estar ao lado da verdadeira, autêntica, poderosa, completa e sincera liberdade – para toda a sociedade.

O futuro não é certo, mas a trajetória é impressionante.

Fabio Ostermann palestrando no 30º Fórum da Liberdade .

E o que fez a diferença? O que faz este movimento em massa tão distinto de quase todos os demais ao longo da história? Uma palavra: educação. O Brasil tem um gigantesco movimento pelo livre-mercado. Eles organizam conferências . Eles publicam livros . Eles dão entrevistas . Eles fazem blogs e podcasts . Eles têm encontros frequentes . E o que você encontra quando observa esse movimento não é um grupo sombrio, abatido de reacionários ranzinzas, mas um intenso, entusiasmado, e visionário movimento cultural que abraça o verdadeiro progresso como um ideal.

O vídeo produzido pela Reason mostra os detalhes, e destaca particularmente o Students For Liberty – Brasil (com os quais eu falo sempre que possível) e o Instituto Mises Brasil (que frequentemente traduz meus artigos ).

Não há razão por que esta experiência não possa ser replicada em muitos países. Eu me lembro que uma vez um brasileiro me disse que os americanos têm muito mais sorte do que eles porque nós temos este legado que inclui uma revolução libertária, nossa declaração de independência , e fundadores que foram educados na tradição liberal.

Talvez, mas a liberdade é um ideal universal que se deriva da realidade ao nosso redor. Ela está apenas aguardando ser reverenciada e praticada.


Esse artigo foi originalmente publicado como Brazil Wants To Be Free para o Foundation for Economic Education .

Sobre o Autor

Jeffrey Tucker é o diretor de conteúdo da Foundation for Economic Education e diretor jurídico da startup Liberty.me. Autor de cinco livros e vários milhares de artigos, ele palestra nos seminários de verão da FEE e outros eventos. O seu último livro é Bit a Bit: Como o P2P Está Libertando o Mundo. Siga no twitter e curta no Facebook. Email.

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