Início Comércio internacional NAFTA 2.0: livre comércio ou planejamento central?

NAFTA 2.0: livre comércio ou planejamento central?

por Ron Paul

Na semana passada1, Estados Unidos, México e Canadá concordaram em substituir o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA, na sigla em inglês) por um novo Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês). Infelizmente, em vez de substituir o comércio gerenciado do NAFTA por um verdadeiro livre comércio, o novo USMCA expande o controle estatal sobre o comércio.

Por exemplo, de acordo com as “regras de origem”2 do USMCA, pelo menos 75% das peças de um carro devem ser dos EUA, Canadá ou México para evitar tarifas. Isso é protecionismo desenhado para aumentar os preços de carros usando materiais de fora da América do Norte.

O USMCA também exige que 40% a 45% do conteúdo de um automóvel seja feito por trabalhadores que ganham pelo menos 16 dólares por hora. Como todos os salários estabelecidos pelo governo, essa exigência aumentará os preços e diminuirá o emprego.

O USMCA também exige que o México promulgue legislação que reconheça o “direito de negociação coletiva”. Em outras palavras, esse chamado acordo de livre comércio obriga o México a importar sindicalismo compulsório ao estilo dos EUA. Se o congresso mexicano não cumprir, os EUA e o Canadá imporão tarifas aos produtos mexicanos.

O USMCA também exige que os três países respeitem os padrões da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para os direitos dos trabalhadores. Assim se, por exemplo, os burocratas da OIT declarassem que as leis “direito de trabalhar”3 violam os “padrões internacionais de trabalho” porque enfraquecem a negociação coletiva e dão aos estados com essa lei uma vantagem injusta sobre os estados e países com sindicalização compulsória, o governo federal pode ter que anular todas as leis estaduais de direito de trabalhar.

Estados norte-americanos onde há leis “direito de trabalhar”. Nos que estão em vermelho, os trabalhadores podem negociar contratos diretamente com os empregadores. Nos que estão em cinza ou verde, só podem trabalhar se estiverem sindicalizados. Os estados em verde estão cogitando aprovar leis “direito de trabalhar”. A fonte é The Washington Post.

O USMCA também obriga os três países a trabalharem juntos para melhorar a qualidade do ar. Isso soa inofensivo, mas poderá ser usado como uma porta dos fundos para impor novos e custosos regulamentos e impostos, como um esquema de limite ao comércio, nos Estados Unidos.

Este acordo também proíbe o uso da desvalorização cambial como meio de tentar obter vantagem competitiva no comércio internacional. A aplicação desta disposição será difícil, se não impossível, já que nenhum banco central jamais admitirá que está desvalorizando a moeda para obter uma vantagem competitiva no comércio internacional. Naturalmente, dado que o próprio ato de criar dinheiro reduz seu valor, a única maneira de impedir que os bancos centrais desvalorizem a moeda é tirá-los do mercado. Infelizmente, não acho que os redatores do USMCA pretendam restaurar o livre mercado monetário.

Essa disposição provavelmente será usada para justificar a coordenação da políticas monetárias entre o Federal Reserve e os bancos centrais mexicano e canadense. Isso levará à inflação em toda a região e a uma guerra cambial global, à medida que os EUA pressionarão o México e o Canadá a ajudar o Fed no combate a alegações de manipulação da moeda por outros países e a ameaças à capacidade do dólar de cumprir sua função de reserva de valor.

Um verdadeiro acordo de livre comércio simplesmente reduziria ou eliminaria tarifas e outras barreiras comerciais. Não ditaria salários e padrões trabalhistas, nem exigiria cooperação intergovernamental sobre padrões ambientais e política monetária. Um verdadeiro acordo de livre comércio também não incluiria, como faz o USMCA, uma lista de nomes aceitáveis para tipos de queijos.

Aqueles de nós que apoiam o livre comércio de verdade não devem deixar que os simpatizantes do USMCA consigam reivindicar que o USMCA tem algo a ver com o livre comércio. Devemos também lutar contra as forças do protecionismo que ameaçam iniciar uma guerra comercial destrutiva. Além disso, devemos trabalhar para impedir que o governo tente controlar nossas atividades econômicas por meio de regulamentações, impostos e (o mais importante) controle da moeda por meio dos bancos centrais e de leis de curso forçado.


Artigo originalmente publicado como NAFTA 2.0: Free Trade or Central Planning? para o Mises Institute.


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