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Ludwig Von Mises (1881-1973) foi o maior pensador social do século XX.

Em uma série de contribuições inovadoras como a “Teoria do Dinheiro e do Crédito”, “Socialismo: uma Análise Econômica e Sociológica”, “Ação Humana” (sua obra magna) e “Teoria e História” – para não falar de uma série de menores e não menos perspicazes trabalhos, como “Burocracia e Governo Onipotente” – Mises desenvolveu teorias sobre o crescimento econômico e sobre ciclos econômicos que são relevantes hoje.

Atualmente, qualquer um com acesso à internet pode acessar seus trabalhos com pouco ou nenhuma dificuldade. Qualquer um com uma saída USB pode carregar seus melhores trabalhos num pendrive.

O progresso que tornou isso possível não foi um acidente e nem foi obra do acaso. De fato, isso nos leva à maior contribuição de Mises: sua demonstração de que o socialismo não pode funcionar como um sistema econômico racional e que a propriedade privada dos meios de produção é condição para que a riqueza seja maximizada e que o desperdício seja minimizado no processo de produção.

Mises começou – e terminou – o debate sobre se um sistema econômico baseado na propriedade comum ou social dos meios de produção poderia funcionar com o ensaio “O Cálculo Econômico sob o Socialismo”. Ele demonstrou que era impossível saber se um determinado processo de produção era prudente (otimizador de recursos) ou imprudente (que gera desperdício de recursos) na ausência de preços para os meios de produção. Sua crítica socialista demonstrou isso e Oskar Lange sugeriu que fosse dada uma estátua de Mises ocupando um lugar de honra no Conselho de Planejamento Central Socialista.

Contudo, Mises levou sua tese um passo além: argumentou que esses preços não podem surgir sem trocas e trocas, por sua vez, não podem ocorrer sem a propriedade privada dos meios de produção. Muitos economistas louvam o mercado por sua eficiência que lhe é inerente, na capacidade que os mercados livres têm de direcionar recursos para os fins que maximizam a produção ao mesmo tempo em que minimizam seus respectivos custos. Na tradição “misesiana”, entretanto, o mercado desempenha um papel muito mais essencial.

Não se trata, apenas, de um entre os possíveis processos de alocação. A troca em um livre mercado é um processo de geração de informação e de conhecimento. Para parodiar o título de um dos ensaios de Hayek, a concorrência no livre mercado é “um procedimento de descoberta”.

Ludwig von Mises

Essa ênfase na capacidade da troca de coordenar e gerar conhecimento em um mercado livre, onde a propriedade privada é resguardada, é uma das características distintivas da moderna tradição misesiana, que é discutida em uma série de três partes pelo meu co-autor ocasional, Steven Horwitz.

Os argumentos de Mises e os argumentos daqueles que o seguiram não apenas desconstroem os argumentos em defesa do socialismo puro e global. Eles também desconstroem teses a favor do intervencionismo em geral. Os economistas reconhecem que focam sua atenção nas trocas, bem como na prosperidade material e está na moda em alguns círculos dizer que “há mais na vida do que a eficiência econômica” como se isso decidisse um argumento a favor da intervenção.

Não é assim: as pessoas respondem a incentivos, mesmo quando você não deseja, e a capacidade do intervencionismo de destruir conhecimento e de distorcer incentivos muitas vezes traz consigo consequências não intencionais que não só reduzem a eficiência econômica, mas também prejudicam precisamente os benefícios buscados pela intervenção.

É por esta razão que apelo aos meus alunos que considerem as consequências de diferentes esquemas intervencionistas – que considerem o custo, por assim dizer. Na sua introdução à nova edição do socialismo da FEE1, Peter J. Boettke argui uma questão importante:

Os críticos da economia dizem que os economistas sabem o preço de tudo mas não sabem o valor de nada. Nada, talvez, seja tão perigoso intelectualmente nas ciências políticas quanto um economista que conheça apenas a economia, exceto, eu acrescentaria, um filósofo moral que não sabe absolutamente nada de economia.

Ludwig von Mises já não pode mais nos ensinar economia pessoalmente. Suas impressionantes contribuições intelectuais sobrevivem, no entanto, em seus escritos e na paixão pela verdade que emana de quase todas as palavras. Infelizmente, as pessoas que mais precisam ler Mises provavelmente não o farão. Nesta perspectiva, não posso concluir com nada melhor do que as advertências sóbrias que Mises oferece nas últimas frases de “Ação Humana”:

O corpo do conhecimento econômico é um elemento essencial na estrutura da civilização humana; é o alicerce sobre o qual o industrialismo moderno e todas as conquistas morais, intelectuais, tecnológicas e terapêuticas dos últimos séculos foram construídas. Cabe aos homens decidirem se farão uso adequado do rico tesouro que esse conhecimento lhes fornece ou se optarão por não o utilizarem. Mas se eles não conseguirem tirar o máximo proveito disso e desconsiderarem seus ensinamentos e advertências, não anularão a economia; eles eliminarão a sociedade e a raça humana.


Esse artigo foi originalmente publicado como The Greatest Social Thinker of the Twentieth Century para o Foundation for Economic Education.


Notas:

  1. Foundation for Economic Education, em tradução livre, Fundação para a Educação Econômica. (N. do T.)

Sobre o Autor

Art Carden é professor associado da Sam Ford University em Birmingham, Alabama. Adicionalmente, ele é contribuinte sênior de pesquisa para o Institute for Faith, Work, and Economics, contribuinte de pesquisa para o Independent Institute, contribuinte sênior para o Beacon Center of Tennessee e membro da faculdade adjunta do Ludwig von Mises Institute.

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