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Mercados livres de verdade superam facilmente o “capitalismo dirigido pelo Estado”

por Daniel J. Mitchell

A boa notícia é que alguns esquerdistas honestos jogaram a toalha e agora admitem abertamente que o capitalismo gera mais prosperidade.

Eles ainda não querem mercados livres, é claro. Por razões ideológicas, eles continuam a pressionar por um grande Estado de bem-estar social. Mas pelo menos eles admitem que suas políticas redistributivas levam a um desempenho econômico mais fraco. Perversamente, eles estão dispostos a reduzir os padrões de vida das pessoas pobres, desde que os ricos sofram quedas ainda maiores em sua renda (em outras palavras, Thatcher estava certa).

Muitos estatistas, porém, percebem que esta não é uma agenda atraente.

Então, eles tentam alegar — não obstante uma abundância de evidências — que o Estado maior de alguma forma permite mais crescimento.

E eles são astutos. A maioria deles é esperta o suficiente para não se apegar ao socialismo completo. Em vez disso, eles pressionam por uma abordagem ad hoc baseada em subsídios, resgates financeiros, engenharia social, controle de preços e outras formas de intervenção.

Se você quer ser técnico, eles estão na verdade defendendo uma variante do fascismo, com propriedade nominalmente privada, mas direção e controle pelo governo. Mas vamos evitar esse termo carregado e simplesmente chamá-lo de capitalismo de compadrio.

Em uma coluna para o Washington Post, Nicholas Borroz observa que essa abordagem existe em todo o mundo.

A consolidação das empresas estatais chinesas (SOEs, na sigla em inglês), a economia oligárquica da Rússia, a proliferação de fundos soberanos de riqueza (SWFs, na sigla em inglês) e a crescente intervenção governamental no Ocidente são indicadores claros do capitalismo dirigido pelo Estado. […] Controlar a atividade do mercado dá aos governos vantagens óbvias quando se trata de fazer avançar as agendas políticas em casa e a política externa no exterior. […] Os SWFs são uma característica importante do panorama econômico global de hoje; os governos também os usam como agentes de Estado1. […] O capitalismo dirigido pelo Estado está encontrando apoio até mesmo no Ocidente. […] O presidente Trump se gabou de pessoalmente influenciar as decisões das empresas sobre onde colocar suas fábricas. […] Entramos em uma era em que o capitalismo dirigido pelo Estado está firmemente estabelecido.

Infelizmente, acho que o Sr. Borroz está correto. Embora “capitalismo dirigido pelo Estado” seja uma frase oximorônica.

Borroz também observa que a mudança para o clientelismo reverte alguns dos progressos ocorridos no final do século 20.

Esta é uma reversão dramática da tendência de duas décadas atrás. Nos anos 90, houve uma corrida ao redor do mundo para liberalizar as economias. A derrota do comunismo pelo capitalismo fez parecer que a atividade desimpedida do mercado era a chave para o sucesso.

Se você olhar para os dados do Liberdade Econômica no Mundo, o período de liberalização na verdade começou na década de 1980, mas eu estou sendo implicante. Então vamos mudar para partes de sua coluna onde eu tenho discordâncias substanciais.

Primeiro, meu queixo atingiu o piso proverbial quando li a parte sobre o Fundo Monetário Internacional sendo supostamente um farol de reforma do livre mercado.

Os países em desenvolvimento assinaram com os programas de ajuste estrutural (SAPs, na sigla em inglês) do Fundo Monetário Internacional (FMI), ganhando acesso a empréstimos em troca da adoção de prescrições econômicas neoliberais.

Dado que me referi ao FMI como o “fogo do lixo”2 ou “Dr. Kevorkian” da economia global, eu obviamente tenho uma perspectiva diferente. No entanto, para ser justo, os burocratas do FMI geralmente defendem a desregulamentação e o livre comércio.

Mas são má notícia em relação a política fiscal e, muitas vezes, equivocados sobre política monetária também. Mas aqui está a parte da coluna que é ainda mais irritante. Borroz defende o favoritismo político porque os mercados livres alegadamente falharam.

[…] Vários fatores levaram ao ceticismo sobre o livre mercado. Um foi o efeito abaixo do esperado em relação a desenvolvimento dos SAPs e da liberalização. Um outro golpe no modelo neoliberal foi uma série de desastres financeiros causados por fluxos irrestritos de capital, notadamente a crise financeira asiática de 1997 e a crise financeira global de 2008. Mas talvez o fator que mais prejudicou a atratividade do neoliberalismo seja […] que países com economias dirigidas pelo Estado, como a China e a Rússia […] continuam relevantes, não apesar da intervenção do Estado, mas por causa disso.

Isso é incrivelmente errado. Três grandes erros em algumas frases.

  1. Quando os programas de ajuste estrutural do FMI fracassam, isso é uma consequência não surpreendente de grandes aumentos de impostos, não por culpa do capitalismo.
  2. A política monetária do governo merece a maior parte da culpa pelas crises financeiras, com Fannie e Freddie3 também desempenhando um papel no caso americano.
  3. China e Rússia são relevantes do ponto de vista geopolítico, mas suas economias poderiam ser muito mais prósperas se o Estado tivesse um papel menor.

Poxa, o produto per capita na China e na Rússia estão muito abaixo dos níveis americanos, então a noção de que elas são modelos exemplares é incrivelmente alheia à realidade. Agora, vamos revisar algumas evidências sobre as desvantagens de políticas econômicas “dirigidas pelo Estado”.

The Economist observa que o capitalismo de compadrio não tem um histórico de sucesso.

Alguns argumentam que não faz sentido algum para um governo fazer apostas de capital de risco, diretamente ou não. […] Massimo Colombo, um acadêmico que estuda o capital de risco estatal na Europa pela Universidade Politécnica de Milão, […] admite que, quando os resultados são medidos por empregos criados ou produtividade impulsionada, o setor privado é muito melhor na implantação de capital. Estudando 25.000 investimentos em capital de risco estatais em 28 países, entre 2000 e 2014, ele e seus colegas concluíram que funcionavam apenas quando não competiam diretamente com o setor privado.

E uma pesquisa de três economistas do banco central da Itália mediu especificamente a perda de eficiência econômica quando os governos operam e controlam negócios.

Nos países da OCDE, os serviços públicos, especialmente a nível local, são muitas vezes fornecidos por empresas públicas (Saussier e Klien, 2014). Por conseguinte, a eficiência das empresas públicas locais (LPEs, na sigla em inglês) é importante para a eficiência da economia como um todo e para a sustentabilidade das finanças públicas. […] Somos capazes de construir um conjunto de dados muito detalhado que nos permite comparar empresas que são observadas como equivalentes, além do indicador de propriedade, tornando assim possível a definição do conjunto apropriado de empresas para comparação. […] Embora nos concentremos na Itália, que representa um caso particularmente interessante de analisar por várias razões, a abordagem que seguimos neste artigo pode ser facilmente adaptada a outros países. Descobrimos que o desempenho das LPEs italianas, medido em termos da produtividade total dos fatores, é em média mais baixo que o das empresas privadas em cerca de 8%. […] Nossos resultados mostram que a estrutura de propriedade é mais importante do que a estrutura de mercado para explicar o desempenho das LPEs em relação a suas contrapartes do setor privado. […] Nossos resultados implicam que medidas políticas voltadas à privatização de LPEs (totalmente ou, pelo menos, parcialmente) podem melhorar seu desempenho, reduzindo o nível de controle público e promovendo análises de custo-benefício para investimentos.

Em outras palavras, o tipo de estatismo não importa realmente. O resultado inevitável é menos crescimento e prosperidade.

É por isso que defendo a “separação de negócios e do Estado”. Simplificando, quero reverter os dados neste gráfico porque entendo os dados neste vídeo e neste gráfico.

Obs. Se meus amigos estatistas discordarem, aceitem meu desafio e, por favor, mostrem-me uma nação com capitalismo de compadrio que supera uma nação orientada para o mercado.


Esse artigo foi originalmente publicado como Genuine Free Markets Easily Out-Perform “State-Led Capitalism” para o International Liberty.

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