Muitos leitores pedem dicas de material para estudo, principalmente livros. Decidimos então fazer algumas listas com sugestões que podem ajudá-los a estudar economia ou o liberalismo econômico por conta própria. Essa é a nossa lista de recomendações de livros sobre o liberalismo clássico.

Essas listas voltaram a ser atualizadas e até os primeiros meses de 2019, devemos ter onze delas com mais de 50 recomendações no total. Para cada recomendação, colocamos links para que o livro seja encontrado mais facilmente. Comprando seu livro na Amazon através dos nossos links, você estará pagando o preço normal e ainda colabora com o nosso trabalho. Obrigado!

Listas de livros de economia

Liberalismo clássico

O movimento hoje chamado de liberalismo clássico foi o movimento que “descobriu” o liberalismo. Essa lista explora o nascimento e as primeiras percepções que a humanidade teve desse valor, desde John Locke até meados do século XIX.

Até então, entendia-se como natural e legítimo o poder exercido pelo monarca sobre a população, qualquer que fossem as ações comandadas por esse poder. Ideias como justiça, igualdade e liberdade simplesmente não existiam na relação entre governantes e governados e só vieram a ser levantadas durante o iluminismo, movimento do qual o liberalismo clássico fez parte.

Aqui temos algumas obras específicas sobre economia, e outras que falam do liberalismo em geral. O interesse em todas elas é descobrir a germinação das ideias que mais tarde viriam a influenciar tantos economistas e filósofos contemporâneos.

Segundo tratado sobre o governo (1689), de John Locke

Além de sua profunda influência no campo da epistemologia, John Locke é também amplamente reconhecido como o pai do liberalismo. Locke deu sequência ao trabalho de Thomas Hobbes (entre outros) em seu exercício teórico que buscava entender como e por quê o Estado é criado pelos homens.

Segundo Locke, no estado natural (ou seja, antes da formação do estado civil), todos os indivíduos são livres e independentes uns dos outros, e todos têm o direito natural de defender sua vida, sua saúde, sua liberdade e sua propriedade. Mas mesmo assim haveria disputas entre eles, então eles decidem criar uma entidade que seria responsável por mediar e resolver essas disputas sem guerra: o Estado.

É no Segundo tratado sobre o governo que Locke revoluciona valores da época ao defender que o Estado é constituído com um propósito racional e por pessoas originalmente livres, e que portanto deve ter seu poder limitado às funções para as quais fora criado. E assim, Locke influenciou, direta ou indiretamente, todos os outros autores de todas essas listas que divulgamos aqui.

Alternativas: buscapé, ou em PDF.

A riqueza das nações (1776), de Adam Smith

Essa é a obra amplamente considerada como ponto inicial do estudo da economia como ciência social. Há registros de manifestações anteriores sobre o assunto, mas nenhum deles conseguiu desencadear uma discussão contínua como Adam Smith provocou e que dura até hoje.

Seu intuito inicial foi descobrir o que gerava riqueza (que deve ser entendida como prosperidade) a algumas nações, e não a outras. Smith percebeu que alguns países eram muito ricos em relação a outros, e não acreditava que essa diferença se dava ao acaso. Ao desenvolver essa investigação, passa por importantíssimos conceitos como a auto regulação dos mercados, formação de preços, divisão do trabalho, especialização da produção, acumulação de capital, importância das trocas (inclusive internacionais) e a conhecida ideia da mão invisível.

Seu intuito era tentar chegar a conclusões atemporais; ou seja, que não se aplicassem somente a seu contexto histórico específico. Claro que de lá para cá muito se evoluiu no conhecimento da ciência econômica, mas é surpreendente como muitas de suas lições permanecem atuais. E é também interessante descobrir as origens do que conhecemos hoje sobre economia.

Alternativa: buscapé.

O Federalista (1787-88), de Alexander Hamilton, James Madison, e John Jay

O projeto final da constituição norte-americana foi enviado ao Congresso da Confederação em setembro de 1787, que remeteu o texto para ratificação em cada estado com proposta de substituir os Artigos da Confederação em vigência na época. No estado de Nova York, houve intensa discussão nos meses que antecederam a votação entre aqueles que eram favoráveis à nova constituição e aqueles que se opunham a ela.

Nesse contexto, Alexander Hamilton decidiu escrever em jornais locais uma série de ensaios que defendiam a proposta. Junto com James Madison (que foi o principal idealizador da carta magna) e John Jay, publicou 85 ensaios que, todos juntos, foram mais tarde batizados de O Federalista. Esses ensaios são hoje considerados valiosa obra de ciência política. Falam sobre os perigos da ditadura da maioria, descentralização de poder, freios e contrapesos entre os diferentes poderes públicos, e muito mais.

A nova constituição, largamente influenciada pelas ideias de John Locke, foi aprovada por Nova York e por todos os demais estados, dando origem a enorme elevação na prosperidade dos habitantes locais. Esse sucesso só foi possível graças às ideias de liberdade individual contidas no documento, primorosa manifestação concreta do liberalismo clássico.

É muito difícil encontrar esses ensaios em português. A editora Nova Fronteira lançou edição em 1993, mas os exemplares não estão mais disponíveis em livrarias. Recomendamos, portanto, o sétimo e último capítulo do primeiro volume da obra organizada por Francisco Weffort, capítulo escrito por Fernando Papaterra Limongi e que trata desses ensaios – inclusive transcrevendo os principais deles. Recomendamos também procurar O Federalista em sebos, como a Estante Virtual.

Alternativas: buscapé, ou estante virtual (livros usados).

A democracia na América (1835), de Alexis de Tocqueville

Em 1831, Alexis de Tocqueville foi enviado por seu governo em missão para os Estados Unidos. Por nove meses, o jovem francês viajou pelo país, analisando a cultura, a sociedade, a economia e a política local. Poucos anos depois, reuniu suas impressões naquele que viria a ser um dos grandes clássicos da política.

Tocqueville acreditava que o mundo passava para uma transição da aristocracia para a igualdade, e via na sociedade americana um exemplo mais bem-sucedido de democracia do que a França. Escreveu esperando que suas lições servissem para os franceses, que à época também formavam uma jovem república em transformação cultural.

O livro analisa possíveis ameaças à democracia, e possíveis perigos oriundos da própria democracia. O francês tinha grande estima tanto pela igualdade como pela liberdade, dois valores que devem ser perseguidos e depois protegidos. Mas também criticou os socialistas ao alertar sobre os perigos de uma paixão excessiva pela igualdade.

Alternativas: buscapé, ou em PDF.

A lei (1850), de Frédéric Bastiat

Durante sua curta vida (morreu aos 49 anos), o francês Frédéric Bastiat causou profunda influência no liberalismo econômico. Talvez tenha sido a maior inspiração para a Escola Austríaca de economia que viria algumas décadas à frente. Sua escrita é de estilo claro, persuasivo e provocativo, e serviu para expor os incuráveis vícios do protecionismo, do corporativismo e da coletivização da propriedade.

A lei é apenas a mais formidável de suas obras. Tudo o que ele escreveu merece ser lido, mas aqui está um bom começo. O livro fala principalmente sobre a relação entre propriedade e o Estado. O francês acredita que cada indivíduo naturalmente possui direito individual à sua vida, à sua liberdade e à sua propriedade; e que é função do Estado proteger esse direito. Quando o Estado usa sua força para retirar de um para dar para outro, ele estaria realizando “roubo legalizado”, o que incentivaria outras classes a fazerem o mesmo.

Bastiat também foi responsável por desenvolver o conceito de “custo de oportunidade”, segundo o qual cada opção de uma escolha deve ser comparada com sua melhor alternativa. Não devemos avaliar os benefícios de uma obra pública por seu impacto na vida das pessoas, por exemplo, mas em relação à situação em que esse mesmo dinheiro tivesse sido gasto de outra forma (outra obra, ou que o dinheiro não tivesse sido tirado das pessoas para começar). Esse raciocínio está melhor elaborado no ensaio O que é visto, e o que não é visto, e é também valiosa leitura.

Alternativa: na web (grátis).

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