Muitos leitores pedem dicas de material para estudo, principalmente livros. Decidimos então fazer algumas listas com sugestões que podem ajudá-los a estudar economia ou o liberalismo econômico por conta própria. Essa é a nossa lista de recomendações de livros sobre diferentes modalidades de controle estatal da economia.

Essas listas voltaram a ser atualizadas e até meados de 2019, devemos ter doze delas com mais de 50 recomendações no total. Para cada recomendação, colocamos links para que o livro seja encontrado mais facilmente. Comprando seu livro na Amazon através dos nossos links, você estará pagando o preço normal e ainda colabora com o nosso trabalho. Obrigado!

Listas de livros de economia

Controle estatal da economia

Fizemos uma lista de livros que fundamentam as políticas econômicas aceitas popularmente por professores de humanas, pela imprensa e, consequentemente, pela população em geral. O que os livros dessa lista têm em comum é que defendem uma forte presença do Estado na economia — e, em alguns casos, em todas as esferas da sociedade.

As recomendações podem ser divididas em duas correntes: o marxismo e o keynesianismo. Com esses livros, o leitor talvez se surpreenda em encontrar as raízes de alguns dos princípios norteadores das políticas públicas atuais, como a noção de que a relação empregado-empregador é uma relação de exploração, o imperialismo como forma de capitalismo, e os gastos estatais como acelerador do crescimento econômico.

Todas essas teses já foram derrubadas pelos livros recomendados nas outras listas, mas decidimos divulgar essa lista para que nossos leitores conhecessem também a que se referem as críticas, e o contexto histórico e intelectual em que algumas das outras obras foram escritas.

O manifesto do partido comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels

Talvez uma das publicações mais influentes de toda a história, Karl Marx e Friedrich Engels apresentam aqui sua visão da sociedade e do modo de produção capitalistas. O documento foi publicado na forma de panfletos em 1848 em meio a agitações políticas que ocorriam por toda a Europa e que levaram os pensadores a prever o início do fim do capitalismo.

Segundo os autores, “a história de todas as sociedades até aqui é a história da luta de classes.” Sempre houve uma maioria explorada por uma minoria, e no capitalismo a maioria oprimida seria constituída pelos proletariados, enquanto a minoria seriam os burgueses industriais.

Como sempre acontecera em outras sociedades, este conflito desencadearia uma revolução social que traria uma nova ordem. Mas, dessa vez, essa nova ordem seria a de uma sociedade sem classes e sem Estado, onde todos serão trabalhadores, e portanto não haveria mais exploração de uma classe por outra.

Sua versão em forma de livro possui pouco mais de cem páginas (a depender da edição), constituindo portanto uma leitura rápida e objetiva dos aspectos políticos do marxismo.

Alternativa: buscapé, na web (grátis).

O capital (Volume 1), de Karl Marx

Apesar de mais elogiado do que lido, este é o mais extenso, teórico e citado trabalho de Karl Marx. Por isso, é considerado sua grande obra-prima.

Seu primeiro volume foi publicado em 1867. É o mais importante de todos, e o único publicado em vida pelo autor. Os demais volumes foram publicados quase vinte anos mais tarde por seu amigo Friedrich Engels a partir de notas e rascunhos de Marx, e muitos historiadores acreditam que Marx talvez não tivesse autorizado suas publicações porque muitas das ideias contidas já haviam sido refutadas.

De qualquer forma, recomendamos nesta lista a leitura do primeiro volume para conhecer suas principais ideias, defendidas por muitos até hoje. Neste livro, Marx busca dar embasamento econômico à luta de classes entre trabalhador e capitalista mencionada no Manifesto. Ele tenta explicar conceitos como a moeda, a divisão do trabalho, como surge a mais-valia e seu efeito sobre o trabalhador, a acumulação de capital e muito mais.

A quem gostar de conhecer, recomendamos a leitura dos dois volumes seguintes. Há muita controvérsia em relação a quanto o volume IV, também publicado após a morte do autor, realmente representa as ideias de Marx.

Alternativa: buscapé.

Imperialismo, estágio superior do capitalismo, de Vladimir Lênin

Marx havia previsto na década de 1840 que o capitalismo estava em seus últimos dias e que a qualquer momento surgiriam revoluções proletárias que transformariam fundamentalmente a economia e a política dos países avançados. Morreu quarenta anos mais tarde sem ver tais revoluções.

No início do século seguinte, o socialista Vladimir Lênin precisava explicar por que tais revoluções ainda não haviam ocorrido, e por que dessa vez elas estavam realmente prestes a eclodir. Aqui surge o livro Imperialismo, estágio superior do capitalismo.

Lênin defende que depois do capitalismo descrito por Marx, haveria ainda um último estágio que é o imperialismo onde potências capitalistas explorariam os países mais pobres através de investimentos financeiros nestes países.

Este ponto de vista é dominante até hoje, quando vemos grupos e movimentos políticos condenando empresas e investimentos estrangeiros sob pretexto de exploração. Esta é a principal obra de Lênin, maior personagem da revolução socialista russa. Junto com O capital de Marx, a obra forma a base do marxismo-leninismo, consolidado mais tarde por Josef Stalin, e que acabou se tornando a mais forte corrente socialista no mundo.

Alternativa: buscapé.

Teoria geral do emprego, do juros e da moeda, de John Maynard Keynes

Esta é a principal obra do economista britânico John Maynard Keynes. Seu trabalho exerce grande influência até hoje no estudo da macroeconomia e na formulação de políticas públicas, a ponto de ter ganho uma denominação própria: keynesianismo. Recentemente no Brasil, o Ministro da Fazenda Guido Mantega baseou muito de sua gestão nas teses keynesianas.

No livro, Keynes encontra algumas situações onde o mercado privado não consegue encontrar soluções satisfatórias para o bem-estar da população, e então apoia gastos e intervenções estatais na economia. O caso mais emblemático é o do pleno emprego.

Na teoria clássica que o economista procurava refutar, uma economia sem intervenções estatais estaria sempre em pleno emprego porque os salários se ajustam para variações na atividade econômica. Mas segundo Keynes, dada a natureza rígida dos salários (ou seja, eles não se ajustam tão rapidamente como os outros preços), é possível haver desemprego em momentos de crise.

Há praticamente consenso, tanto entre defensores como entre detratores do keynesianismo, que esse livro é de leitura extremamente confusa e cansativa, mesmo para economistas profissionais. Há economistas que publicaram versões “digeridas” do livro, algo como “foi isso que ele quis dizer”. Infelizmente, não encontramos nenhuma dessas publicações em português.

Com essa ressalva, deixamos a recomendação deste importante livro do ponto de vista da influência que tem sobre o entendimento convencional de economia. E ficaremos atentos a novas publicações que possam complementá-la.

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