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Eu concordo plenamente com meus amigos de esquerda que afirmam que corporações querem extrair cada centavo que elas puderem dos consumidores. Eu também concordo (em grande parte) com eles quando dizem que corporações são entidades sem alma que não se importam com as pessoas.

Mas depois que eles terminam de desabafar, eu tento educá-los ao apontar que a única maneira das corporações separarem os consumidores e o seu dinheiro é competindo vigorosamente para oferecer bens e serviços desejáveis a preços atrativos.

Além disso, a sua busca “sem alma” por este lucro (como explicado por Walter Williams) as levará a ser eficientes e inovadoras, o que estimula a produção total da economia.

Além disso, em um mercado competitivo, não é consumidores x corporações , mas corporações x corporações, com vitória automática dos consumidores.

Mark Perry da American Enterprise Institute chama a atenção para um valioso ponto sobre o que acontece em uma economia livre.

Ao se comparar a lista Fortune 500 de 19551 com a Fortune 500 de 2017, apenas 59 empresas aparecem em ambas as listas. Em outras palavras, menos de 12% das empresas Fortune 500 incluídas na lista de 1955 ainda constavam nela 62 anos mais tarde, em 2017, e mais de 88% das empresas de 1955 foram à falência, fundiram-se ou foram adquiridas por outra empresa, ou ainda existem mas saíram da lista das empresas Fortune 500.

Não é só com as Fortune 500.

Corporações no Índice S&P 5002 de 1965 permaneceram no índice por uma média de 33 anos. Em 1990, o tempo de estadia médio no S&P 500 caiu para 20 anos, e hoje estima-se que, em 2026, cairá para 14 anos. No ritmo atual, cerca de metade das empresas S&P 500 de hoje serão substituídas nos próximos 10 anos.

Aqui está a lista elaborada por Mark das companhias que continuaram no topo da Fortune 500 ao longo dos últimos 62 anos.

Mark então nos oferece uma lição econômica a partir destes dados.

O fato que quase 9 de cada 10 empresas Fortune 500 de 1955 ou faliram, ou fundiram, ou diminuíram demonstra que houve muita disrupção de mercado, agitação e destruição criativa schumpeteriana3 nas últimas seis décadas. Pode-se presumir que quando a lista Fortune 500 de 2077 for publicada, daqui a 60 anos, quase todas as empresas Fortune 500 de hoje não irão mais existir da forma como são hoje. Elas terão sido substituídas por novas empresas em setores novos e emergentes, e devemos ser extremamente gratos por isso. As constantes mudanças na Fortune 500 são um sinal positivo do dinamismo e da inovação que caracteriza uma saudável economia de mercado orientada para os consumidores.

Ele também enfatiza que os consumidores são os reais beneficiários deste processo competitivo.

A destruição criativa que resulta na constante saída de empresas da lista Fortune 500 (e S&P 500) ao longo do tempo significa que o processo de disrupção de mercado está sendo conduzido pela incansável busca por vendas e lucros que só podem se alcançados ao oferecer aos consumidores produtos e serviços de alta qualidade a baixos preços, com bom atendimento ao consumidor. Se pensarmos nas receitas anuais de venda de uma empresa como a quantidade de “votos com dólar” que ela recebe todo ano ao oferecer bens e serviços aos consumidores […], como consumidores, devemos agradecer o fato de que nós somos os beneficiários finais da destruição criativa schumpteriana que fomenta o dinamismo da economia de mercado e resulta na constante substituição de firmas que, em última análise, competem entre si para atrair o maior número de nossos votos com dólar possível.

A propósito, Mark fez esta mesma comparação em 2014 e 2015 e certificou que havia 61 empresas ainda na lista.

Ao que parece, a destruição criativa fez mais duas vítimas.

Ou para ser mais preciso, as necessidades e os desejos dos consumidores produziram mais alterações, o que levou à maior abundância material para os Estados Unidos.

Fecharei com dois argumentos.

  • Primeiro, o meu argumento é a favor da livre iniciativa, não das grandes empresas . Isso é porque grandes empresas podem ser maximizadoras de lucro sem alma que podem até mesmo utilizar o poder coercitivo do Estado para impor políticas de compadrio 4. que geram lucros não merecidos. Pense em como as grandes empresas de seguros de saúde e as grandes empresas farmacêuticas apoiaram o Obamacare na esperança de gerar rendas garantidas pelo governo. Ou pense em empresas como a GE, que são “peritas” de longa data em manipular o processo político. Ou grandes interesses do agronegócio que prejudicam os contribuintes e os consumidores com os subsídios agrícolas. E a Goldman Sachs e outras empresas de Wall Street que apoiaram Dodd-Frank a fim de conseguir lucros de oligopólio. Ou a Exxon-Mobil roubando os contribuintes ao obter vantagens especiais graças ao Export-Import Bank5. Eu poderia continuar, mas você entendeu.
  • Segundo, as substituições que Mark Perry descreve são um bom exemplo de por que leis antitruste6 estão equivocadas na teoria (e eu argumentaria que são equivocadas na prática, pois as empresas atuais frequentemente usam essas leis para frustrar competidores novos).

Tudo isso explica o por quê de eu querer a separação entre os negócios e o Estado .

O argumento central é que um mercado desimpedido produz os melhores resultados para a grande maioria das pessoas. Sim, as pessoas são gananciosas, mas isso leva a bons resultados em um ambiente capitalista .

Mas nós temos péssimos resultados se o capitalismo de compadres for o sistema dominante, e parece que estamos caminhando nessa direção, aqui nos Estados Unidos.

Obs. Até mesmo quando as corporações tentam explorar pessoas no terceiro mundo, a busca pelo lucro na verdade resulta em vidas melhores para os menos afortunados.


Esse artigo foi originalmente publicado como Free Enterprise, Creative Destruction, and Consumer Power para o International Liberty.


Notas:

  1. Lista anual das 500 maiores empresas norte-americanas por receita total, talvez equivalente às Exame 500 e Valor 1000 aqui do Brasil. (N. do E.)
  2. Índice composto por 500 ações cotadas nas bolsas NYSE ou NASDAQ. Seria algo equivalente ao nosso Ibovespa. (N. do E.)
  3. Conceito popularizado pelo economista austríaco Joseph Schumpeter. Segundo ele, a destruição de empresas tecnologicamente defasadas tem a importante função de liberar recursos para o crescimento de outras que melhor atendem as necessidades da população. (N. do E.)
  4. Onde o sucesso nos negócios depende das estreitas relações entre os empresários e funcionários do governo. (N. do E.)
  5. Banco estatal americano de fomento às exportações. Similiar ao nosso BNDES, e com os mesmos problemas de favorecimentos políticos. (N. do E.)
  6. Leis que visam estimular a boa concorrência entre empresas. Elas geralmente atuam tentando impedir cartéis, oligopólios, entre outras coisas. (N. do E.)

Sobre o Autor

É ex-colaborador sênior do Cato Institute. É presidente do Center for Freedom and Prosperity, uma organização criada para defender e promover impostos competitivos. Previamente, Dan serviu como colaborador sênior no The Heritage Foundation e foi economista do senador Bob Packwood e do comitê de finanças do Senado. Recebeu seu Ph.D em economia da George Mason University e graduação e mestrado em economia da University of Georgia.

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