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Imigração nos Estados Unidos

por Julian Adorney

No dia do trabalho, trabalhadores se reuniram em todo país em apoio aos direitos dos trabalhadores e dos imigrantes. O objetivo das manifestações era fazer da imigração um assunto chave nas eleições intermediárias de 20181. Se os republicanos do congresso quiserem ajudar os americanos em dificuldades e impulsionar seu apoio rumo às eleições intermediárias, devem aproveitar esta oportunidade e corrigir nosso problemático sistema de imigração, para que mais imigrantes possam chamar a América de lar.

Ampliando a oferta de mão de obra

Um aumento dos níveis de imigração tornaria as empresas americanas mais eficientes, pois aumentaria a oferta de mão de obra. Muitos empregadores dizem que encontrar talentos qualificados é um dos maiores desafios para os negócios. Em 2015, a Randstad US, uma empresa de recrutamento e seleção de pessoas, entrevistou 2004 responsáveis por decisões de contratação em diversos setores, para identificar seus maiores desafios. A Randstad descobriu que “a oferta inadequada de talentos qualificados e competentes é a segunda maior ameaça para a capacidade das empresas de atingir a meta de faturamento ou desempenho.”

Aumentar a oferta de mão de obra poderia resolver isso, pois daria aos empregadores acesso a mais talentos para preencher os buracos na sua força de trabalho. O estereótipo de imigrantes como trabalhadores sem instrução e do campo é tanto infeliz quanto falso. Em 2014, 29% dos imigrantes que entraram nos Estados Unidos tinham pelo menos ensino superior completo. No mesmo ano, 32% dos programadores de informática eram imigrantes de primeira geração. Está na hora de começar a tratar potenciais imigrantes como os trabalhadores talentosos que muitas vezes são – e já passa da hora de dar aos empregadores o acesso a esta mão de obra.

O líder dos luddistas

O líder dos luddistas, gravura de 1812.

A reforma imigratória também poderia ajudar empresas a reduzir custos contratando mão de obra mais acessível. Muitos conservadores temem que se Ronaldo puder fazer o mesmo trabalho de John pela metade do preço, John sairá perdendo. Mesmo que isso fosse verdade, seria apenas metade da história. Neste cenário, John perde temporariamente. Mas a empresa economiza dinheiro, e eles podem direcionar esta poupança para a expansão das operações, desenvolvimento de novos produtos e até mesmo contratando mais gente. O acesso à mão de obra mais barata também poderia ajudar as empresas que no momento estão sofrendo com custos muito altos a sobreviver.

De uma perspectiva econômica, imigrantes são como uma tecnologia mais barata e mais eficiente do que contratar outra pessoa. Os defensores do livre mercado não são luddistas2 em relação a novas tecnologias, então por que estão tão assustados com a nova força de trabalho?

Ampliando a demanda por mão de obra

Mesmo que Ronaldo ocupe o emprego de John, mais imigração proporciona a John melhores chances de encontrar um novo emprego. Os imigrantes não apenas tiram empregos – inúmeros estudos demonstram que, na verdade, eles criam mais empregos do que ocupam. O professor de economia John McLaren, da Universidade da Virgínia, e Gihoon Hong, da Universidade Nacional de Pusan, na Coreia do Sul, estudaram os dados do censo americano de 1980 a 2000. De acordo com Hong e McLaren, “cada imigrante cria 1,2 empregos locais para trabalhadores locais, e a maioria deles vão para trabalhadores nativos.” E 62% destes empregos eram no setor de serviços.

Como isso pode ser verdade? De acordo com a revista Harvard Business Review, “os imigrantes são quase duas vezes mais propensos a se tornarem empreendedores do que os cidadãos nativos norte-americanos. Os imigrantes representam 27,5% dos empreendedores do país, mas apenas 13% da população”. No jargão econômico, eles realmente aumentam a oferta de mão de obra, mas ao criarem novas empresas, eles aumentam ainda mais a demanda por mão de obra. Como resultado, quando imigrantes vêm para os Estados Unidos, os salários na verdade aumentam.

Isso não deveria ser surpresa. Para pegar tudo e se mudar para um novo país, é preciso coragem, planejamento de longo prazo e apetite para correr riscos. Todas estas características são encontradas nos empreendedores. John D. Gartner, autor de The Hypomanic Edge: The Link Between (a little) Craziness and (a lot of) Success in America3, argumenta que tantas boas empresas vêm dos Estados Unidos, em parte, porque somos uma nação de imigrantes. Ele observa que “os imigrantes são os investidores de risco4 originais, arriscando seu capital humano – suas vidas – em uma perigosa e árdua viagem ao desconhecido.”

Imigrante empreendedor

Nos países desenvolvidos, uma fração significativa dos pequenos comércios são propriedade de imigrantes.

Mesmo os imigrantes ilegais são altamente empreendedores. O New American Economy, um grupo de 500 prefeitos e líderes empresariais dedicados à reforma imigratória, descobriu que em 2014, cerca de 1 entre 10 imigrantes ilegais em idade ativa eram empreendedores. Em mais de 20 estados, imigrantes ilegais têm uma taxa de empreendedorismo maior do que os cidadãos ou residentes permanentes legais da mesma faixa etária. Isso é ainda mais impressionante devido aos obstáculos legais e regulatórios que os imigrantes ilegais enfrentam – é difícil começar um negócio quando você não pode correr o risco de ter a polícia investigando seu passado.

Não temos nada a temer com a imigração

Em outras palavras, americanos natos têm pouco a temer com um aumento da imigração. Empregos serão gerados, empresas serão mais eficientes, e os produtos podem até ficar mais baratos. Os salários líquidos podem até aumentar.

Os imigrantes simbolizam o sonho americano. Infelizmente, os funcionários da imigração se movimentam numa velocidade que deixaria o Detran5 constrangido. Em 2013, o acúmulo era tanto que ainda estavam processando os pedidos de green card de 1993. Homens e mulheres que querem vir para os Estados Unidos e trabalhar estão presos em um limbo. Vamos tirá-los de lá.


Esse artigo foi originalmente publicado como Understanding Why Immigrants Are So Crucial to America’s Economic Growth para a Foundation for Economic Education.

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