Início Conceitos econômicos Fortune 500 e a destruição criativa

Fortune 500 e a destruição criativa

por Mark J. Perry

O que as empresas desses três grupos têm em comum?

Grupo A: American Motors, Brown Shoe, Studebaker, Collins Radio, Detroit Steel, Zenith Electronics e National Sugar Refining.

Grupo B: Boeing, Campbell Soup Company, Colgate-Palmolive, Deere & Company, General Motors, IBM, Companhia Kellogg, Procter and Gamble Company e Whirlpool Corporation.

Grupo C: Amazon, Facebook, eBay, Home Depot, Microsoft, Google, Netflix, Office Depot e Target.

Todas as empresas do Grupo A estavam na Fortune 500 em 1955, mas não em 2018.

Todas as empresas do Grupo B estavam na Fortune 500, tanto em 1955 como em 2018 (e permanecem na lista todos os anos desde o início, em 1955).

Todas as empresas do Grupo C estavam na Fortune 500 em 2018, mas não em 1955.

A lista de empresas da Fortune 500 em 1955 está disponível aqui e para 2018 aqui (com base nas vendas para o ano fiscal encerrado em ou antes de 31 de janeiro de 2018). Comparando as empresas da Fortune 500 de 1955 com a Fortune 500 de 2018, existem apenas 53 empresas que aparecem em ambas as listas e permaneceram na lista desde o início (veja imagem acima). Em outras palavras, menos de 11% das empresas da Fortune 500 em 1955 permaneceram na lista durante os 63 anos que se seguiram. Mais de 89% das empresas de 1955 foram à falência, fundiram-se (ou foram adquiridas) a outra empresa, ou ainda existem, mas saíram da lista da Fortune 500 (classificadas pela receita total) por um ano ou mais.

Por exemplo, a Ashland Global Holdings estava na Fortune 500 no ano passado, mas suas vendas ficaram estáveis e ela caiu para a posição 705 este ano. A linha de corte para estar dentro da lista Fortune 500 este ano foi de US$ 5,4 bilhões em vendas e as vendas da Ashland foram de US$ 3,2 bilhões. Muitas das empresas da lista em 1955 são hoje empresas irreconhecíveis e esquecidas (por exemplo, Armstrong Rubber, Cone Mills, Hines Lumber, Pacific Vegetable Oil e Riegel Textile).

Essa rotatividade é benéfica

O fato de quase nove entre cada dez empresas da Fortune 500 em 1955 terem desaparecido, fundido, se reorganizado ou diminuído demonstra que houve muita disrupção de mercado, agitação e destruição criativa de Schumpeter nas últimas seis décadas. É razoável supor que, quando a lista da Fortune 500 for lançada daqui a 60 anos em 2078, quase todas as empresas da Fortune 500 deixarão de existir como estão atualmente configuradas, tendo sido substituídas por empresas novas em setores novos e emergentes, e devemos ser extremamente gratos por isso. Estas constantes alterações na Fortune 500 são um sinal positivo do dinamismo e da inovação que caracterizam uma economia de mercado vibrante e orientada para o consumidor, e essa rotatividade dinâmica está se acelerando na hipercompetitiva economia global da atualidade.

De acordo com um relatório de 2016 da Innosight (Corporate Longevity: Turbulence Ahead for Large Organizations), as empresas do índice S&P 500 em 1965 permaneceram no índice por uma média de 33 anos. Em 1990, a duração média no S&P 500 havia diminuído para 20 anos, e agora é previsto que encolha para 14 anos até 2026. No atual índice de substituição, cerca de metade das empresas do S&P 500 de hoje serão substituídas nos próximos dez anos, conforme “entramos em um período de grande volatilidade para as principais empresas de diversos setores, com os próximos dez anos apontando como os potencialmente mais turbulentos da história moderna”, de acordo com a Innosight.

Outra lição econômica a ser aprendida da destruição criativa, que resulta na mudança constante das empresas da Fortune 500 (e do S&P 500), é que o processo de disrupção de mercado está sendo guiado pela busca incessante de vendas e lucros que só podem vir ao servir consumidores com preços baixos, produtos e serviços de alta qualidade e ótimo atendimento. Se pensarmos na receita anual de vendas de uma empresa como o número de “votos em dólares” que ela recebe todo ano ao fornecer bens e serviços aos consumidores, podemos apreciar o fato de que as empresas da Fortune 500 representam as 500 empresas que geraram o maior número de votos em dólares de nós como consumidores – como o Walmart (número 1 este ano pelo sexto ano consecutivo com mais de US$ 500 bilhões em “votos em dólar” para 2018 – a primeira vez que as vendas de qualquer empresa da Fortune 500 ultrapassaram os US$ 500 bilhões), a Exxon Mobil (número 2 com US$ 244 bilhões), a Apple (número 3 com US$ 229 bilhões), CVS (número 7 com US$ 185 bilhões), a Amazon (número 8 com US$ 178 bilhões) e General Motors (número 10 com US$ 157 bilhões).

Como consumidores, devemos apreciar o fato de que somos os beneficiários finais da destruição criativa schumpeteriana que impulsiona o dinamismo da economia de mercado e resulta em uma troca constante das empresas que estão lutando para atrair o máximo possível de nossos votos em dólares. Os 500 maiores vencedores dessa batalha competitiva a cada ano são as empresas da Fortune 500, classificadas não por seus lucros, ativos ou número de funcionários, mas pelo que é mais importante em uma economia de mercado: seus votos em dólar (receita de vendas).


Esse artigo foi originalmente publicado como Only 53 US companies have been on the Fortune 500 since 1955, thanks to the creative destruction that fuels economic prosperity para o American Enterprise Institute.

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