A copa do mundo se aproxima e com isso o fenômeno de trocar figurinhas volta à tona. Parques lotados, encontros nos shoppings, grupos de trocas são exemplos de como as pessoas se organizam para realizar essa permuta de cromos em suas cidades. Além de ser uma ótima oportunidade de se fazer novas amizades, a simples troca de figurinhas nos ajuda a entender e explicar fenômenos de como as trocas subjetivas acontecem e o surgimento dos mercados.

Diante disso, uma criança pode tentar completar seu álbum sozinha, porém sendo esta opção cara e demorada, onde se gastará entorno de R$ 272,80 e ainda correrá o risco de não adquirir todos os cromos necessários. Por isso, para completar seus álbuns, as crianças recorrem a espaços para realizar trocas de figurinhas repetidas.

Imagine que você tenha em suas mãos várias cromos do jogador Neymar, o que por ter pouca quantidade circulando entre seus amigos, seu valor tende a subir, sendo necessária no mínimo duas ou três figurinhas comuns para trocar. Mas para você, tais figurinhas não têm tanto valor, pois você possui várias e decide assim trocar um Neymar por dois cromos do David Luis.

Vendo essa situação de fora, não conseguimos entender como uma pessoa trocou o Neymar pelo David Luis, mas entendendo o mercado podemos ver que tal fenômeno se baseia no caráter subjetivo que o produto possui. Apesar de ambas as figurinhas terem o mesmo custo de produção e foram vendidas pelo mesmo preço, elas não possuem o mesmo valor no mercado.

O valor que os bens possuem para cada indivíduo constitui a base mais importante para a determinação do preço.

E quem define o que são cartas comuns ou raras? As próprias crianças. Sem precisar de uma mente superior que controle e dite o que precisa ser trocado, nem a interferência dos fabricantes, uma vez que alguém tentar corrigir essa “falha” de mercado, onde temos mais figurinhas do David Luis circulando do que o Neymar, a impressão em larga escala vai desvalorizar a cromo do Neymar e causar um distúrbio nas trocas de figurinhas.

Isso vai depender de local para local, não esperamos que o mesmo fenômeno no Brasil onde tendemos a escolher o Neymar ao Messi aconteça na Argentina, onde o jogador Messi é muito mais cotado do que o Neymar. Isso vai depender também da disponibilidade de recurso, um jogador em abundancia se torna um produto comum, mas um jogador em pouca quantidade o torna um recurso escasso.

Imagine agora um mercado grande e integrado, com milhares de pessoas participando, uma variedade de cromos. Com algumas trocas você consegue muitas figurinhas que não tem. Em pouco tempo, seu álbum está completo, você se livrou das cartas do Neymar e ao mesmo tempo ajudou involuntariamente várias crianças a completar seu álbum.

Um dos conceitos do Hayek é sobre a ordem espontânea do mercado, não precisamos ensinar o básico da economia para crianças, nem dizer o que elas devem ou não fazer. Elas simplesmente fazem, esse fenômeno não planejado é fruto da ação humana inerente a uma criança, é assim que surgem as trocas voluntárias, é assim que surgem o mercado e consequentemente a economia.

A economia é ação humana ao longo do tempo, nos mercados, sob condições de incerteza genuína.

Uma vez que a criança age com o seu próprio beneficio, ou seja, se livrar das cartas do Neymar, ela consegue trocar sua carta, sem importância para ela, por outras cartas que alguém considera não importantes. Sem uma mente superior controlando ou planejando, elas estão agindo apenas com seus próprios e pequenos conhecimentos dentro desse minúsculo universo naturalmente cooperando para satisfazer suas necessidades. Isso é o livre mercado, é isso que queremos.

Deixem que as energias criativas permaneçam desimpedidas. Simplesmente deixem que a sociedade se organize espontaneamente para que ela aja em harmonia com essa lição.

Por fim, a Teoria de Troca de Carl Menger ajuda a explicar o fenômeno onde pessoas vendem e compram bens e serviços entre si, e a determinação do valor vem pela valoração subjetiva dos agentes. Tal teoria foi aprimorada por Mises em seus ensaios sobre a praxeologia dizendo “o objetivo final da ação é sempre a satisfação de algum desejo do agente homem. O agente homem está ansioso para substituir uma situação menos satisfatória por outra mais satisfatória.”

Por isso, se você quer ensinar seu filho alguma coisa de economia, compre figurinhas para ele.

Sobre o Autor

Estudante da Universidade Católica de Brasília (UCB) e membro do Students For Liberty - Brasil.

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