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Com o frenesi do eclipse solar acabando, os consumidores que diligentemente protegeram seus olhos podem voltar suas atenções para uma lição fundamental da economia.

Um mês atrás, os maiores vendedores dos óculos de segurança para eclipse solar vendiam lotes de 10 por cerca de 4 dólares. Hoje1, porém, o mesmo produto é vendido por pelo menos 150 dólares. Inevitavelmente, acusações furiosas de “especulação de preços” surgem dos leigos em economia, que reclamam que os vendedores estão cobrando preços excessivos, explorando condições atípicas de mercado.

Como pode o valor de um item ter aumentado de forma tão significativa em um curto espaço de tempo, especialmente quando os óculos para eclipse custam apenas de 30 a 70 centavos de dólar para serem produzidos?

Preços sinalizam preferências

Os preços são uma função das preferências. Muitas pessoas que compraram os óculos muito baratos estão revendendo-os na internet por 40 dólares nas cidades vizinhas. Algumas pessoas que queriam ver o eclipse por 3 ou 10 dólares estão dispostas a abrir mão de vê-lo, caso algum vizinho ofereça 40 dólares pelos óculos. Os preços dos óculos são mais altos nos locais onde se tem a visão total do eclipse, onde esta memorável experiência visual torna a preocupação com a segurança mais desejável.

Como os óculos para eclipse tem usos limitados, seu valor como um recurso explode no dia do eclipse e despenca no dia seguinte. Dada esta relativa falta de utilidade no tempo, nós podemos ver facilmente que estes frágeis óculos de cartolina tornam possível a experiência de assistir ao eclipse ao vivo, evitando a cegueira.

Desenho de como foi o eclipse de agosto.

Tetos de preços causam escassez

Acusações de especulação de preços são frequentemente acompanhadas de pedidos por tetos de preços: um estabelecimento de um preço máximo arbitrário por algum bem ou serviço. Ao eliminar os sinais de preços que os consumidores enviam uns aos outros, os controles de preços distorcem a alocação de recursos escassos, resultando em escassez mesmo para aqueles que estão dispostos a pagar o preço de mercado. Altas de preços atípicas de gasolina ou água potável na passagem de um furacão, por exemplo, impõem uma disciplina que assegura que mais pessoas possam comprar apenas a quantidade de gasolina necessária para se deslocar para onde os recursos são mais abundantes, em vez de permitir que poucas pessoas encham seus tanques ao preço normal zerando o estoque para os demais. Os preços nos ajudam a determinar a utilidade marginal de cada litro de gasolina, ou o valor de troca do nosso desejo de ver um eclipse solar quando ele acontece.

Se os preços dos óculos são os mesmos em todos os lugares, sem dúvida que muitos seriam vendidos para as pessoas fora do campo de visão do eclipse, onde teriam pouca utilidade. As margens de venda funcionam como um incentivo aos especuladores também. Um armazém cheio de óculos para eclipse é vital em um dia, mas valerá quase nada dias depois; o risco deve ser compensado pela capacidade de cobrar um preço mais elevado quando o produto é mais desejado. Mas este preço é limitado pela demanda dos consumidores: se o vendedor precifica os óculos exageradamente, ele ainda os terá quando seu valor evaporar.

Os revendedores que muitas vezes determinam o preço de comprar não os venderão para ninguém que não esteja disposto a pagar este preço (se todas as trocas forem voluntárias) para desfrutar o eclipse em tempo real. O comprador e o vendedor tomam diferentes decisões sobre o quanto esta experiência vale a pena, e ambos estão certos.

O mito do valor objetivo

Preços são sinais que as pessoas usam para comunicar as diferenças nas preferências pessoais. Nós valorizamos itens diferentes mais ou menos uns dos outros, e mais em algumas vezes ou em alguns lugares que outros. Apenas um mês atrás, quando pouca atenção era dada ao eclipse previsto, poucos imaginavam gastar mais em uma experiência de dois minutos do que em um filme de duas horas. Porém quando o frenesi surge, muitos se veem dispostos a fazer exatamente isto, uma preferência sinalizada para nós através de suas compras. Os poucos vendedores que têm a prudência de estocar quando os preços estão baixos, se tornam aptos a oferecer os óculos para aqueles mais ávidos para ver o eclipse, conforme sinalizado pela disposição a pagar.

Uma vez testemunhei um professor de economia negociando um ingresso para um show lotado da Taylor Swift por um pacote de biscoitos. A jovem aluna aflita não conseguia acreditar em sua sorte, e o professor explicou seu alívio em não ter que “encarar esta batalha” enquanto comia calmamente seu biscoito. Naquela noite, a estudante assistiu ao show com a filha adolescente do professor, e ambas desfrutaram do show fazendo o preço pago valer a pena. O professor aproveitou sua noite tranquila longe da gritaria da multidão presente no show. Todos se consideraram melhores por terem feito a transação. Quem, se alguém, estava errado sobre o valor do ingresso?

Como o mercado produz felicidade

Aqueles que queriam ver o eclipse e que se viram sem os óculos conforme o grande dia se aproximava tiveram que decidir o quanto valorizavam a utilidade marginal dos óculos, ou o quão determinados estavam para assistir ao evento ao vivo. Eles sinalizam estas escolhas sobre seus valores pessoais para seus vizinhos pela disposição a pagar o que outros veriam como preços exorbitantes para persuadir os atuais proprietários dos óculos a ficar em casa. Alguém que não esteja disposto a abrir mão de seus óculos durante a escalada dos preços demonstra da mesma forma que prefere desfrutar do eclipse ao preço que um vizinho está disposto a pagar pelos seus óculos.

Em transações voluntárias entre atores dispostos (controles de preços e mercados negros subvertem isto), a especulação de preços é funcionalmente impossível. Preços são meros sinais de equilíbrio das preferências e considerações dos consumidores, resultando na distribuição de recursos escassos para aqueles que mais valorizam. Estas trocas voluntárias não têm que fazer sentido para quem está de fora mais do que a transação de um ingresso por um pacote de biscoito: ambos os participantes acreditam que melhoraram após a troca. O livre mercado, através do mecanismo de preços nos permite obter as coisas que mais valorizamos, oferecendo para outros o que eles mais valorizam.


Esse artigo foi originalmente publicado como In Defense of “Eclipse Glasses” Price Gougers para a Foundation for Economic Education.


Notas:

  1. O eclipse total do sol em questão ocorreu em 21 de agosto de 2017, principalmente nos Estados Unidos. (N. do E.)

Sobre o Autor

A Dra. Laura Williams ensina estratégia de comunicação a estudantes de graduação e executivos. Ela é uma fervorosa defensora do pensamento crítico e das liberdades individuais.

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