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Em defesa de mais liberdade econômica

por Alexander C. R. Hammond

Esta manhã1, o Instituto Fraser, um think-tank canadense, publicou a 22ª edição de seu relatório anual Liberdade Econômica no Mundo — LEM. Há muito tempo, sabemos que, em média, as economias mais livres são mais ricas, crescem mais rápido e têm uma expectativa de vida mais longa.

Mas a edição de 2018 do LEM nos dá mais indícios do que nunca da ligação intrínseca entre liberdade econômica e outras medidas de bem estar humano, como mortalidade infantil, igualdade, felicidade e taxas de pobreza extrema.

Os dados estão aqui

Para classificar o nível de liberdade de 162 economias, o LEM analisa 42 índices em cinco áreas principais (tamanho do Estado, sistema legal e direito de propriedade, moeda forte, liberdade para o comércio internacional e regulação), usando valores de 2016 – os mais recentes dados disponíveis.

Mapa da Liberdade Econômica no Mundo 2018

Mais uma vez, Hong Kong ocupa o primeiro lugar no ranking de LEM, posição que ocupa desde 1980. Singapura continua em segundo lugar, como tem feito desde 2005. Os próximos dez países mais livres são: Nova Zelândia, Suíça, Irlanda, Estados Unidos, Geórgia, Maurício, Reino Unido, Austrália e Canadá, estando os dois últimos empatados em 10º lugar. Os três países menos livres são a Argentina, Líbia e a Venezuela.

As posições das economias no LEM importam porque existe uma correlação significativa entre a liberdade econômica e o bem estar humano. Para analisar isso, o Instituto Fraser divide os 162 países medidos em quartis (ou seja, cada quartil representa um quarto dos países) com base em seu nível de liberdade econômica.

O que a liberdade econômica leva a você?

A renda média no quartil mais livre das nações é impressionantes 7,1 vezes maior do que a renda média no quartil menos livre (US$ 40.376 e US$ 5.649, respectivamente). Os 10% de renda mais baixa nos países mais livres ganham, em média, 7,9 vezes mais do que os 10% mais pobres no quartil menos livre. Comparativamente, a pobreza extrema (definida pelo Banco Mundial como uma renda de US$ 1,90 por dia) é quase inexistente nos países mais livres. Em comparação, quase um terço de todas as pessoas no quartil inferior das economias vivem em extrema pobreza. É claro, então, que para as pessoas mais pobres em qualquer sociedade, é inimaginavelmente melhor viver em uma economia mais livre.

Mas a liberdade econômica não está relacionada apenas com dinheiro. Observe a expectativa de vida, por exemplo. Nos países mais livres, as pessoas vivem em média 15 anos a mais do que as pessoas dos países menos livres. Para muitas pessoas, isso equivale à diferença entre conhecer os netos – ou morrer antes do nascimento.

A mortalidade infantil é outra medida que destaca o custo humano imensurável das políticas econômicas isolacionistas. Medida pela quantidade de mortes por 1000 nascimentos, a devastadora taxa de mortalidade nas nações menos livres economicamente é 6,8 vezes maior que a taxa dos países mais livre: 42,2 e 6,2, respectivamente.

Os problemas de misoginia também se insinuam. Ao olhar para o Índice de Desigualdade de Gênero da ONU, onde zero representa a igualdade completa de gênero e um representa a desigualdade completa, os países menos livres têm uma pontuação média de apenas 0,46, em comparação a 0,18 para o quartil mais livre.

Pessoas livres também são pessoas mais felizes. O Índice Mundial de Felicidade da ONU pediu que os entrevistados classificassem suas vidas em uma escala de zero a dez, com dez representando a melhor vida possível e zero representando o pior que se possa imaginar. Os países economicamente mais liberais vencem mais uma vez: o LEM mostra que o quartil mais livre tem uma pontuação média que é dois pontos mais alta que a pontuação dos países menos livres: 6,50 contra 4,48.

O mundo está ficando economicamente mais livre

Xanguai

Xanguai, China.

Há mais boas notícias. Apesar de nossa tendência ao pessimismo em relação ao estado atual do mundo, o LEM mostra que a liberdade econômica aumentou substancialmente nos últimos 25 anos e que os maiores ganhos foram obtidos nas nações em desenvolvimento.

Em 1990, a pontuação média de liberdade econômica para um país “industrial de alta renda” era de 7,18 em 10, comparado a apenas 5,28 para o país “em desenvolvimento” médio – uma diferença de 1,90. Em 2016, essa diferença havia diminuído em 46%: as economias em desenvolvimento estavam a meros 1,06 pontos atrás das nações industrializadas. O rápido aumento na pontuação LEM por muitas economias em desenvolvimento foi impulsionado principalmente por ganhos na área de liberalização do comércio e moeda forte (ou seja, a estabilização do poder de compra ao combater a inflação).

O resultado desses avanços é que, quando ponderada pela população, a pessoa média agora vive em uma economia muito mais livre. Considere isto: se o mundo de 1980 fosse um país hoje, sua pontuação de liberdade econômica o colocaria em 160º de 163 nações – classificando-se dois lugares abaixo da Síria devastada pela guerra. Mas se o mundo de 2016 fosse uma nação em 1980, seria a 12ª mais livre com uma pontuação de 6,62, ligeiramente acima da Austrália de 1980.

O último LEM mostra mais uma vez a ligação profunda e contínua entre a liberdade econômica e os indicadores importantes do bem estar humano, incluindo a riqueza, a redução da pobreza, a expectativa de vida, a desigualdade, a mortalidade infantil e a felicidade.

É claro que, apesar dos muitos desafios que permanecem, os mais pobres da sociedade continuam a se beneficiar ao máximo da garantia dos direitos de propriedade e da liberalização tanto das barreiras regulatórias quanto do comércio. Que os políticos se lembrem disso por muito tempo para que a marcha na direção de maior liberdade econômica continue.


Artigo originalmente publicado como The compelling case for greater economic freedom para o CapX.


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