Início Desigualdade e pobreza Corte a ajuda estrangeira para ajudar os pobres do mundo

Corte a ajuda estrangeira para ajudar os pobres do mundo

por Matt Warner

No final deste mês1, o Banco Mundial divulgará uma nova descoberta que associa a redução da pobreza a como é fácil para os governos do mundo fazer com que os pobres tomem decisões econômicas por conta própria. A descoberta coloca mais pressão sobre os EUA, o Reino Unido e outros grandes financiadores do desenvolvimento para que repensem suas estratégias de doação.

O relatório anual Doing Business classifica os países com base em questões como direitos de propriedade, abertura de empresas, pagamento de impostos, comércio, entre outros. A lista completa fornece uma espécie de lista de reformas para os países sérios em relação ao crescimento e a oportunidades econômicas. Promissora, a nova descoberta sugere que, para cada aumento de cinco pontos que um país pode alcançar na escala, um salto razoável, a pobreza diminui um ponto percentual.

Consequências não-intencionais

Por exemplo, no ano passado, uma organização de pesquisa e promoção de ideias na Índia, a Centre for Civil Society, pressionou e conseguiu a eliminação dos requisitos mínimos de capital para novos negócios, uma prática que sobrecarregava desproporcionalmente os pobres. Essa única reforma se traduziu no equivalente a 321.000 pessoas saindo da pobreza, graças à ampliação de escolha econômica na Índia.

A implicação é que os pobres sabem como sair da pobreza. Eles só precisam de mais oportunidades para fazer isso. A pergunta que devemos nos fazer é: “Até que ponto nossas atuais estratégias de ajuda ao desenvolvimento estão alinhadas com essa percepção?”

É uma pergunta que não é tão fácil de responder por causa de um fenômeno que poderíamos chamar de “o dilema do estranho”. Há algo intrinsecamente perturbador no progresso econômico quando pessoas de fora tentam resolver problemas econômicos em favor dos pobres. Isso porque, para certa surpresa, soluções para os problemas econômicos exigem muito menos conhecimento técnico do que conhecimento implícito, algo que pessoas de fora não possuem e não podem alcançar.

Veja um exemplo: especialistas externos, representando o “Projeto Aldeias do Milênio”, recomendaram e apoiaram financeiramente novas culturas e métodos agrícolas em uma aldeia ugandense. E funcionou. Os rendimentos das colheitas aumentaram significativamente, mas os aldeões acabaram infelizes, até mesmo ressentidos, porque não havia mercado para as colheitas, e elas logo apodreceram.

Como se viu, o custo para levar os caminhões até a vila para transportar a carga adicional para o mercado excedeu o valor das colheitas. Se os aldeões locais tivessem enfrentado o verdadeiro custo desse empreendimento e tivessem mais controle sobre ele, provavelmente teriam trazido seu conhecimento tácito e examinado a estratégia adiante.

A solução

O progresso econômico duradouro acontece quando o conhecimento implícito dos indivíduos impulsiona a tomada de decisões econômicas. A utilidade do relatório Doing Business se baseia nessa percepção.

Por implicação, também reconhece que dispensar, suprimir ou expulsar esse conhecimento por meio de regulação excessiva, instituições fracas ou programas de ajuda paternalistas, por mais bem intencionados que sejam, está em desacordo com o objetivo de erradicar a pobreza sistêmica. O que fazer?

Este mês, a Organização das Nações Unidas observará seu 25º Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, em 17 de outubro, uma oportunidade para refletir sobre nossos esforços filantrópicos até o momento. Também marca um pouco mais de seis meses desde que a comunidade de ajuda externa dos EUA começou a redigir uma grande reformulação de sua estrutura burocrática em Washington em resposta ao plano orçamentário proposto por Trump para reduzir a ajuda externa em 2018.

De maneira reconfortante, podemos dizer que o apetite por reformas parece generalizado e apartidário – mesmo que haja discordância sobre o melhor modo. Uma questão se sobressai em relação às outras, no entanto. Se a intervenção em si faz parte do problema, o que as pessoas de fora podem realmente fazer para ajudar? Essa organização sem fins lucrativos na Índia fornece uma pista.

Com um orçamento modesto, está conseguindo o que bilhões em ajuda governamental não conseguiram: duradoura oportunidade econômica. Existem outras.

Atualmente, há pelo menos 481 organizações de pesquisa e promoção de ideias em 92 países que promovem agendas de reforma para oferecer mais oportunidades econômicas e prosperidade para todos. O relatório Doing Business fornece um plano para a mudança.

Organizações locais de reforma, apoiadas por filantropia privada, fornecem a liderança para alcançá-la e os pobres do mundo nos mostrarão seus próprios caminhos para a prosperidade, se todos nós apenas aprendermos a sair de seu caminho.


Esse artigo foi originalmente publicado como Cut foreign aid to help the world’s poor para o CapX.

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1 comentário

Paulo Roberto de Almeida 23/08/2019 - 15:45

Há muito tempo já se sabe que ajuda externa não AJUDA, na verdade, países pobres. Peter Bauer já dizia isso desde o final dos anos 1950: não ajudem a África, apenas abram os seus mercados para os produtos africanos. Não o ouviram, e ficarm por mais de cinco décadas dispensando bilhões de dólares em ajuda externa, e a África só se inviabilizou. Mais recentemente William Eaterly, em White Man’s Burden, condenou a ajuda externa, demonstrando como os países ajudados na verdade retrocederam.

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