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Como o Uber promove a igualdade

por John O. McGinnis

Leitura de 3 minutos.

O Uber é uma empresa sob ataque dos políticos e da mídia. Muitos políticos, como Bill De Blasio, querem restringir seu crescimento para proteger as empresas de táxi existentes.

Outros querem desestabilizar seu modelo de negócios ao exigir que os motoristas que usam seus dispositivos sejam funcionários e não autônomos. O New York Times recentemente1 publicou uma história claramente sugerindo que a empresa estivesse usando truques psicológicos injustos para levar seus motoristas a continuar pegando passageiros.

Essas queixas não têm mérito. Proteger empresas estabelecidas contra novos concorrentes é uma forma clássica de se prejudicar os consumidores. Os motoristas do Uber não atendem aos critérios tradicionais para serem reconhecidos como empregados porque, entre outros fatores, a empresa não controla suas horas ou local de trabalho.

E, como Geoffrey Manne demonstra, as inovações no modelo de gestão que o Uber introduz através da compreensão da psicologia dos trabalhadores traz benefícios tanto para consumidores, quanto para motoristas.

Mas a perseguição ao Uber também ignora um benefício extremamente importante da empresa e de serviços similares: ela reduz a desigualdade, a qual esses mesmos políticos e os principais meios de comunicação afirmam ser a questão mais importante de nosso tempo.

Os consumidores amam o Uber

O Uber beneficia materialmente tanto o consumidor da classe média, quanto o motorista da classe média baixa.

Primeiro, o consumidor recebe um serviço que começa a parecer mais prestado por um motorista particular do que por um motorista de táxi.

Por exemplo, ele pode chamar um motorista sem aviso prévio e em minutos, apertando um botão de telefone no conforto de sua casa, em vez de acenar para um táxi no meio de uma tempestade. E tal qual quem possui um motorista particular, ele fica menos preocupado em como se movimentar pela cidade, mesmo em cidades desconhecidas.

Além disso, devido aos sistemas de avaliação para os motoristas, ele ganha mais confiança de que a qualidade do motorista se aproximará daquela de um motorista particular com o qual ele manteria um relacionamento de longo prazo.

Os motoristas se beneficiam

Os motoristas também se beneficiam com o Uber. A melhor prova é que eles geralmente ganham mais dinheiro, mesmo depois de pagas as despesas, do que os motoristas de táxi. O quanto mais depende do lugar em que eles dirigem.

Mas essa não é a sua única vantagem. Um artigo econômico recente mostrou que suas horas de trabalho flexíveis são equivalentes a uma enorme renda adicional para eles – cerca de 150 dólares por semana, em média.

E a flexibilidade não é o único benefício não monetário (chamado pelos economistas de diferenciais de compensação) que o Uber propicia.

Muitos motoristas do Uber me mencionaram como eles se sentem mais seguros do que quando eram motoristas de táxi. Seus passageiros podem ser rastreados porque tiveram que informar um cartão de crédito para pedir a viagem, diminuindo significativamente o risco de roubo e violência. E eu gostaria de acrescentar que a falta de anonimato também reduz conflitos entre motoristas e passageiros.

A inovação ajuda todas as classes de pessoas

Ambos perceberam que podem receber avaliações ruins por se comportarem mal. As elites sempre viveram num mundo onde elas podiam evitar os pequenos conflitos do cotidiano, mas o Uber elimina pelo menos uma fonte importante destes conflitos – aquela relacionada a motoristas e passageiros.

A contribuição do Uber para igualar nossas condições reflete tendências mais generalizadas de igualdade geradas pela tecnologia da informação.

A comunicação e a informação em tempo real são um substituto para o tipo de serviço pessoal que apenas as elites anteriormente podiam pagar.

Uber no lugar dos motoristas particulares, Google no lugar dos bibliotecários pessoais, Siri ou Alexa no lugar de secretárias. Claro que (ainda) não são substitutos perfeitos, mas eles nos conduzem para uma igualdade de consumo.

E melhores serviços de informação permitem horários de trabalho flexíveis para os empregados, o que também costumava ser restrito ao topo da pirâmide. Políticos honestos que se preocupam com a desigualdade deveriam estar comemorando o Uber e outras inovações tecnológicas.


Esse artigo foi originalmente publicado como Uber Is a Force for Equality para a Law and Liberty.


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