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Como o progresso transforma a escassez em abundância

por Marian L. Tupy
Steven Pinker
Steven Pinker, psicólogo.

Desde que publicou seu livro mais vendido, Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism and Progress1, Steven Pinker tem sido criticado por seu excessivo otimismo.

Escrevendo para a Open Democracy, Jeremy Lent argumenta que Pinker não está suficientemente preocupado com o esgotamento dos recursos naturais do planeta, incluindo as reservas de água doce. Ele culpa o psicólogo da Universidade de Harvard por adotar uma “crença neoliberal e tecnocrática de que uma combinação de soluções baseadas no mercado e avanços tecnológicos resolverá magicamente todos os problemas ecológicos.”

O problema com o argumento de Lent é que as soluções tecnológicas e aquelas baseadas no mercado realmente são uma parte importante dos esforços da humanidade para superar os desafios ambientais. Se você não está convencido, basta olhar para os esforços de dessalinização de Israel.

O progresso não mágica, mas é quase

Lent observa algumas tendências ambientais preocupantes, incluindo “o aumento das emissões de CO2; o declínio da água doce disponível; e o aumento do número de zonas oceânicas mortas devido ao escoamento de fertilizantes artificiais.”

Pinker não nega a existência desses desafios. “Progresso não é o mesmo que mágica”, escreve ele. “Sempre há avanços e retrocessos. (…) É claro que precisamos estar atentos ao pior revés possível, guerra nuclear, e o risco de reversões permanentes, como os piores cenários de mudanças climáticas.”

Usina de desalinização em Israel.
Usina de desalinização em Israel.

Tomemos, por exemplo, o suprimento de água doce. Entre 1962 e 2014, os recursos hídricos renováveis por pessoa caíram de 17.220 metros cúbicos para 7.462 metros cúbicos. No entanto, observe que 71% da superfície da Terra é coberta por água.

O que é necessário nas áreas mais afetadas pela seca, como o norte da África e o Oriente Médio, é um processo financeiramente acessível de dessalinização que separa as partículas de sal das moléculas de água. Israel foi pioneiro em um método de dessalinização que torna a água doce consumida pelos lares israelenses 48% mais barata do que aquela consumida pelo população de Los Angeles.

A dessalinização, escreve Rowan Jacobsen na Scientific American:

(…) funciona empurrando a água salgada por membranas com poros microscópicos. A água passa, enquanto as moléculas de sal que são maiores são deixadas para trás. Mas os microrganismos na água do mar rapidamente colonizam as membranas e bloqueiam os poros, e controlá-los requer limpeza periódica e intensiva em produtos químicos. Mas [o cientista israelense] Bar-Zeev e seus colegas desenvolveram um sistema livre de químicos usando pedras de lava porosas para capturar os microrganismos antes que eles cheguem nas membranas. (…) Israel agora obtém 55% de sua água doméstica da dessalinização, e isso ajudou a transformar um dos países mais secos do mundo no mais improvável gigante das águas.

Livre iniciativa não é um problema, é a solução

Lent critica Pinker por não “levar em conta os motores estruturais do sobreuso [ambiental]: uma economia global baseada no crescimento e dependente da crescente monetização dos recursos naturais e da atividade humana.”

Na realidade, a livre iniciativa não é o problema. É a solução. A escassez relativa leva a preços mais altos, preços mais altos criam incentivos para inovações, e as inovações levam à abundância.

A escassez é convertida em abundância através do mecanismo de preços, que funciona desde que a economia seja baseada em direitos de propriedade, o Estado de direito e o comércio livre. Em economias relativamente livres, os recursos não se “esgotam” da maneira que Lent teme – como testemunha está o fato de que a Terra ainda não esgotou um único recurso não renovável.

Isso é porque a totalidade de nossos recursos, incluindo água doce, não é fixa. Sim, o número total de átomos na Terra é finito, mas as maneiras pelas quais esses átomos podem ser combinados e recombinados são infinitas.

O que importa, então, não são os limites físicos de nosso planeta, mas a liberdade humana de experimentar e reimaginar o uso dos recursos que temos. Como escreve Paul Romer, professor de economia da New York University:

Elementos da Tabela Periódica

Para termos uma noção de quanto alcance existe para mais destas descobertas, podemos calcular o seguinte. A tabela periódica contém cerca de cem tipos diferentes de átomos. Se uma receita é simplesmente uma indicação de se um elemento está incluído ou não, haverá 100 x 99 receitas como a do bronze ou do aço que envolvem apenas dois elementos. Para receitas que podem ter quatro elementos, existem 100 x 99 x 98 x 97 receitas, que são mais de 94 milhões. (…) Matemáticos chamam este aumento no número de combinações de “explosão combinatória”. Quando você chega a dez elementos, haverá mais receitas do que segundos desde que o Big Bang criou o universo. À medida que você continua, fica óbvio que houve poucas pessoas na Terra, e muito pouco tempo desde que chegamos, para termos tentado mais do que uma fração minúscula de todas as possibilidades.

O progresso é possível por causa da liberdade

Em contraste com as economias livres, as sociedades estatistas sem direitos de propriedade, Estado de direito e comércio livre tendem a ser piores protetores do planeta. A União Soviética e a China maoísta, por exemplo, eram abusadores irresponsáveis de seus recursos, incluindo o recurso mais precioso de todos – os seres humanos.

A maior distinção entre sociedades livres e estatistas é o valor que elas atribuem à vida humana. Sociedades livres tratam os seres humanos como um recurso valioso, porque só os humanos têm ideias e energia criativa para converter essas ideias em inovações. Em contraste, as sociedades estatistas tendem a pensar nos membros da raça humana como passivos. Como tal, a estrada para as utopias estatistas está repleta de cadáveres.

Dentro do contexto de uma economia de mercado, os seres humanos não apenas usam recursos, mas os reabastecem e os ampliam. Como tal, as usinas de dessalinização de Israel fornecem água potável não apenas para os israelenses, mas também para os habitantes da Cisjordânia, e esforços diplomáticos estão sendo feitos para fornecer água potável israelense aos países árabes vizinhos. Isso é progresso.


Artigo originalmente publicado como How progress turns scarcity into abundance para o CapX.


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