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Benefícios empregatícios são resultado da competição

por John Tamny

Em 2017, o popular site de empregos e recrutamento Glassdoor listou alguns dos benefícios empregatícios mais generosos oferecidos no mercado de trabalho. A Ikea oferece até quatro meses de licença parental remunerada1, não apenas para funcionários da sede, mas também para os trabalhadores em meio período em suas lojas de varejo. O pacote de benefícios da Ikea é clara e apropriadamente relacionado à retenção de funcionários, e portanto a única exigência é que o funcionário em tempo integral ou parcial já trabalhe na empresa por pelo menos um ano para se beneficiar disso.

O notável aqui é que a Ikea não está sozinha. Embora seja comum à esquerda e à direita sugerir que os salários estão estagnados à medida que as prósperas empresas e seus investidores fiquem com todos os ganhos, no mundo real há uma concorrência interminável entre as empresas para os melhores e mais brilhantes funcionários.

O Facebook quer tanto atrair e reter os melhores trabalhadores que oferece tratamento de saúde e habitação gratuita… para os seus estagiários. Esforçando-se em dar o melhor de si com o seu capital humano, sem o qual as empresas não poderiam prosperar, o Glassdoor informa que “muitos estagiários do Facebook relatam ganhar mais de US$ 7.000 por mês.”

Em finanças, a American Express oferece uma generosa licença parental, após a qual os pais “têm acesso a um consultor de lactação 24 horas por dia.” As mães que viajam podem enviar seu leite materno para casa gratuitamente. A Goldman Sachs oferece “cirurgia de mudança de sexo” desde 2008.

A Scripps Health, sediada em San Diego, não fornece apenas assistência médica. Muito consciente de que não há nada mais caro do que os empregados de baixo custo, seu sistema de saúde muito bem avaliado oferece seguro de saúde para seus cães e gatos. Tal é a vida – e o trabalho – num país definido pela prosperidade sem fim, juntamente com – sim – a desigualdade de riqueza que invariavelmente precede todas as vantagens.

Escritório do Google em Tel Aviv.
Escritório do Google em Tel Aviv

Se alguém duvidar da última afirmação acima, eles podem ler sobre americanos ricos como Jeff Bezos, Mark Zuckerberg e Sergey Brin, e depois seguir com pesquisas sobre os benefícios oferecidos para os funcionários da Amazon, Facebook e Google2. Estude um fundador de empresa incrivelmente rico, e você descobrirá benefícios empregatícios inacreditáveis.

O que nos leva a um recente artigo do New York Times de Moshe Marvit e Shaun Richman. Intitulado “Uma maneira melhor de proteger os trabalhadores”, os leitores podem imaginar que a falsa solução dos dois acadêmicos para proteger os trabalhadores envolve legislação sem fim vinda de Washington, seguida pelo uso da força pela mesma entidade. Refutar este artigo seria insultar a inteligência dos leitores e desperdiçar seu tempo. O que é útil mencionar é que a esquerda ainda acredita que o que é bom no mundo pode ser decretado por pensadores e políticos, ao invés de surgir da competição causada pelo mercado. Os autores não se incomodam com a realidade, mas isso é apenas uma amostra do óbvio.

Ainda assim, esses estudiosos levantaram um ponto interessante, que o Times decidiu destacar. Como Marvit e Richman enxergam as coisas, “você não deveria ser demitido por usar um dia de afastamento para cuidar de seu filho.” Sobre essa afirmação, há 100% de concordância aqui. Ser pai é um desafio, e cuidar de uma criança doente não deveria ser o caminho para o desemprego.

O mais importante em relação a todas as oportunidades de trabalho que empresas como Amex, Facebook, Goldman e Scripps têm a oferecer é que elas provavelmente também concordariam com os acadêmicos. Nessas empresas, simplesmente não há dúvida de que os executivos concordariam com o que Marvit e Richman pensam sobre os dias usados para cuidar de crianças doentes.

No entanto, aqui está algo crucial que Marvit e Richman não entendem. Os executivos das companhias blue-chip3 mencionadas anteriormente acreditam que cuidar dos filhos não é uma falta passível de demissão por uma necessidade competitiva. Meros sentimentos não dirigem suas visões da mesma forma que obscurecem o academicismo de Marvit e Richman. Todas as empresas mais prósperas, e plenamente conscientes de que sua prosperidade é um efeito das pessoas produtivas que aparecem para trabalhar todos os dias, nunca instituiriam políticas que pudessem fazer com que seus funcionários fossem para outro lugar.

Marvit e Richman claramente não percebem que no mundo real há uma contínua guerra do tipo sem tiros pelos trabalhadores. Essa guerra incansavelmente beneficia o trabalhador simplesmente porque as empresas dedicam muito tempo e esforço para descobrir maneiras de atraí-los e retê-los.

Afirmando o óbvio, empresas em crescimento não precisam de uma lei. Mais uma vez, cientes de que vantagens e benefícios importam para aquilo que é precioso (funcionários), eles entendem que Washington está sempre atrasado quando se trata de praticamente qualquer coisa. Indo direto ao ponto, se eles esperassem Washington para decretar direitos positivos, eles estariam fora do mercado. Então, ao invés de esperar, eles trazem os benefícios por conta própria. Eles precisam fazê-lo. Somente em um mundo irreal povoado por acadêmicos, economistas e acadêmicos pagos para passar seus dias “pensando”, salários baixos e benefícios restritivos são uma meta corporativa. Onde os lucros são uma necessidade, é bem compreendido que mão de obra barata é muito cara.

Mãe e bebê

Então sim, famílias são importantes. Crianças doentes também. As famílias estão em melhor situação quando os pais podem ficar em casa para cuidar de seus filhos doentes. Mas não vamos nos esquecer por que os funcionários conseguem fazer isso, enquanto desfrutam de muitas outras vantagens corporativas que aparentemente crescem em criatividade a cada dia. É tudo um efeito da prosperidade corporativa. Então, quando os esquerdistas condenam os cortes de impostos corporativos ou pedem altos níveis de tributação para as mesmas pessoas cuja riqueza não utilizada é o que torna as empresas possíveis (sim, os ricos), eles estão colocando a mira nas mesmas vantagens que eles consideram tão necessárias.

Deve-se dizer que uma aversão à força do Estado e aos chamados direitos positivos sonhados por legisladores não é uma aversão a pessoas e trabalhadores. É apenas um reconhecimento da realidade. A realidade é que tudo o que é bom no local de trabalho é um efeito dos lucros que tornaram o bem possível. Nesse caso, o caminho para benefícios surpreendentes é a própria prosperidade corporativa que tantos acadêmicos, economistas e pensadores consideram a barreira para eles.


Artigo originalmente publicado como When It Comes to Employee Benefits, The Left Can't Have It Both Ways para o Real Clear Markets.


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