Artigos de Felipe Lungov

Diferentes povos e culturas ao longo da história humana tiveram diferentes percepções sobre a moralidade do lucro. A professora Deirdre McCloskey merece especial destaque no estudo de como nos séculos XVII e XVIII as pessoas em alguns países da Europa passaram a ver empreendedores e inventores como ocupações moralmente honradas, e como essa nova percepção desencadeou uma extraordinária evolução nas condições de vida da população nesses países e, mais tarde, no mundo. Não obstante, a busca do lucro é sempre apontada como um dos causadores dos males da sociedade. Diante desse paradoxo, é natural nos perguntarmos, em primeiro lugar, o que é exatamente o lucro? E depois, a partir daí,…

Muitas das discussões sobre políticas econômicas simplesmente ignoram de onde vêm os recursos de que as pessoas precisam. Como disse recentemente Gustavo Franco sobre a situação na Argentina, algumas pessoas pensam que o leite vem da geladeira. Distribuição é confundida com produção, e pouco se busca entender a relação entre quaisquer das variáveis citadas no título. Meu objetivo com esse artigo é oferecer um piso mais sólido em cima do qual essas discussões possam ser construídas. Comecemos com a produção: produzir (em economia) é o ato de criar um bem ou serviço. Quando um confeiteiro está misturando os ingredientes de seu bolo, ele está produzindo um bolo. Antes de começar,…

Um dos motivos porque algumas pessoas veem o liberalismo econômico com certo ceticismo é a impressão que têm de que ele faria piorar a situação da população pobre. Pressupõe-se que é o Estado que garante a essas pessoas um mínimo de qualidade de vida, e que retirar essa muleta seria condená-los à inevitável miséria. Esse artigo investiga se essa impressão tem ou não respaldo na realidade. Faremos isso comparando, para todas as 114 economias para as quais há dados disponíveis, seu grau de liberdade econômica e o padrão de vida de sua população mais pobre. Se a suposição acima for verdadeira, encontraremos uma relação negativa entre essas duas medidas. Do…

Os países nórdicos europeus são frequentemente lembrados por entusiastas de Estados prolixos como exemplos de sucesso das políticas que defendem. Nesse artigo, vamos investigar a história econômica recente do mais citado deles: a Suécia. A análise geralmente feita é simples e superficial: a Suécia é um país rico e sem pobreza, seu governo interfere na economia e distribui generosos benefícios à população, logo o Estado é um agente importante na redução da pobreza e no desenvolvimento econômico. É preciso uma análise mais rigorosa para perceber que a realidade não é bem assim. Do começo do século XIX até hoje, é possível enxergar cinco fases distintas na economia sueca. Vamos analisar…

Em condições normais de mercado (ou seja, quando não há qualquer interferência do governo em seu funcionamento), um aumento na demanda por um determinado bem ou serviço desencadeia uma série de efeitos: Esse aumento na demanda faz com que o preço do produto suba, porque agora há mais consumidores disputando a mesma quantidade do produto que havia antes. Esse aumento de preços faz com que o lucro dos produtores nesse setor também aumente, já que não houve qualquer alteração em seus custos, mas agora estão vendendo a um preço maior do que antes. Esse aumento de lucros aumenta a quantidade ofertada do produto por conta de dois movimentos distintos: Os…

Para responder essa pergunta, que tal uma historinha? Na terra de Biralândia, há apenas duas cidades: Birabora, com 300 mil habitantes, e Biraborinha, com 200 mil habitantes. As duas ficam a 20km de distância uma da outra, e não há estrada asfaltada que as conecte. A única opção que têm aqueles que desejam ir de uma cidade a outra é por uma estrada de terra batida. As pessoas que têm amigos e parentes na cidade vizinha gostariam que houvesse uma rodovia interligando as cidades, de modo a tornar mais rápida, confortável e segura a viagem. A questão é: eles estariam dispostos a pagar por ela? Os interessados pediram a uma…

Vamos responder essa pergunta com um exemplo hipotético. Primeiro, vamos imaginar um mundo onde há apenas duas ilhas: Jaymaca, de belas praias ensolaradas, e Glas-Betanha, de clima sempre fechado e chuvoso. Os habitantes de Glas-Betanha têm muito apreço por água de coco, e podem comprar o refresco de produtores locais ou importá-lo da Jaymaca. Vamos analisar essas duas possibilidades. Para os produtores betanhos, lhes custa $1,00 por litro executar todo o processo que se inicia em plantar os coqueiros e termina ao engarrafar a bebida. Porque os produtores jaymacos contam com clima mais adequado para essa atividade, seus coqueiros dão mais cocos por ano, e seus cocos ainda são maiores…

Um dos números mais trazidos para discussões sobre liberalismo econômico é o índice de Gini, criado em 1912 pelo italiano Corrado Gini. Esse índice (que é melhor descrito como um coeficiente) pode ser usado como medida de dispersão de qualquer variável de uma amostra, como altura, peso, número de filhos, etc... Mas seu uso mais comum é medir a desigualdade de renda entre as pessoas de uma economia. Apesar de sua fórmula matemática ser complexa, ele é relativamente simples de ser explicado com um exemplo. Podemos supor uma economia de apenas dez pessoas, sendo que a renda da primeira delas é de R$ 1.000, a da segunda é de R$…

Em uma economia onde todos os bens são produzidos pela iniciativa privada e não há interferência nos preços por parte do governo, o preço desses bens são determinados por oferta e demanda. Ou melhor, são determinados por uma livre concorrência entre os produtores e por outra livre concorrência entre os consumidores. Se há concorrência entre os consumidores, isso significa que nem todos conseguirão comprar tudo o que precisam. Nesse cenário, é muito tentador para alguns políticos fixar preços máximos para aquilo que julgam "artigos essenciais" para as famílias. Na cabeça deles, isso iria fazer com que mais famílias (e principalmente as mais pobres) tivessem acesso a esses bens essenciais. Há…

Muita gente pensa que a liberdade econômica é boa para os ricos e ruim para os pobres. Geralmente se acredita que há uma competição entre as pessoas, uma luta de classes, e que se o Estado deixá-las interagirem sozinhas entre elas, os ricos sempre levarão a melhor, e os pobres estarão em situação cada vez pior. A partir daí se justifica uma série de intervenções do Estado na economia: impostos elevados, enormes empresas estatais, regulamentação de setores da economia, da relação trabalhista entre empregado e empregador, e por aí vai. Mas será que a premissa onde tudo isso se baseia é mesmo verdadeira? Esse post investiga qual é a real…

Você já se perguntou o que leva os países a praticarem comércio exterior? Em teoria, cada país poderia produzir tudo aquilo que consome e não comprar nada de fora; mas esse não é o caminho geralmente escolhido. Vamos entender porquê. Adam Smith demonstrou em 1776 que por conta de cada país ser mais eficiente do que outros na produção de determinados itens, haveria uma tendência - mutuamente benéfica - de cada um concentrar sua mão-de-obra na produção daquilo que faz com mais eficiência, vender o excedente para outros países, e importar todos os demais bens que necessite. Smith estava tentando responder pensadores mercantilistas de seu tempo, que acreditavam que os…

Antes de começar essa investigação, precisamos nos fazer uma outra pergunta: o que determina o salário e os benefícios pagos pelo empregador ao empregado? Quais são os fatores que determinam que trabalhador A ganhe X e trabalhador B ganhe Y? Uma resposta rica e completa para essas perguntas demandaria um curso de microeconomia praticamente inteiro. Mas um exemplo simples nos ajudará a entender alguns pontos importantes. Vamos imaginar que Paulo tem uma fábrica e Fábio, sem emprego, visita essa fábrica para uma entrevista. Se for contratado, o trabalho de Fábio aumentará os lucros da fábrica em R$ 3.000 por mês. Então, se Paulo o contrata por qualquer salário abaixo desse,…

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