A última terça-feira1 marcou o 25º aniversário do Dia Internacional das Nações Unidas para a Erradicação da Pobreza. A data intencionalmente coincide com o trigésimo aniversário do Call to Action2, que viu o ativista francês contra a pobreza, padre Joseph Wresinski, pedir à comunidade internacional, diante de 100 mil parisienses, um “esforço para erradicar a pobreza extrema”.

Para marcar a ocasião, António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, apareceu em um pequeno vídeo avaliando o estado atual da pobreza mundial. Apesar de ter apontado questões como desemprego, desigualdade e conflito que continuam em algumas regiões, Guterres observou corretamente que, desde 1990, o mundo fez “progressos notáveis na erradicação da pobreza”.

Embora seja valioso reconhecer que os problemas continuam, é importante refletir sobre o quão longe chegamos.

Aliviando a pobreza rapidamente

O ritmo no alívio da pobreza nos últimos 25 anos tem sido historicamente sem precedentes. Não só a proporção de pessoas na pobreza chegou a um nível mínimo histórico, mas, apesar do aumento de 2 bilhões à população do planeta, o número total de pessoas que vivem em extrema pobreza também caiu.

Como Johan Norberg escreve em seu livro Progress:

Se você tivesse que escolher uma sociedade para viver, mas não soubesse qual seria sua posição social ou econômica, você provavelmente escolheria a sociedade com a menor proporção (não o número mais baixo) de pobreza, porque este é o melhor julgamento da vida de um cidadão comum.

Bem, em 1820, 94% da população mundial vivia em extrema pobreza3. Em 1990, esse valor foi de 34,8%, e em 2015 apenas 9,6%.

No último quarto de século, mais de 1,25 bilhões de pessoas escaparam da pobreza extrema – o que equivale a mais de 138 mil pessoas (ou seja, 38 mil a mais do que a multidão parisiense que recebeu o padre Wresinski em 1987) sendo tiradas da pobreza todos os dias. Se você demorar cinco minutos para ler este artigo, outras 480 pessoas terão escapado dos grilhões da extrema pobreza no momento em que você terminar. O progresso é incrível. Em 1820, apenas 60 milhões de pessoas não viviam em extrema pobreza. Em 2015, 6,6 bilhões não vivem.

Agora vamos considerar aquelas pessoas que ainda estão presas na extrema pobreza. O site do pesquisador da Universidade de Oxford Max Roser, Our World in Data4, utilizou dados do Banco Mundial para estimar que em 2013 havia 746 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza. Destas pessoas, pouco mais de 380 milhões moravam na África, sendo na Nigéria o maior número (86 milhões). Enquanto isso, 327 milhões daqueles em extrema pobreza viviam na Ásia, com a Índia de longe com a maior proporção (218 milhões). A China tinha 25 milhões. Os 35 milhões restantes viviam na América do Sul (19 milhões), América do Norte (13 milhões), Oceania (2,5 milhões) e Europa (0,7 milhão).

Dito de outra forma, daqueles que viviam em extrema pobreza, mais de 40% residiam em apenas duas nações: Índia e Nigéria.

O mais pobre dos pobres

Desde suas reformas de liberalização econômica em 1991, a renda média na Índia aumentou 7,5% ao ano. Isso significa que a renda média mais do que triplicou ao longo do último quarto de século. À medida que a riqueza aumentava, a taxa de pobreza na Índia diminuia quase 24%. Mas, de forma mais significativa, para os Dalits – a casta mais pobre e mais baixa da sociedade indiana – a taxa de pobreza durante este período diminuiu ainda mais rapidamente, em 31%. Isso significa que, na nação que tem de longe o maior número de pessoas em extrema pobreza, são as pessoas no fundo dos estratos sociais que estão ficando mais ricas mais rapidamente.

Uma tendência semelhante pode ser observada na Nigéria. Desde o novo milênio, a renda interna bruta per capita aumentou em mais de 800%, de US$ 270 para mais de US$ 2.450. Há muito trabalho a ser feito, mas esse nível de progresso mostra que, mesmo nos países mais pobres, a velocidade do crescimento econômico é encorajadora.

Para ajudar os mais pobres, considere o impacto que o capitalismo de livre mercado teve nos últimos 200 anos no alívio da extrema pobreza. A Revolução Industrial transformou os países ocidentais então pobres em sociedades abundantes. A nova era da globalização, que começou em torno de 1980, viu o mundo em desenvolvimento entrar na economia global e resultou na maior fuga da pobreza já registrada. Isso é algo que o falecido padre Wresinski teria desejado celebrar.


Esse artigo foi originalmente publicado como The World’s Poorest People Are Getting Richer Faster than Anyone Else para o Foundation for Economic Education.


Notas:

  1. Esse artigo foi originalmente publicado no dia 27 de outubro de 2017. (N. do E.)
  2. Call to action é um termo usado em marketing e é geralmente traduzido como “chamada para ação”. Ele se refere a uma chamada para ação imediata do público-alvo. (N. do T.)
  3. Menos de US$ 1,90 por dia ajustado pelo poder de compra. (N. do A.)
  4. Nosso mundo em dados, em tradução livre. (N. do T.)

Sobre o Autor

Pesquisador-assistente junto ao humanprogress.org.

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