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Já apresentei muitos argumentos contra os aumentos de impostos, focando principalmente em por que as alíquotas mais elevadas irão enfraquecer o crescimento e incentivar mais gastos governamentais.

Hoje, vamos ver um exemplo prático do mundo real.

Escrevi uma coluna para o The Hill mostrando por que a Grécia é um acidente de trem fiscal e econômico. Há muita contextualização e histórias interessantes no artigo, incluindo o fato de que a Grécia se meteu na bagunça ao gastar demais, e também explicando que políticos como Merkel só se envolveram porque queriam resgatar seus bancos locais que ingenuamente emprestaram muito dinheiro ao governo grego.

Mas a parte mais notável da minha coluna foi expor o fato de que a “austeridade” não funcionou na Grécia porque o setor privado foi sufocado por grandes aumentos de impostos.

A troika […] impôs o tipo errado de reformas fiscais. […] O que ocorreu de mais importante foi que os políticos gregos aumentaram dramaticamente a carga tributária já punitiva do país. A base de dados fiscais da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento conta uma história sórdida.

Na véspera da crise, a carga tributária na Grécia totalizava 38,9% do PIB. Este ano, os impostos deverão atingir 52,0% da produção econômica.

Todos os principais impostos na Grécia aumentaram dramaticamente, incluindo impostos de renda das pessoas, impostos sobre o rendimento das empresas, impostos sobre mercadorias e serviços e impostos sobre propriedades. Tem sido um impostopalooza1.

O que aconteceu no lado dos gastos das contas fiscal? Houve cortes orçamentários “selvagens” e “draconianos”?

Houve alguns cortes, mas a carga das despesas do governo ainda é pesado na economia grega. As despesas totalizaram 54,1% do PIB em 2009, e agora o governo está consumindo 52,2% da produção econômica.

Para constar, os números dos gastos pareceriam melhores se a economia estivesse mais forte. Em outras palavras, o desempenho da Grécia não seria tão sombrio se o PIB crescesse em vez de encolher.

E é por isso que aumentos de impostos são tão equivocados. Eles dão aos políticos uma desculpa para evitar cortes tão necessários de gastos, ao mesmo tempo que dificultam o crescimento, o investimento e a criação de emprego.

Vamos fechar revisando o desempenho da Grécia de acordo com o Índice de Liberdade Econômica. A pontuação geral para a Grécia caiu ligeiramente desde 2009, mas a história real é que a pontuação fiscal da nação piorou drasticamente, caindo de 5,61 para 4,66 em uma escala de 0 a 10.

Em outras palavras, durante o período em que a Grécia deveria ficar sóbria e se tornar mais responsável no âmbito fiscal, os políticos entraram numa orgia de aumentos de impostos, e a Grécia passou de uma nota de reprovação na política fiscal para uma nota de reprovação miserável.

Aqui está um gráfico relevante do site Economic Freedom of the World. Como você pode ver, a pontuação está caindo há uma década, não apenas desde 2009:

Este é um resultado notável. Os políticos gregos deveriam estar tentando empurrar a nota fiscal do país para pelo menos 7, se não 8.

Em vez disso, a pontuação tem ido na direção errada devido ao aumento de impostos.

Embora eu não espere que Hillary e Bernie2 aprendam a lição correta.


Esse artigo foi originalmente publicado como Greece and the Folly of Trying to Solve an Overspending Problem with Tax Increases para o International Liberty.


Notas:

  1. No original, o autor usou a palavra taxpalooza, claramente em referência ao festival (nesse caso de música, e não de aumento de impostos) Lolapalooza. (N. do T.)
  2. Hillary Clinton e Bernie Sanders foram pré-candidatos dentro do Partido Democrata, nas prévias presidenciais nos Estados Unidos. (N. do E.)

Sobre o Autor

É ex-colaborador sênior do Cato Institute. É presidente do Center for Freedom and Prosperity, uma organização criada para defender e promover impostos competitivos. Previamente, Dan serviu como colaborador sênior no The Heritage Foundation e foi economista do senador Bob Packwood e do comitê de finanças do Senado. Recebeu seu Ph.D em economia da George Mason University e graduação e mestrado em economia da University of Georgia.

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