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A Economia compartilhada não levará ao desemprego em massa

por Simon Sarevski

Pense no que foi chamado de “a economia compartilhada de hoje“. A queda nos custos de transação, iniciada pela tecnologia moderna, criou possibilidades completamente novas para os empreendedores. O que era inimaginável apenas dez anos atrás é agora uma realidade.

Os limites que dividem compartilhar e alugar estão desaparecendo. E apesar desse novo fenômeno moderno ser uma dádiva para os consumidores e para a sociedade como um todo, é uma enorme dor de cabeça para os atuais ocupantes. Uma vez que aqueles que obtiveram sucesso por algum tempo detectam uma ameaça ao seu próprio bem-estar e à sobrevivência de seus negócios no futuro, eles tocam a campainha dos legisladores. Tais exemplos são fáceis de encontrar – basta olhar para as muitas tentativas de regular ou mesmo banir serviços como Airbnb e Uber em muitas das principais cidades do mundo nos últimos anos.

Embora possa haver algum mérito nestas regulações – é difícil traçar a linha entre o que é uma empresa de táxis e uma empresa de rede de transporte, principalmente entre os vocabulários coloquial e jurídico – a pergunta que precisa ser feita não é como se deve regular as empresas emergentes, mas como desregulamentar aquelas que estão presas no século 20. Para os legisladores, a perspectiva de longo prazo é ainda mais sombria do que para o status quo. Com mudanças acontecendo a uma velocidade cada vez maior, manter-se atualizado com inovações pode se tornar impossível de gerenciar.

Assustando em relação ao futuro

Com a economia compartilhada, outro movimento ludista moderno nasceu. O medo é que por conta da redução nos custos de transação combinada com a automação, os empregos desaparecerão rapidamente dando origem ao desemprego em massa.

Se acreditarmos em Michael Munger, os custos de transação cairão dramaticamente no futuro. Por um lado, isso resultará em preços relativos mais baixos, mas, ao mesmo tempo, muitas pessoas perderão seus empregos.

Não obstante, o mais novo temor de desemprego em massa é, mais uma vez, infundado. A primeira coisa que precisamos lembrar é que vivemos em um mundo de escassez. Como Don Boudreaux nos recorda, não importa o quanto a tecnologia avance ou os custos de transação caiam, enquanto houver escassez, haverá desejos humanos não atendidos. E enquanto houver desejos humanos não atendidos, há empregos em potencial – empregos para satisfazer esses desejos.

Replicador de alimentos do Star Trek.

Veja o caso de alimentos, por exemplo. Estamos todos acostumados com a ideia de comida futurista, seja a da refeição em uma pílula, a pizza do “De volta para o futuro” se expandindo, ou o replicador de alimentos de Star Trek. E de alguma forma, alimentos já se tornaram um tema da economia compartilhada com serviços como Uber Eats e Deliveroo1. No entanto, não obstante o quão bom o serviço está se tornando, é improvável que qualquer garçonete ou outro trabalhador de restaurante se tornem desnecessários no futuro. Afinal, apesar dos ganhos de eficiência, os seres humanos são seres sociais e ainda desfrutarão de experimentar comida na companhia de pessoas que eles gostam, em um lugar que eles gostam, mais do que receber sua comida de estranhos e comer em suas camas.

O problema da “pretensão do conhecimento”

Além disso, da mesma forma que muitos empregos não existiam antes da introdução da internet, os empregos do futuro ainda não existem hoje em dia. De fato, não podemos nem imaginar quais necessidades de trabalho poderão surgir nas próximas décadas. Que nem mesmo o “melhor dos melhores” pode prever o que acontecerá dentro de alguns anos foi demonstrado muitas vezes. Por exemplo, o economista que se tornou polemicista do New York Times, Paul Krugman, disse em 1998 que “o crescimento da internet diminuirá drasticamente. (…) Por volta de 2005, ficará claro que o impacto da internet na economia não foi maior do que o das máquinas de fax.”

Cada geração tem seus próprios desafios em magnitudes nunca vistas antes. Naturalmente, este também será o caso dos próximos desafios. Mas ter a “pretensão de conhecimento” para interferir nesses processos pode não apenas sufocar o progresso, mas até mesmo voltar a humanidade no tempo.

Esse artigo foi originalmente publicado como The Sharing Economy Won’t Lead to Mass Unemployment para a Foundation for Economic Education.


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