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A automação criará trabalhos mais recompensadores

por Don Lim

Atualmente, inúmeros empregos são rapidamente transferidos para a mecanização e a robótica, resultando no que muitas pessoas temem que possa se transformar em um desemprego de larga escala. De fato, o cofundador da SpaceX e da Tesla Elon Musk, junto com Bill Gates e Stephen Hawking, tem expressado preocupações neste sentido. Mês passado, em meio às tensões na Coreia do Norte, Musk tuitou que a inteligência artificial (IA) representava um risco ainda maior do que as capacidades nucleares do país. Esta não é a primeira vez que Musk manifestou cautela sobre o tema; ele repetidamente disse que a IA e a automação são os “maiores riscos que encaramos como uma civilização” e que “os robôs farão tudo melhor do que nós”. Em resposta, o CEO do Facebook Mark Zuckerberg questionou Musk, chamando as “pessoas que são pessimistas e tentam promover estes cenários apocalípticos” de “muito irresponsáveis”. Zuckerberg está certo: a automação reduziu as barreiras de entrada em muitas áreas diferentes e aumentou a variedade de empregos que as pessoas podem buscar.

Vida profissional e vida doméstica

Não é apenas o emprego que é afetado pela automação. Uma infinidade de eletrodomésticos diminuiu o tempo que as pessoas gastam em tarefas domésticas para que elas possam focar nas atividades mais importantes. Ninguém se preocupa com a automação de interruptores de luz, vasos sanitários ou pias. No entanto, estas máquinas melhoram nossa vida apenas ligeiramente se comparadas à automação futura.

Uma das possíveis melhorias mais animadoras é o veículo sem motorista, ou autônomo. A Ford anunciou que a companhia terá uma frota de carros autônomos nas ruas até 2021. Califórnia e Michigan, entre outros Estados, têm adotado os carros autônomos e removeram leis restritivas, como as que exigiam um motorista de segurança a bordo. Embora os veículos autônomos possam custar 5 milhões de empregos aos Estados Unidos, isto irá liberar trabalhadores para outros setores.

Se uma máquina pode executar um trabalho melhor do que uma pessoa, devemos apoiar esta inovação. Seria uma bobagem usar uma pá em vez de uma escavadeira, ou uma colher em vez de uma pá, para mover terra. Da mesma forma, seria uma tolice abrir mão do uso de carros autônomos para nossos veículos atuais, ou de nossos veículos atuais para carroças. Com os carros autônomos, as pessoas conseguirão tolerar um tempo mais longo de trânsito, aumentando assim a produtividade. As pessoas poderiam trabalhar enquanto se deslocam, ou assistir um filme, ou ler um livro, o que, por sua vez, sinalizaria um aumento na demanda por atores, profissionais de efeitos especiais, escritores e assim por diante.

Ainda assim, Musk está certo em se preocupar em relação ao desemprego. A taxa de participação da força de trabalho tem caído constantemente ao longo da última década. A automação tem sido culpada por esta tendência, particularmente nas indústrias. Entretanto, embora seja verdade que a automação afeta o desemprego de curto prazo, outros fatores estão envolvidos. Em seu livro “Homens sem trabalho”1, o economista Nick Eberstadt defende que o aumento da dependência dos trabalhadores qualificados no seguro de invalidez reduziu a participação da força de trabalho. Um estudo conduzido por Alan Krueger de Princeton reforça essa ideia constatando que um terço dos homens de 25 a 54 anos fora do mercado de trabalho tinham uma incapacidade, comparado a 2,6% entre os homens empregados nessa faixa de idade. Outro fator é a crescente tendência de pedidos de alvarás para profissões. A exigência de licenças para se tornar um cuidador de animais ou um cabelereiro tornou mais difícil para as pessoas iniciarem novas carreiras.

Eis o futuro!

No passado, a maioria das pessoas estava envolvida com a agricultura. Os trabalhadores incialmente usavam ferramentas manuais mas, com o avanço tecnológico, o trabalho árduo de plantio e colheita melhorou e menos trabalhadores foram necessários para alimentar o país. As pessoas, particularmente os adultos mais jovens, foram capazes de deixar a zona rural e se deslocar para as cidades para melhores empregos. O mesmo está acontecendo hoje com a indústria: a automação nas fábricas tem diminuído a quantidade necessária de mão-de-obra e simultaneamente aumentado a produção. Embora menos trabalhadores estejam envolvidos com a agricultura e com a indústria, atualmente existe uma variedade maior de empregos nessas áreas. Se alguém quer uma carreira na agricultura, existem muitas escolas que oferecem cursos para engenharia de alimentos, avaliação da composição dos solos, conservação ambiental e outras – incluindo a formação agrícola tradicional.

Além disso, recursos para se requalificar e mudar carreiras estão disponíveis em todos os lugares: inúmeros tutoriais gratuitos sobre edição de vídeo e áudio, programação e ciências; os muitos cursos abertos online patrocinados por Harvard e outras universidades de prestígio; e o crescente número de bootcamps. O Walmart até planeja utilizar aparelhos de realidade virtual para ajudar a treinar seus empregados! Além disso, sites como Kickstarter e Patreon financiam empreendedores e inventores.

Desde que as pessoas continuem a buscar entretenimento e novas experiências, indivíduos inovadores criarão trabalhos novos e recompensadores. Mesmo que algumas pessoas possam não ser hábeis em tecnologia, elas podem encontrar trabalho – mesmo que não seja relacionado ao conjunto de habilidades para os quais elas orginalmente foram treinadas. A automação não acaba com o trabalho, ela muda a sua natureza. De fato, inovação e automação permitem a mais pessoas mais opções para escolherem um emprego que elas amem, a ponto que elas talvez não precisem trabalhar de verdade um único dia em suas vidas.


Esse artigo foi originalmente publicado como Automation Will Create More Fulfilling Work para o Foundation for Economic Education.

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