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Toda vez que há uma discussão sobre as nações nórdicas, eu me sinto confuso.

Eu não gosto de impostos punitivamente altos e níveis de redistribuição social destrutivos em nações como a Dinamarca, mas eu admiro as políticas de laissez-faire que esses países têm em relação a regulamentação, comércio e direitos de propriedade.

De fato, nesses últimos pontos, vale notar que as nações nórdicas são mais economicamente livres que os Estados Unidos , de acordo com especialistas do Fraser Institute que preparam o Economic Freedom of the World .

Consideremos o exemplo da Suécia . O país tem um programa robusto de vouchers escolares e um sistema de previdência social parcialmente privatizado .

Além disso, as nações nórdicas têm geralmente carga tributária sobre empresas e investimentos mais baixa do que os Estados Unidos. E a Dinamarca e a Suécia têm ambas implementado medidas modestas para conter gastos do governo, então até mesmo no âmbito fiscal você pode encontrar alguns desenvolvimentos admiráveis.

Mas esses países precisam de mais do que “medidas modestas”, pois o fardo dos gastos do governo ainda é enorme . E despesas excessivas dos programas de bem-estar social são um problema maior porque diminuem a quantidade de trabalhadores ativos e encorajam a dependência.

Eu menciono essas características boas e ruins das nações nórdicas porque o senador Bernie Sanders sugeriu, como parte da sua campanha presidencial, que os Estados Unidos deveriam ser mais como a Suécia ou Dinamarca .

Se eu pudesse escolher quais políticas copiar, eu concordaria.

Mas, como o senador quer copiar as políticas de impostos (e presumivelmente não tem ideia que esses países são pró-livre-mercado em outras áreas), me sinto obrigado a dizer que ele está errado.

E a boa notícia é que outros estão produzindo evidências, o que torna o meu trabalho mais fácil. Nima Sanandaji é um economista sueco que acabou de escrever um artigo muito esclarecedor sobre esse assunto para o Cayman Financial Review .

Ele começa explicando como os estatistas adotam o modelo nórdico.

Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia têm sistemas social-democratas com altos impostos, que por muito tempo têm sido admirados pela esquerda. E tal respeito não chega a surpreender. Sociedades nórdicas são unicamente bem-sucedidas. Não só porque têm um alto padrão de vida, mas também por outras características como baixa taxa de criminalidade, longa expectativa de vida, alto grau de coesão social e uma distribuição de renda relativamente uniforme. Isso é frequentemente visto como prova de que uma terceira via entre o capitalismo e socialismo funciona bem, e outras sociedades podem alcançar algumas realizações sociais favoráveis simplesmente aumentando o tamanho do governo.

Mas, Nima explica que as nações nórdicas ficaram ricas quando tinham livre-mercado e governos pequenos.

O melhor que pode ser dito sobre o estado de bem-estar social nórdico é que o prejuízo foi razoavelmente contido por causa de normas culturais.

Se alguém estuda a história e a sociedade nórdicas a fundo, entretanto, fica rapidamente evidente que uma análise simplista é falha. Altos níveis de confiança, uma forte ética de trabalho, participação cívica, coesão social, responsabilidade individual, e valores de família são características típicas da sociedade nórdica que precedem o estado de bem-estar social. Essas instituições sociais arraigadas explicam por que a Suécia, a Dinamarca e a Noruega puderam crescer tão rapidamente de nações pobres à ricas, quando a industrialização e a economia de mercado foram introduzidas no final do século XIX. As mesmas normas explicam por que muitos sistemas de bem-estar social enormes puderam ser implementados na segunda metade do século XX. A forte ética de trabalho e altos níveis de confiança tornaram possível pressionar por altos níveis de impostos e oferecer benefícios generosos com risco limitado de abusos e efeitos de incentivos indesejáveis. É importante salientar que a direção de causalidade parece ser de culturas com grande capital social em direção ao estado de bem-estar social sem acarretar sérias consequências adversas, e não o contrário.

O Dr. Sanandaji então levanta a hipótese de que podemos aprender muito comparando americanos de descendência nórdica com aqueles que não emigraram.

O sucesso da cultura nórdica prevalece quando pessoas dessa região vão para outros países. Os americanos descendentes de imigrantes nórdicos vivem em um ambiente político muito diferente dos residentes dos países nórdicos. Eles vivem em um ambiente com menos bem-estar social, impostos mais baixos, e (em geral) maior liberdade econômica. É interessante que o sucesso social e econômico dos nórdico-americanos é idêntico ou até mesmo maior do que seus primos nos países nórdicos. Aproximadamente 12 milhões de americanos têm origem nórdica (escandinava).

E ele produz alguns dados chocantes.

Simplificando, pessoas de descendência nórdica vão muito bem nos Estados Unidos, onde a carga tributária é mais baixa que na Escandinávia.

De acordo com o censo de 2010, a renda familiar média nos Estados Unidos é de US$ 51.914. Isso pode ser comparado com a média de US$ 61.920 para dano-americanos, US$ 59.379 para finês-americanos, US$ 60.935 para norueguês-americanos e US$ 61.519 para sueco-americanos. Há também um grupo simplesmente identificado como “escandinavo-americanos” no censo americano. A média de salário para esse grupo é ainda maior, US$ 66.219.

Mas, aqui está o mais marcante de seu artigo. Nórdico-americanos são mais produtivos que seus primos em seus países natais.

Dano-americanos contribuem para o PIB per capita 37% a mais que os dinamarqueses que ainda vivem no país; sueco-americanos contribuem para o PIB per capita 39% a mais que os suecos que vivem no país; e finês-americanos 47% a mais que os finlandeses que vivem na Finlândia. Existe uma evidência prima facie que os descendentes nórdicos que migraram para os Estados Unidos são significamente mais bem sucedidos que aqueles que ficaram.

Aqui está o infográfico que Nima enviou com seu artigo 1 .

dados1

Nima produziu dados similares há alguns anos apenas observando os suecos.

Mas, esses novos dados esclarecem que não estamos observando somente o fenômeno de uma nação. A lição está clara. O povo nórdico consegue ser razoavelmente produtivo em nações com Estados grandes e altos impostos.

Mas se eles residem em um país com carga tributária e Estado médios, eles são altamente produtivos (então imagine o que eles conseguiriam conquistar em Hong Kong ou em Cingapura !).

E Nima também aponta que existe menos pobreza entre escandinavos na América do que entre os escandinavos na Escandinávia.

Os descendentes nórdicos nos Estados Unidos possuem uma taxa de pobreza que é a metade da média americana – uma descoberta consistente por décadas. Em outras palavras, os nórdico-americanos têm taxas de pobreza mais baixas do que os cidadãos nórdicos.

Então, aqui está uma lição que será um pesadelo para Bernie Sanders. Por fim, os seus ídolos nos ensinam o que um Estado grande faz às pessoas menos prósperas.

Ao longo da história, os estados de bem-estar social têm corroído os incentivos, e ultimamente as normas sociais que estabelecem um elo entre as sociedades nórdicas. O sistema americano, com uma grande ênfase em responsabilidade individual, está mais alinhado com o sistema tradicional nórdico que permitiu o desenvolvimento de uma cultura de sucesso em primeiro lugar. Deste modo, não devemos estar surpresos que os nórdico-americanos tem um maior padrão de vida e níveis de pobreza mais baixos que seus primos nos estados de bem-estar social nórdicos.

Para concluir, a receita da prosperidade é o livre-mercado (que você encontra na Escandinávia) e um Estado pequeno (que não existe naqueles países).

Mas, o senador Sanders quer copiar a parte ruim das nações nórdicas, enquanto que ignora a parte boa. Para aqueles que se importam com uma evidência mais real, os dados do Dr. Sanandaji sugerem que sigamos na direção contrária.


Esse artigo foi originalmente publicado como A Nordic Nightmare for Bernie Sanders para o International Liberty .


Notas:

  1. O infográfico foi refeito em português pela Academia Liberalismo Econômico. (N. do E.)

Sobre o Autor

É colaborador sênior do Cato Institute. É presidente do Center for Freedom and Prosperity, uma organização criada para defender e promover impostos competitivos. Previamente, Dan serviu como colaborador sênior no The Heritage Foundation e foi economista do senador Bob Packwood e do comitê de finanças do Senado. Recebeu seu Ph.D em economia da George Mason University e graduação e mestrado em economia da University of Georgia.

4 Comments

  1. JAILTON PIMENTEL PACHECO - Responder

    Gostaria de conhecer mais sobre o LIBERALISMO ECONÔMICO, explorando de que forma a exportação e importação de manufaturados, ou matéria-prima, forçaria a produção e a aquisição de novas tecnologias. Até a concorrência pela aquisição de novas maquinas ou fabricação no próprio país. Neste novo antigo sistema usado pelos EEUU, e Inglaterra ou mais atual: a europa. O controle das riquezas no caso da America-Latina nas mãos dos EEUU. COMO O UBER VAI RESOLVER ESTA PARADA.

  2. “Para concluir, a receita da prosperidade é o livre-mercado (que você encontra na Escandinávia)…”
    1- nenhum país da UE realmente adotou o livre-mercado com tantos subsídios pro setor agrícola deles.
    2- quando a américa latina adotou essa “receita da prosperidade” que o consenso de Washington pregou, nenhum país fugiu da crise

  3. Rs… É uma análise risível.
    Veja a carga tributária total, em relação ao PIB, E O NÍVEL DE ENDIVIDAMENTO TOTAL ( dívida externa e interna, e divida das empresas ) DESTES PAÍSES.
    ELAS PASSAM DE 200% DO PIB.
    RS
    EITAAAAAA LIBERALISMO HEIMMM…. KKKKKKKK

  4. Parece até birra, fica até contraditório, quando se fala que o grande mau é o modelo de estado maior de bem estar social, se este não fez o pais deixar de ser rico e produzir… se fala tanto dos estados unidos, se o mesmo não está bem classificado no ranking de qualidade de vida relacionado a estes países. Ou seja, me parece que o mais importante é quanto o pais se desenvolve financeiramente, qualidade de vida não se leva em consideração?
    no texto mesmo explica que o grande sucesso dos nórdicos, se refere a ética e princípios morais, na qual, funciona independente o tamanha do estado. funciona nos estados unidos tanto nos próprios países.
    chego a conclusão de que o tamanho do estado não é a questão mais importante, e sim a ética do povo.

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