facebook_pixel

O socialismo está de volta à moda, principalmente entre jovens universitários americanos1. Eles são jovens demais para se lembrarem da Guerra Fria, e poucos estudam história. Esse é, portanto, um bom momento para lembrar à geração Y2 o que o socialismo rendeu – especialmente em alguns dos países mais pobres do mundo.

Aqueles de nós que se lembram do início da década de 80, sempre se lembrarão das imagens de crianças etíopes passando fome. Com umbigos engolidos por kwashiorkor3 e olhos cobertos de moscas, essas foram as inocentes vítimas dos Derg – um grupo de militantes marxistas que tomaram o governo etíope e usaram a inanição como forma de dominar áreas desobedientes do país.

Entre 1983 e 1985, cerca de 400.000 pessoas morreram de fome. Em 1984, o Derg separou 46% do Produto Interno Bruto para gastos militares, assim criando o maior exército ativo da África. Em contraste, gastos em saúde caíram de 6% do PIB para 3% em 1990.

Previsivelmente, o Derg colocou na seca a culpa pela fome que se seguiu, mesmo que as chuvas só tivessem faltado muitos meses depois que começou a falta de alimentos. Em 1991, o Derg foi derrubado e seu líder, Mengistu Haile Mariam, escapou para o Zimbábue onde vive — sob proteção governamental e às custas dos pagadores de impostos — até hoje.

Calorias consumidas por pessoa por dia, 1961-2013
Calorias consumidas por pessoa por dia, 1961-2013.

Por falar em Zimbábue, em 1999, Robert Mugabe, o ditador marxista de 92 anos que chegou ao poder em 1980, embarcou num catastrófico programa de “reforma agrária”. O programa incluiu a nacionalização de terras agrícolas privadas e a expulsão de fazendeiros e empresários não africanos. O resultado foi um colapso na produção agrícola, a segunda maior hiperinflação registrada na história que alcançou 89,7 sextilhões porcento ao ano (ou 89.700.000.000.000.000.000.000%), e desemprego de 94%.

Milhares de zimbabuenses morreram de fome, a despeito de gigantesca ajuda internacional. Como foi o caso na Etiópia, o governo do Zimbábue culpou o clima, roubou muito do dinheiro da ajuda, e negou comida e remédio para inimigos políticos. Plus ça change, plus c’est la même chose4 .

Fui lembrado desse desfile de horrores quando encontrei a tabela das maiores fomes generalizadas5 do século XX feita por Benjamin Zycher. Como nota Zycher, seis das dez maiores fomes generalizadas ocorreram em países socialistas. Outras delas, incluindo aquelas na Nigéria, Somália e Bangladesh, foram em parte resultado de guerras e em parte resultado de más administrações governamentais.

tabela
Fomes generalizadas no século XX, ordenadas por excesso de mortalidade como percentual da população. Excesso de mortalidade é o número de mortes causadas por um fator específico; nesse caso: fome.

Os estudantes americanos cujo interesse no “socialismo” tem aumentado são jovens demais para se lembrar como realmente se parecia o mundo da última vez que o socialismo era dominante. Ao longo de suas vidas, fomes generalizadas desapareceram. Hoje, não há um único lugar onde ocorra fome generalizada no mundo – nem mesmo em lugares destruídos pela guerra, como a Síria.

Por que as fomes desapareceram?

Primeiro, porque a produção agrícola está no nível mais alto de todos os tempos, e alimentos estão ficando mais baratos, e não mais preciosos. Entre 1960 e 2015, a população mundial aumentou em 143%. Durante o mesmo intervalo de tempo, o preço de alimentos caiu em 22%.

Segundo, a humanidade enriqueceu e consegue comprar mais comida. Durante os últimos 55 anos, a renda real6 média per capita no mundo aumentou em 163%.

Terceiro, comunicação e transporte melhoraram enormemente, e agora é possível entregar ajuda na forma de alimentos em tempo relativamente curto para qualquer lugar do mundo.

Quarto, a globalização e o comércio garantem que comida possa ser comprada por qualquer um, em qualquer lugar.

A África tem sido o maior beneficiário desse desenvolvimento salutar. Em 1961, africanos consumiam em média 1.993 calorias por pessoa por dia. Em 2011, que é o último ano para o qual o Banco Mundial oferece dados, eles consumiram 2.618 calorias. No mundo todo, o consumo de alimentos aumentou de 2.196 calorias para 2.870. Até na Etiópia o consumo de alimentos aumentou. Em 1993, dois anos depois da derrubada do Derg, etíopes consumiram 1.508 calorias por pessoa por dia. Em 2013, eles consumiram 2.131 calorias.

O Zimbábue, que ainda sofre sob comando marxista, não teve tanta sorte. Em 1961, zimbabuenses consumiram 2.115 calorias por pessoa por dia. Em 2013, esse número caiu para 2.110.

Onde quer que tenha sido tentado, da União Soviética em 1917 até a Venezuela de 2015, o socialismo fracassou. Os socialistas prometeram uma utopia marcada pela igualdade e pela abundância. No lugar, entregaram tirania e fome. Jovens americanos deveriam ter isso em mente.


Esse artigo foi originalmente publicado como Socialism and hunger: a quick reminder para o CapX.


Notas:

  1. E brasileiros, e de os qualquer lugar do mundo onde há pelo menos algum resquício de prosperidade econômica. (N. do E.)
  2. Pessoas nascidas aproximadamente entre 1980 e 1990. (N. do E.).
  3. Kwashiokor, ou desnutrição intermediária, é um tipo de doença decorrente da falta de proteínas e vitaminas. (N. do E.)
  4. Quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam iguais. Frase em francês atribuída a Jean-Baptiste Alphonse Karr (1849). (N. do E.)
  5. Famine, no original em inglês. (N. do T.)
  6. Renda real é a renda descontada a inflação. (N. do E.)

Sobre o Autor

Marian L. Tupy é o editor do HumanProgress.org e um analista sênior de politicas no Center for Global Liberty and Prosperity.

2 Comments

  1. Onde quer que tenha sido tentado, o socialismo fracassou. Os socialistas prometeram uma utopia marcada pela igualdade e pela abundância. No lugar, entregaram tirania e fome. Jovens americanos deveriam ter isso em mente.

  2. O comunismo é uma fslácia sedutora. Seu histórico de crimes, corrupção, incompetência e destruição não são suficientes para convencer dois grandes grupos: os cúmplices e os preguiçosos mentais.

Responder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Close