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Stephen Hawking, o físico da Universidade de Cambridge e escritor best seller de ciência, diz que a tecnologia está nos trazendo uma “sempre crescente desigualdade”.  Ele é um brilhante polímata, mas ele não entende de Economia.

Em um fórum aberto no Reddit, Hawking escreveu:

Se as máquinas produzem tudo que precisamos, o resultado depende de como as coisas são distribuídas.  Todos podem desfrutar uma vida de diversões luxuosas se a riqueza produzida pela máquina é compartilhada, ou a maioria das pessoas pode acabar miseravelmente pobre se os donos das máquinas obtiverem sucesso em seu lobby contra a redistribuição de riqueza.  Até agora, a tendência tem sido na direção dessa segunda opção, com a tecnologia nos trazendo uma sempre crescente desigualdade.

Máquina estrangulando trabalhador

O erro dele aqui é aceitar muito rapidamente a premissa de desemprego tecnológico, que nos pede para imaginar um mundo onde uma grande proporção da população é não empregável porque tem produtividade marginal igual a zero graças às máquinas.  Em outras palavras, não há qualquer circunstância concebível na qual um empregador pagaria qualquer coisa por seu trabalho.  Eles não conseguiriam trabalho e não conseguiriam pagar suas contas.  Aqueles que não tiverem poupança passarão fome e morrerão.

Dada essa premissa apocalíptica de desemprego incapacitante e permanente, não é surpreendente que Hawking chegue a uma sombria conclusão – uma que aparenta necessitar o governo como solução.  Mas a ideia de desemprego tecnológico suspende as leis econômicas: especificamente, a escassez e a vantagem comparativa.

A escassez ocorre quando os nossos desejos ultrapassam os nossos meios de atingi-los.  Nós não conseguimos fazer todas as coisas ao mesmo tempo: fazer uma coisa implica em não fazer outra.  Essa é uma qualidade inevitável do mundo.  Não importa o nosso nível tecnológico, a escassez ainda existirá.  As pessoas lidam com a escassez através do comércio.

Comércio e produção acontecem por causa de diferenças.  Se todos fossem iguais, tendo gostos e posses idênticas, não haveria razão para comercializar.  O comércio é uma força poderosa porque ele permite que indivíduos radicalmente diferentes colaborem por uma melhoria mútua.  A lógica do comércio também implica em especialização.  Com o comércio, as pessoas produzem os bens ou serviços que fazem melhor e os negociam em troca de todas as outras que consomem.

Os mecânicos que tentarem plantar sua própria comida se encontrarão em uma posição de muito maior pobreza do que aqueles que passarem o horário de trabalho na oficina e comprarem sua comida no mercado local.  Os ganhos com o comércio são criados pelos diferentes custos de oportunidade da produção. Se amanhã nós descobrirmos alienígenas com tecnologia em níveis de ficção científica, ainda seria possível haver comércio com eles.  Novas tecnologias mudam a produtividade, mas não invertem a lógica das trocas e da produção.  Custos de oportunidade diferentes são o motivo pelo qual nós comercializamos.

Independentemente do número ou da qualidade das máquinas do futuro, se elas estão fazendo uma coisa, não estão fazendo outra coisa.  Especialização e ganhos da comercialização são criados pela escassez.  A simples posse de máquinas não destrói os ganhos com o comércio.

Mecanização da agricultura

A história econômica nos conta uma história de dinamismo e mudanças constantes.  Quase 150 anos atrás, aproximadamente 45% da população ativa estava empregada na agricultura.  Essas pessoas ganhavam o seu pão com o suor de seus rostos e a força de suas costas.  Um pessimista talvez tivesse concluído que se máquinas substitutas do trabalho humano fossem introduzidas, essas pessoas com falta de conhecimento sobre o comércio encontrariam-se em circunstâncias terríveis.  Mas isso não foi o que aconteceu.  Hoje, menos de 2% da população está diretamente envolvida com agricultura e nós não estamos sofrendo com nenhuma escassez de comida ou emprego.

Eu posso não saber das maravilhas específicas que o futuro nos reserva, mas a realidade mundana é que as pessoas ainda engajarão em trocas e produção, se lhes for permitido fazer.

Hawking sugere que a única alternativa para o desemprego tecnológico é uma política de redistribuição de riquezas.  Essa prescrição vê as coisas exatamente ao contrário.

Livre mercado

Os obstáculos do governo ao mercado são um método testado e aprovado para gerar pobreza e desemprego.  Leis trabalhistas que impedem que empregados e empregadores entrem em contratos voluntários pioram a situação de ambos.  Leis de salário mínimo e requerimento de licenças ocupacionais tornam empregos mais difíceis de encontrar e o fardo dessas leis cai de forma mais pesada sobre aqueles que já são mais pobres e mais marginalizados da sociedade.  Barreiras ao comércio e ao emprego estão entre as leis mais regressivas jamais feitas.  E formas mais diretas de socialismo destroem economias de uma vez.

Estaremos melhor se ajudarmos os pobres de hoje – liberalizando o mercado para gerar mais riquezas e produtividade – do que nos preocupando com as ameaças imaginárias do futuro.


Esse artigo foi originalmente publicado como Stephen Hawking Doesn’t Understand Economics para o Foundation for Economic Education e está sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Sobre o Autor

Stewart Dompe é instrutor de Economia na Johnson & Wales University. Publicou artigos no Econ Journal Watch e contribui para o Homer Economicus: Usando Os Simpsons para Ensinar Economia.

6 Comments

  1. A tecnologia sempre gerou mais empregos que destruiu. Isso é fato! O trabalhador que fabricava rodas de carroça ou maquinas de escrever passou a fazer pneus e computadores. E existem muito mais carros e computadores que carroças e máquinas de escrever. O fato da máquina fazer o trabalho de centenas de trabalhadores tb não gerou desemprego pq o desenvolvimento tecnológico se encarregou de gerar novas demandas e novas profissões. Bem, então a tudo bem, certo e o medo de Hawking ê infundado? Não!!! Pela primeira vez desde a revolução industrial o homem não vai mais ser necessário na cadeia industrial/económica. Primeiro os empregos de menor capacitação como caixas de supermercado,, empacotadores e, mais tarde ate os ditos intelectuais Ou seja, a tecnologia não vai mais fechar umas portas e abrir outras. Ela vai fechar todas e, o caos social será inevitável a menos que os governos providenciem algum tipo de ajuda financeira pra os menos capazes. Exatamente o que Hawking falou.

  2. Engraçado, todos que criticam as ideias liberais não entendem de ‘economia’. EX? Marx, Einstein, Belluzzo. Agora se o Brad Pitt fazer críticas boas ao Liberalismo, vocês o transformaram em um dos maiores economistas do universo.

  3. Esse físico é burro , não tem lógica e não entende de Economia … Quem realmente entende de economia é o Alexandre Frota ……………….

  4. Ricardo Luiz Faria Motta - Responder

    A economia mundial tem deixado muitos estudiosos em uma severa encruzilhada! Porem isso, não me admira. Gosto muito dos comentários de Stephen Hawking. Ele é um ser inteligentíssimo. Tenho acompanhado algumas de suas publicações. Não me admira ele dizer: Não entendo a economia! Eu? Eu muito menos! Eu sou um maluco. Defendo uma tese: O mundo deveria funcionar sem dinheiro, sem comércio, sem política e políticos, sem fazendeiros, sem latifundiários, sem as mega corporações, sem os barões do petróleo, etc., etc. O mundo deveria funcionar como uma família, todos, produzindo tudo, para todos. As profissões escolhidas por uma grande parcela das pessoas são escolhidas pelo que poderá render, pelo status, poder, influência e prestígio, etc., não por amor ao que se faz. Em um mundo sem dinheiro e comércio, as pessoas iriam fazer o que gostam. Imaginem: uma fábrica de automóveis produzindo carros para as famílias, todas, poderiam ir a uma fabrica, pegar um carro, usa-lo conscientemente por certo período e depois de algum tempo de uso, deixar esse carro para ser reciclado e pegar outro novinho. Pois há pessoas que amam trabalhar na produção de veículos, outros não querem fazer outra coisa a não ser, plantar, ele amam isso, até lixeiro gosta do que faz. Imaginem: pedreiros construindo casas mundo afora, conhecendo vários lugares, pessoas, aprendendo línguas diferentes, conhecendo a diversidade de lugares. Faríamos isso em todas as áreas de produção, cada um naquilo que gosta. Mas existe algo que nos impede! O nosso problema como sociedade é com a Ganância, ostentação, competição, rixa, ciúme, discriminação, não há quem prefira um bom nome ao invés do dinheiro, poder e domínio. Levantamos de manha e dizemos para nossas mulheres e filhos: Eu te amo. Mas ao sair porta fora, nos transformamos, parecemos lobos vorazes, querendo dominar tudo e todos. Como podemos ser assim e ainda dizer pra nossas famílias que a amamos? (A sua esposa, seus filhos, seu vizinho, seja lá quem for ou onde morar, ou ter nascido, é seu semelhante!). O mundo poderia funcionar como está, supermercados, hospitais, restaurantes, parques de diversão, fábricas dos mais variados produtos, tudo exatamente como está. Sei que muitos diriam: Vai haver muitos vagabundos só esperando alguém produzir e só ficar a toa (1° Ficar a toa cansa muito. 2° Quem não produz tampouco coma!). A única coisa que falta para isso se realizar: O AMOR AO PRÓXIMO, NÃO EXISTE OUTRA COISA CAPAZ DE TRANSFORMAR O SER HUMANO, SOMENTE O AMOR É CAPAZ! JESUS DISSE: FAÇA AO SEU SEMELHANTE AQUILO QUE GOSTARIA QUE FIZESSE POR VOCÊ! PENSE NISSO!!!

  5. Isso se deve à uma argumentação ilógica, qualquer tecnologia que seja implantada necessita de insumos que por sua vez devem ser produzidos por humanos. Por exemplo, uma máquina retira a necessidade de seres humanos na cadeia de produção, mas é necessário que pessoas parametrizem o funcionamento de tais máquinas e sejam responsaveis pela manutenção das mesmas, não há máquinas que não precisem de insumos ou instruções.

  6. “O capital privado tende a concentrar-se em poucas mãos, em parte por causa da
    concorrência entre os capitalistas e em parte porque o desenvolvimento tecnológico
    e a crescente divisão do trabalho encorajam a formação de unidades de produção
    maiores à custa de outras mais pequenas. O resultado destes desenvolvimentos é
    uma oligarquia de capital privado cujo enorme poder não pode ser eficazmente
    controlado mesmo por uma sociedade que tem uma organização política
    democrática. Isto é verdade, uma vez que os membros dos órgãos legislativos são
    escolhidos pelos partidos políticos, largamente financiados ou influenciados por
    outras vias pelos capitalistas privados que, para todos os efeitos práticos, separam o
    eleitorado da legislatura.”Albert Einstein disse praticamente a mesma coisa em 1949, mas ele também é muito burro e não entende nada que um ser de QI 105 poderia falar em uma faculdade horrivel dos EUA, ainda mais usando simpson para dar aula, ele sim é genio e o Alexandre Frota ou um pessoa do MBL são mentes supremas, só aposto que QI não passa de 105, não passam de boçais influenciados por interesses.

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