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O FDA finalmente verificou a segurança e a sustentabilidade ambiental do salmão transgênico criado pela AquaBounty Technologies Inc, após uma espera de quase 20 anos. Isso significa que o produto da companhia, chamado Salmão AquAdvantage , pode logo estar disponível para os consumidores.

Ativistas do Greenpeace, que normalmente se opõe a qualquer modificação genética em alimentos, destruindo plantação de berinjelas transgênicas na Filipinas. Fonte: Greenpeace.
Ativistas do Greenpeace, que normalmente se opõe a qualquer modificação genética em alimentos, destruindo plantação de berinjelas transgênicas na Filipinas. Fonte: Greenpeace .

Mesmo depois do extenso processo de análise do FDA 1 , muitas pessoas ainda se opõem ao que chamam de peixe-frankenstein e estão demandando ação legislativa para banir os produtos transgênicos de origem animal ou tornar obrigatória a sua rotulagem. Esses esforços mal direcionados inibem benefícios para consumidores e para o meio ambiente.

A variedade melhorada de salmão pode atingir o tamanho de mercado duas vezes mais rápido que a variedade selvagem, e com 75% menos ração. Essa eficiência, possível pelo funcionamento intermitente do gene do crescimento, poderia reduzir a área de cultivo da AquaBounty em 25 vezes, resultando em custos menores para os consumidores.

Empresas como Kroger , Whole Foods e Trader Joe´s , antecipando os medos infundados dos consumidores, já responderam à histeria em torno do salmão AquAdvantage ao afirmar que não venderão o produto. Além disso, muitos legisladores em nível estadual e federal consideram a possibilidade de rotulagem obrigatória.

Se os consumidores desejam evitar comer alimentos transgênicos, eles podem escolher marcas que orgulhosamente se dizem livres de transgênicos – e que são muitas vezes mais caras. Alguns gostam do salmão natural e estão dispostos a pagar mais por ele. Contudo, outros podem não ser capazes de pagar pelo salmão natural (ou maçãs orgânicas), e opções igualmente seguras, e mais acessíveis, deveriam estar disponíveis para eles.

Se a qualidade dos produtos transgênicos é superior ou igual à das opções tradicionais, algumas pessoas argumentam que as empresas não deveriam se opor à rotulagem obrigatória. Contudo, a maioria dos americanos não é cientista – sem culpa nenhuma – e não entende totalmente a ciência por trás dos alimentos transgênicos. Uma pesquisa recente da rede ABC 2 relevou que uma pequena maioria dos americanos acredita que os organismos transgênicos são inseguros, apesar do consenso científico praticamente unânime em contrário. O governo não deveria obrigar a rotulagem de produtos cujo risco ao consumidor não tenha sido demonstrado.

Centenas de sites pseudocientíficos — muitos dos quais também promovem campanhas contra vacinação — fabricaram o medo quanto a alimentos transgênicos e criaram um estigma contra a inovação agrícola. A Dra. Cindy Tian, professora do Departamento de Zootecnia da University of Connecticut, enfatizou que a rotulagem sem dúvida ludibriará o público em geral a evitar os transgênicos sob falso receio de problemas de segurança alimentar.

No Alasca, os senadores Gary Stevens e Kim Elton obtiveram apoio para uma lei de rotulagem com o propósito declarado de estigmatizar espécies de salmão não pescadas naquele estado. Dado que 90% do salmão natural pescado nos Estados Unidos é oriundo do Alasca, não surpreende que o estado faça tudo o que estiver ao seu poder para limitar a concorrência.

Stevens até destacou que “a mensagem que o salmão do Alasca é mais natural que o salmão que foi desenvolvido em um laboratório é uma ferramenta de marketing muito importante”. Em vez de reprimir a inovação, os pescadores de salmão do Alasca e seus representantes deveriam acolher bem um produto que poderia tornar o salmão mais acessível aos consumidores.

Ao reduzir os custos e aumentar a concorrência, o salmão transgênico fará o peixe uma opção mais atraente em relação à carne de vaca ou de porco. Além disso, ele é uma arma no combate às doenças cardíacas e ao câncer de cólon , enquanto reduz os grandes custos ambientais da produção de carne.

Muitas pessoas ao redor do mundo apreciam o salmão pelo seu sabor e benefícios à saúde. Se o salmão transgênico puder ajudar a minimizar o problema da pesca excessiva , isso deveria ser celebrado pelos defensores da recomposição da população de salmão, especialmente onde elas estão em perigo de extinção , como é o caso do Atlântico Norte.

Alguns críticos estão preocupados que o salmão transgênico possa escapar dos laboratórios e desequilibrar ecossistemas naturais. Para evitar tal preocupação com a procriação selvagem, a AquaBounty ofereceu níveis adicionais de segurança. Todo o seu estoque de fêmeas é mantido fechado e já nasce estéril. Novos óvulos são criados pela própria AquaBounty Technologies, e não por meio de reprodução.

Mesmo se escapasse, o salmão da AquAdvantage não seria capaz de superar o salmão selvagem porque são fisicamente incapazes de procriar. A evidência também mostra que mesmo se escapassem e, de alguma forma, procriassem, o salmão transgênico provavelmente não traria qualquer efeito negativo nas populações de salmão nativo.

salmão no prato

Salvo algum revés regulatório ou legislativo, o salmão transgênico estará disponível em restaurantes e supermercados em cerca de dois anos. Naquele momento, o salmão da AquAdvantage será responsável por menos de 0,1% da quantidade total de salmão que os americanos consomem anualmente. Com um efeito inicial tão pequeno no mercado, por que alguns grupos estão fazendo um lobby tão forte contra a variedade AquAdvantage? A resposta é que se o salmão transgênico se provar um sucesso, outros produtos animais transgênicos provavelmente entrarão no mercado, oferecendo alternativas superiores e mais baratas ao que hoje está disponível.

O atraso na aprovação governamental do salmão transgênico levou indubitavelmente a um efeito inibidor sobre o desenvolvimento de outros animais transgênicos. Avanços futuros que têm o potencial de gerar efeitos positivos – a ponto de salvar vidas – não deveriam ter que passar pelo menos nível de prolongada investigação experimentado pelo salmão transgênico. Se os próximos animais transgênicos serão mosquitos resistentes à malária , porcos com níveis de fósforo inferiores em suas fezes , ou galinhas que não transmitem a gripe aviária , os efeitos positivos potenciais são incalculáveis.

Com base em clara evidência científica, extensas precauções de segurança, e notáveis efeitos positivos para consumidores e o meio ambiente, permitir a venda do salmão transgênico é uma decisão fácil. Só podemos esperar que futuras inovações na agricultura sejam capazes de chegar aos consumidores muito mais rapidamente que essa variedade de salmão.


Esse artigo foi originalmente publicado como GM Salmon Is Just The Beginning para a Forbes . James Davis é coautor do artigo.


Notas:

  1. No Brasil, o equivalente do FDA seria a ANVISA. (N. do T.)
  2. Emissora norte-americana. (N. do E.)

Sobre o Autor

Jared Meyer trabalha no Manhattan Institute for Policy Research.

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