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Na próxima vez que sair as compras, dê uma bisbilhotada na conversa entre o balconista e o cliente que estão à sua frente. Você provavelmente irá escutar o balconista dizer algo como “Obrigado por comprar na Acme ” enquanto repassa o troco e os recibos. E os clientes? Frequentemente irão responder com outro “obrigado”. Não com um “de nada”, ou até mesmo “sem problemas”, mas com outro “obrigado”.

WheelChairPara ouvir “de nada” em um espaço público, ouça o diálogo quando um cadeirante está tentando abrir a porta e outra pessoa se oferece para segurá-la aberta. Estou confinado a uma cadeira de rodas pelos últimos três anos, e posso lhe garantir que o meu “obrigado” sempre evoca um “de nada”, ou no mínimo “sem problemas”.

Talvez a reciprocidade no caixa seja uma habitual convenção social, mas por que não a vemos fora do âmbito comercial?

Se importar de verdade é algo bom, mas somente funciona em um ambiente familiar ou talvez em uma pequena comuna – e a um tremendo custo em padrão de vida.

Por um lado, a maioria das situações “obrigado” possui claramente os benfeitores e os beneficiados, mas trocas comerciais voluntárias beneficiam ambos os lados. Vendedores não ganham porque compradores perdem, nem os compradores ganham porque os vendedores perdem. Pelo contrário, compradores e vendedores esperam ganhar em qualquer transação. Por isso ambos dizem: “obrigado”.

Isso significa que o comércio é um festival de amor econômico em que compradores e vendedores são motivados pela compaixão aos seus correspondentes? Dificilmente. Consumidores e comerciantes entram no mercado com objetivos conflitantes. Compradores esperam pagar o menor preço possível, enquanto vendedores preferem vender por preços mais altos quanto possível.

Compradores procuram as empresas mais capazes de vender pelos menores preços. Como os custos nos informam sobre alternativas deixadas de lado, as ações dos compradores minimizam esse sacrifício ao procurar qualquer produto em particular. Isso significa ter mais de outras coisas. Por exemplo: quando produtores de baixo custo fornecem melões, nós podemos ter mais, digamos, feijões. Um “almoço grátis”? Não, apenas uma ajuda, e mais “obrigados” recíprocos no caixa também.

A busca simultânea dos vendedores por compradores dispostos a pagar valores mais altos também leva a mais “obrigados” recíprocos. Pecuaristas do Texas tentarão vender para os campos de treinamento da NFL muito antes de entrar em contato com as convenções da AVS (American Vegan Society 1 ). Isso significa que os veganos estão perdendo algo? Não. A procura dos produtores de tofu de Vermont por compradores dispostos a pagar bem os leva às convenções do AVS. Nós acabamos com mais bifes e mais tofu – e mais “obrigados” por toda parte.

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Pessoas comprando durante a black friday.

Apesar de compradores e vendedores perseguirem agendas contraditórias, todos devem agir como se se importassem com seus correspondentes no mercado. Compradores auto interessados devem, em outras palavras, oferecer termos de venda que beneficiem os vendedores. O mesmo para os comerciantes auto interessados: eles precisam oferecer termos de venda que beneficiem os compradores. Retire a prática do como se e compradores não compram e vendedores não vendem.

Durante meus muitos anos de ensino de economia, eu escutei inúmeros alunos dizerem que a prática do como se não é admirável. Eles dizem que a prática é hipócrita. Nós devemos realmente nos importar, não devemos?

Minha resposta? Se importar de verdade, é algo bom, mas somente funciona em um ambiente familiar ou talvez em uma pequena comuna – a um tremendo custo em padrão de vida. Quando mencionado um padrão de vida menor, a maioria desses reclamões recua de seu moralismo.

O mercado pode não caber na versão altruísta de moralidade que nos fora ensinado quando éramos crianças, mas “obrigados” recíprocos indicam a gratidão que devemos à vasta rede comercial da benevolência como se. Todos nós somos mais ricos por causa dela.


Esse artigo foi originalmente publicado como Why Is Everyone Saying, “Thank You”? para o Foundation for Economic Education .

Notas:

  1. Sociedade Vegana dos EUA, em tradução livre. (N. do T.)

Sobre o Autor

T. Norman Van Cott, professor de economia, recebeu seu Ph.D, da University of Washington em 1969. Antes de entrar para Ball State University em 1977 , ele lecionou na University of New Mexico (1968-1972) e University of West Georgia (1972-1977). Ele foi o coordenador do departamento de 1985 a 1999. Seus campos de interesse incluem a teoria microeconômica, finanças publicas e economia internacional. A pesquisa atual de Van Cott é em economia constitucional.

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