Vídeos, debates na TV, modelos estatísticos, manifestações de solidariedade, e incontáveis discussões em redes sociais estão centrados em se existe uma diferença salarial significativa entre homens e mulheres depois que outros fatores são considerados.

A histeria da mídia sobre a histeria da diferença salarial é um sinal claro de que os americanos estão pensando em legislação. De fato, você pode ter ouvido que a diferença salarial atingiu dimensões globais quando, na última semana, o primeiro ministro da Islândia anunciou uma iminente política nacional sobre igualdade salarial.

Americanos têm um grande coração. Queremos nos oferecer para ajudar quando vemos pessoas em necessidade. Igualdade, incluindo a igualdade das mulheres , é uma importante e orgulhosa parte de nossa história. Então, por que deixaríamos a Islândia tomar à frente nisso? Não deveríamos estar na linha de frente?

Cidadãos e políticos bem-intencionados estão se tornando tão focados em tentar ajudar aqueles que veem como desfavorecidos que eles podem prejudicar o próprio sistema que está contribuindo muito para ajudar estas vítimas para começar. Vamos dar uma olhada em alguns dos efeitos colaterais, os fatos por trás das imposições, e as complicações que provavelmente surgirão das leis que tentam corrigir o problema da diferença salarial.

“Mesmo pagamento para o mesmo trabalho” se torna complicado

Parece injusto que dois empregados com a mesma função recebam salários diferentes. Entretanto, pode haver algumas boas razões para pagar pessoas de forma diferente.

Imagine uma equipe de dez representantes de serviço ao cliente. Todos os dez estão em um mesmo nível dentro da estrutura da companhia, trabalham o mesmo número de horas, e compartilham a mesma função. Vamos assumir que todos eles sejam do mesmo sexo. Eles provavelmente deveriam receber o mesmo, certo?

Entretanto, cada um deles é diferente, e traz um patamar diferente de valor para a companhia. Cada um tem um conjunto diferente de habilidades, seu nível de experiência, e determinado tempo de empresa.

De fato, dois deles consistentemente obtêm avaliações muito altas dos clientes, superando as expectativas. O chefe chama os dois de lado e diz: “Vocês estão fazendo um excelente trabalho e não queremos perdê-los. Vamos aumentar seus salários em $1 a hora 1 .”

Com leis de igualdade de pagamento, este tipo de aumento seletivo não seria mais aceitável?

O pagamento é um incentivo útil para motivar e recompensar os trabalhadores, e os empregadores precisam ser livres para administrar suas forças de trabalho, estimular um serviço ao cliente de excelência, e manter suas empresas saudáveis e competitivas.

Como fiscalizar?

Se o governo pretende obrigar igualdade de pagamento, como isto será comunicado? Novas agências financiadas por impostos serão criadas para manter um olho desconfiado nos empregadores. Todas as funções e salários terão que ser comunicadas? Haverá exceções para fatores como estabilidade e mérito?

Alguns podem dizer: “Não se preocupe, haverá exceções para todas essas coisas.” Mas se isto é verdade, parece que este novo sistema estatal se tornará igual a muitos outros, cheio de brechas e burocracia, e nunca realmente resolvendo a raiz do problema a que ele se propõe a resolver.

Do outro lado da moeda, um empregado que suspeite que pode não estar recebendo tanto quanto o colega ao lado precisará de um canal para reclamar, processar ou ao menos investigar se isto é verdade. Isso poderia exigir que os salários fossem mais ou menos públicos dentro da empresa. Transparência pode ser algo muito bom, mas também há valor em se manter um acordo entre empregador e empregado.

Se todos estão vigiando todos os demais, não apenas haveria uma queda de ânimo, mas como colocado anteriormente, um empregador ficaria menos livre para recompensar aqueles que superam e geram excepcional valor para a companhia.

A espada corta para ambos os lados

Indra Nooyi , CEO da PepsiCo , segunda maior empresa de alimentos e bebidas do mundo.

Claramente existem mulheres que ganham menos do que um homem na mesma função, mas também existem mulheres ganhando mais do que um homem na mesma função. Se estas leis igualitárias passarem, estou certo de que muitas mulheres, além de homens, teriam seus rendimentos cortados para igualar as coisas.

É apenas uma realidade a que devemos nos preparar.

Custos e desincentivos

Novas leis, burocracias, agências, regulamentações, regras de conformidade, processos jurídicos, etc… significam, não apenas dor de cabeça para os empreendedores, como também novos impostos e maiores custos sendo transferidos para todos nós (incluindo as mulheres).

Além disso, regulamentações dão às empresas menores incentivos para contratar. Leis que aumentam os salários mínimos, por exemplo, muitas vezes forçam as empresas a dispensar trabalhadores para sobreviver .

Se as leis de igualdade de salários entre homens e mulheres criarem novos custos, riscos e dificuldades para os empregadores, eles irão compreensivelmente ser mais cautelosos em contratar quando possível. Junte isto à lista de potenciais custos não intencionais de consertar a diferença salarial.

Não cause mal

Não estou dizendo que a diferença salarial seja completamente inverídica, ou que não deveria receber nenhuma atenção, mas vamos resolver os problemas de forma inteligente. Nossa reação imediata pode ser forçar que tudo seja igual, porém há aqui um forte argumento de que este seja mais um trabalho para o qual o Estado não serve. Além disso, intervenções do governo no livre mercado geralmente viram custosos obstáculos para pouco resultado , e este caso não parece ser diferente.

Políticas igualitárias de pagamento serão apenas mais uma ferramenta no meio das engrenagens do livre mercado americano 2 , que, como muitos grandes economistas já disseram, está entre as maiores forças de redução da desigualdade e elevação do padrão de vida que temos no mundo . Para cada problema que delegamos a solução ao governo, o poder do livre mercado se encolhe.

Talvez nós devêssemos reunir e analisar estatísticas, refletir sobre a sociedade, e utilizar nossas esferas de influência para fazer deste mundo um lugar melhor. Mas primeiro, vamos nos certificar de que nossa abordagem vale o custo-benefício. Em nossa ânsia de ajudar as vítimas de descriminação, vamos nos assegurar que não as prejudicaremos ainda mais.

Sim, leis de igualdade de pagamento seriam um ônus para as empresas que estão remunerando menos às mulheres sem boa razão (e, podemos dizer, um ônus justo). Entretanto, elas irão sem dúvida prejudicar a grande maioria de negócios que já remuneram seus empregados de forma justa.

Mais uma coisa

A ausência de leis de igualdade de pagamento não significa que não fazemos nada. Para começar, se nos depararmos com uma empresa que está abertamente pagando mais a um gênero sem boa razão, somos livres para divulgar e boicotar. Um empregado sub-remunerado pode encontrar emprego em outro lugar. Ou até melhor, iniciar seu novo negócio, se tornar a concorrência, e criar um modelo remuneratório mais equitativo.

Pode ser que a melhor forma de avançar seja desviar o foco do vitimismo e perceber as oportunidades incríveis e sem precedentes que estão diante de nós. Pode-se dizer que os Estados Unidos de hoje seja o lugar com mais oportunidades para as mulheres que este planeta já viu.

Então, da próxima vez você se sentir tentado a entrar em uma discussão no Facebook (ou na vida real, se elas ainda existirem) sobre desigualdade salarial entre os sexos, lembre-se de perguntar: “Então o que devemos fazer a respeito? E seus efeitos colaterais valerão a pena?”


Esse artigo foi originalmente publicado como Why Equal Wage Policy Won’t Pay Off para o Foundation for Economic Education .


Notas:

  1. Nos EUA, os salários são comumente expressos em dólares por hora. (N. do E.)
  2. No artigo original, o autor usou uma expressão muito comum em inglês que se refere a haver uma ferramenta indevidamente colocada em meio às engrenagens de uma máquina, e que dificulta que essas engrenagens girem livremente. (N. do T.)

Sobre o Autor

Jefferson Shupe é blogueiro e desenvolvedor de softwares, cuja paixão é estudar questões políticas e encontrar um campo comum para ambas as partes em que é possível haver progresso.

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