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Hillel Neuer logrou êxito em conseguir que o escritório de direitos humanos da ONU apagasse um tweet que questionava se o “fundamentalismo de mercado” – ou seja, “a crença na infalibilidade das políticas econômicas de livre-mercado” – seria “uma ameaça urgente”. Suponho que isso signifique uma ameaça aos direitos humanos.

Leia a história na íntegra aqui . Neuer emitiu uma magnífica declaração à imprensa:

É muito revelador que o mesmo escritório de direitos humanos da ONU falhou em emitir um único tweet sobre a terrível crise de direitos humanos na Venezuela no mês passado, onde milhões enfrentam fome generalizada em parte devida aos ataques ao livre-mercado das políticas econômicas equivocadas do ex-presidente Hugo Chávez e seu sucessor, Nicolás Maduro , que incluiu confiscos arbitrários de empresas e propriedade privada.

Eu gostaria de observar como o tweet apagado, por si só, é bastante revelador. O autor chama de fundamentalismo de mercado “a crença na infalibilidade das políticas econômicas de livre-mercado”. A referência a “políticas econômicas de livre-mercado” me intriga. O mercado é um processo, “um vasto e sempre ativo laboratório de experimentos” (veja este esplêndido artigo de Don Boudreaux ). As políticas que de alguma forma favorecem o livre mercado são aquelas que constroem o caminho para a engenhosidade das pessoas, de modo que estes experimentos possam realmente ocorrer. Isto significa que elas mantêm sob controle a discricionariedade dos poderes políticos, limitam e esclareçam normas, diminuem barreiras legais à entrada em um determinado mercado, e abrem o comércio internacional. É difícil descrevê-las como “políticas de livre-mercado”, porque elas implicam em minimizar políticas econômicas; isto é: as ações que o governo toma no próprio campo econômico.

Certamente ninguém acredita que “políticas econômicas de livre-mercado” são infalíveis em si mesmas, na verdade os adeptos do livre-mercado são bem cientes das limitações dos tomadores de decisão, e do fato de que algumas vezes “privatizações” e “liberalizações” podem dar errado. Como promover a transição tem sido uma questão amplamente debatida, e temos histórias de sucesso como também fracassos.

Tampouco alguém acredita que “o livre-mercado” seja infalível. Isto é até óbvio demais para me estender, mas porque o livre-mercado é um processo de descoberta, ao andar de experimento em experimento, certamente alguns destes experimentos podem e devem fracassar. “Mercados falham, é por isso que precisamos de mercados” é uma boa maneira de colocar isto. (Estou citando Arnold Kling. Veja este artigo de Arnold e Nick Schulz).

Eu mesmo sei que um tweet tem 140 caracteres, e alguém poderia dizer que quem quer tenha escrito aquele tweet da ONU foi pela síntese. Porém eu temo que o tweet em si é bastante revelador de um entendimento, ou falta dele, que antecede e demonstra profundamente o viés político que levou o autor a escrever tal tweet. Vindo de pessoas que devem estar preocupadas com uma questão tão sensível e importante como direitos humanos, o autor mereceu muito o vexaminoso tratamento a que Hillel Neuer lhe dispensou.


Esse artigo foi originalmente publicado como What the UN Gets Wrong about Free Markets para o Foundation for Economic Education .

Sobre o Autor

Alberto Mingardi é diretor geral do Istituto Bruno Leoni, think tank italiano sobre o livre-mercado.

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