Hoje mais cedo1, o Instituto Fraser publicou a 21ª edição do relatório anual da Liberdade Econômica do Mundo. O think-tank canadense usa 42 dados estatísticos em cinco áreas diferentes (tamanho do governo, direito à propriedade privada, estabilidade econômica, liberdade de comércio internacional e regulamentação) para ranquear a liberdade econômica de 159 países e territórios.

Os resultados? Como diz Johan Norberg2, “a liberdade é maravilhosa”. O que ele quer dizer é que – quase sem exceção – quanto mais livre é o país, mais rápido é seu crescimento econômico e mais alta é a renda de seus cidadãos.

O relatório completo está disponível no site do Institute Fraser. Mas aqui estão os pontos-chave:

Os EUA não são a verdadeira Terra da Liberdade

Hong Kong, apesar dos recentes distúrbios políticos, ocupa o primeiro lugar – como tem sido desde 1980. Pelo décimo ano consecutivo, Singapura vem em segundo lugar. Nova Zelândia, Suíça, Irlanda, Reino Unido, Ilhas Maurício, Geórgia, Austrália e Estônia compõem o resto dos 10 primeiros colocados. Os Estados Unidos passaram do 13º lugar para o 11º. Lá, eles se juntam ao Canadá, que caiu seis lugares. Outras colocações que chamam atenção são a Alemanha em 23º lugar, a França em 52º, o México em 76º, a Rússia no 100º e a China no 112º lugar3.

Quanto mais livre o país, melhor

Por que as posições na lista são importantes? Elas importam porque, como dito acima, há uma alta correlação entre liberdade econômica e indicadores importantes do bem-estar humano.

O Instituto Fraser divide os países e territórios medidos em quartis4 com base no seu nível de liberdade econômica. O quartil mais livre tem uma renda média sete vezes superior à do menos livre5. Entre 1990 e 2015, o crescimento econômico foi em média de 3,35% ao ano no quartil mais livre, enquanto o menos livre experimentou míseros 1,66% de crescimento.

Não se trata apenas de dinheiro. Nas nações mais livres, a expectativa de vida é de 80,7 anos. Isso é 16,3 anos a mais do que no quartil inferior. Para muitas pessoas, isso equivale a uma diferença entre conhecer seus netos ou morrer antes de eles nascerem.

Finalmente, quanto mais livre for a nação, em melhor situação estarão as pessoas mais pobres. Os 10% mais pobres no quartil mais livre possuem uma renda 11 vezes maior do que os 10% mais pobres no quartil menos livre 6. Nos países mais livres, os 10% mais pobres possuem uma renda quase duas vezes maior do que a pessoa média nos países menos livres.

A liberdade econômica não se trata apenas de economia

Pela primeira vez, a edição de 2017 do relatório ajustou sua metodologia para incluir o Índice de Disparidade de Gênero – GDI7. A inclusão do índice é um reconhecimento de que as mulheres nem sempre são tratadas igualmente pela lei. Ao usar dados dos projetos Women, Business and Law e 50 Years of Women’s Rights, os autores da Fraser modificaram retrospectivamente os resultados do relatório anual da Liberdade Econômica do Mundo.

Esta mudança metodológica significou que as nações árabes caíram – muito8.

No relatório anterior, por exemplo, havia quatro nações do Oriente Médio dentro dos 30 primeiros colocados. Agora que o GDI foi incluso, nem uma única nação árabe ocupa as 36 primeiras posições. Os Emirados Árabes Unidos e o Qatar, que anteriormente eram as nações mais bem posicionadas, ocupando o 5º e o 11º lugares, respectivamente, agora ocupam apenas a 37ª e a 45ª posições. E os 10 países que sofreram as maiores reduções devido ao ajuste do GDI foram todos países de maioria muçulmana.

O mundo está ficando mais livre, mais rapidamente

Esta é a conclusão final e mais importante a ser feita. Apesar da nossa tendência ao pessimismo sobre a situação do mundo, a liberdade econômica aumentou substancialmente nos últimos 25 anos – especialmente nos países em desenvolvimento.

Em 1990, a nota média de um país “industrializado de alta renda” foi de 7,18, em comparação com apenas 5,28 para o país médio “em desenvolvimento”. Em 2015, a pontuação média em países de alta renda foi 7,76 ao passo que a média nos países em desenvolvimento foi de 6,61. A diferença entre os dois grupos caiu de 1,90 para 1,15 – uma melhoria de 40%. Isso foi graças em grande parte à liberalização do comércio e à derrota da inflação após a criação de moedas estáveis.

O resultado é que, se a média do mundo dos anos 80 fosse uma nação, ela estaria colocada hoje na 154ª posição – a colocação entre a Síria devastada pela guerra e a Líbia anárquica. Se a média mundial de 2015 fosse uma nação em 1980, seria o 9º país mais livre – com uma pontuação de 6,88, ligeiramente acima do Canadá na época.

O novo Liberdade Econômica do Mundo mostra que, apesar de muitas anomalias e desafios, a liberdade econômica permanece profundamente vinculada a importantes indicadores de bem-estar humano, incluindo riqueza, alívio da pobreza e expectativa de vida. Neste sentido, são os membros mais pobres da humanidade que mais se beneficiam disso. Que continue assim por muito tempo.


Esse artigo foi originalmente publicado como Good news! The world is getting freer, faster para o CapX.


Notas:

  1. 28 de setembro de 2017, quando o artigo original foi publicado. (N. do E.)
  2. Johan Norberg é um escritor, palestrante e documentarista sueco, que comenta sobre empreendedorismo, tendências globais e globalização em todo o mundo. (N. do E.)
  3. O Brasil está em 120º. (N. do E.)
  4. Ou seja, cada quartil representa um quarto da amostra. (N. do A.)
  5. US$ 42.463 e US$ 6.036, respectivamente. (N. do A.)
  6. US$ 11.998 por ano e US$ 1.124 por ano, respectivamente. (N. do A.)
  7. Sigla em inglês para Gender Disparity Index, ou seja, Índice de Disparidade de Gênero. (N. do T.)
  8. O relatório foi compilado antes de se noticiar que as mulheres sauditas agora serão autorizadas a dirigir, mas eu não acho que isso afetaria muito os resultados. (N. do A.)

Sobre o Autor

Pesquisador-assistente junto ao humanprogress.org.

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