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Uma de minhas memórias mais antigas é o homem do gelo entregando grandes blocos de gelo no pequeno apartamento dos meus pais no sul da Califórnia. O gelo era depositado na “caixa de gelo” dos meus pais e mantinha a comida fresca. Congelada? Não, apenas fresca. Claro, o gelo não durava para sempre. Ele derretia e escorria por um ralo para uma panela no fundo da “caixa de gelo”. A panela tinha que ser esvaziada regularmente para evitar que a água transbordasse para o chão da cozinha. Uma vez que o gelo tivesse derretido o suficiente, o homem do gelo aparecia com outro grande bloco de gelo.

Minhas memórias da “caixa de gelo” são breves porque meus pais logo compraram um refrigerador elétrico. Assim como muitas outras pessoas. Como resultado, os empregos dos homens do gelo desapareceram. Ou, na linguagem de políticos e analistas, os refrigeradores e seus produtores “destruíram” os empregos dos homens do gelo.

No entanto, a maioria de nós diria que os americanos estavam/estão em melhor situação como resultado da refrigeração eletrônica. E os homens do gelo? Passaram para a produção de refrigeradores? Provavelmente não. O mais provável é que eles tenham seguido para a escolha seguinte entre suas oportunidades de emprego; e o próximo melhor é exatamente isso: o próximo melhor. Em outras palavras, os homens do gelo perderam. O homem do gelo recebeu uma fatia menor de um bolo econômico maior. Uma subida na maré econômica não necessariamente levanta todos os navios.

A “invenção” da roda na pré-história certamente elevou o padrão de vida das pessoas. E o número de empregos perdidos dos homens do gelo em comparação com o número de empregos na produção de refrigeradores? Importa? Sim, mas não da maneira que você pensa ou gostaria que fosse. A saber, quanto menos empregos associados à produção de refrigeradores, melhor!

Existindo menos pessoas empregadas na produção de refrigeradores significa não apenas que as pessoas podem ter melhor refrigeração, mas mais de outras coisas. É assim que os avanços tecnológicos elevam o padrão de vida. Ignoramos isso para nosso próprio perigo.

Perdendo empregos, mas ganhando prosperidade

Descobri que as pessoas estão mais dispostas a aceitar essa linha de raciocínio quando ela é apoiada por exemplos do passado distante. Por exemplo, a “invenção” da roda na pré-história certamente aumentou o padrão de vida das pessoas, mesmo que tenha reduzido o número de empregos associados a transportar as coisas de um lado para o outro. O tremendo avanço na produtividade agrícola norte-americana nos últimos 150 anos ou mais é outro exemplo. Empregos agrícolas caíram, enquanto o padrão de vida subiu.

Conforme os exemplos se aproximam do presente, contudo, analistas políticos e econômicos mudam seus roteiros. As consequências começam a ser definidas em termos de empregos perdidos nos setores desfavoravelmente afetados pela mudança econômica. Os perdedores se tornam alvos lucrativos para empreendedores políticos que prometem “recompensar” aqueles que perderam empregos com favores especiais em troca de seus votos. Isso não é possível para mudanças ocorridas no passado distante porque quem perdeu seus empregos já morreu ou não vota mais. Exceto, talvez, em lugares como Chicago onde as pessoas votam “desde cedo e com frequência, até quando mortos”.

Não detenha o progresso

Não há onde isso esteja mais evidente do que quando empregos americanos são “perdidos” por conta de importações. Suponha que um influxo de guarda-chuvas, digamos, chineses ocorre a preços abaixo dos produtores americanos. Como os homens do gelo, os produtores de guarda-chuva perdem, independentemente de sair ou continuar na produção de guarda-chuvas. Mas eles se tornam um potencial bloco de eleitores que empreendedores políticos podem capitalizar. No sentido em que esses empreendedores podem atrasar/restringir a entrada de guarda-chuvas chineses nos EUA, eles se tornam análogos a um movimento político que teria restringido refrigeração eletrônica. Nada bom.

Incidentalmente, quem fica com o que os produtores americanos de guarda-chuva perdem? Não são os chineses, com certeza não! Tudo o que os chineses obtêm é o preço mais baixo que os americanos agora pagam nos guarda-chuvas. Os beneficiários do preço mais baixo são os americanos que compram guarda-chuvas. Nada do bolo econômico americano vai para o chinês. Ao invés disso, um bolo econômico maior dos EUA é redividido entre americanos de modo que alguns recebem um pedaço maior, outros um pedaço menor, com os aumentos somando mais do que as diminuições.

O importante disso tudo é que a economia como campo de estudo é fundamentada na proposição de que as pessoas, individualmente ou coletivamente, não conseguem comandar recursos produtivos o suficiente para satisfazer desejos de consumo ilimitados. Essa falta de recursos significa que todas as sociedades, tanto ricas como pobres, têm escadas de padrão de vida com degraus ainda não alcançados. A única maneira de alcançar degraus mais altos é dedicar menos esforço produtivo nos degraus ao alcance.

Menos significa mais? Pode apostar. É por isso que o economista Richard McKenzie, da Universidade da Califórnia de Irvine, pôde escrever alguns anos atrás um artigo no Wall Street Journal intitulado “Ajude a economia: destrua alguns empregos”.

Nota pessoal: Por conta de minha experiência da infância, por muito tempo chamei refrigeradores elétricos de “caixas de gelo”. Então quando pedia para meus filhos tirarem a mesa, eu às vezes dizia para colocar coisas como a salada que sobrou na “caixa de gelo”. Eles então colocavam a salada no congelador, porque era ali que os cubos de gelo ficavam. A salada obviamente estragava em pouco tempo. Ai, ai.


Esse artigo foi originalmente publicado como The Iceman’s Job was Destroyed. Good! para o Foundation for Economic Education.

Sobre o Autor

T. Norman Van Cott, professor de economia, recebeu seu Ph.D, da University of Washington em 1969. Antes de entrar para Ball State University em 1977 , ele lecionou na University of New Mexico (1968-1972) e University of West Georgia (1972-1977). Ele foi o coordenador do departamento de 1985 a 1999. Seus campos de interesse incluem a teoria microeconômica, finanças publicas e economia internacional. A pesquisa atual de Van Cott é em economia constitucional.

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