facebook_pixel

O comércio tem enriquecido a humanidade oferecendo produtos cada vez melhores e mais baratos enquanto diminui drasticamente a pobreza global. O fim da pobreza extrema está, agora, à vista. Uma pesquisa recente da Gallup divulgou que 58% dos americanos enxergam o comércio como uma oportunidade, não como uma ameaça; e esta crença tem aumentado.

No entanto, raramente ouvimos sobre os incríveis benefícios das trocas. As eleições presidenciais americanas de 2016 têm trazido em voga um aumento de interesse nos negócios realizados entre os EUA e a China, com figuras políticas como Donald Trump proeminentemente focando no alegado “dano” ocasionado pela China aos EUA1. Aqui descrevo os três principais argumentos que os céticos do comércio usam em relação à China, e as razões pelas quais estão errados.

1) Os céticos geralmente reclamam que o comércio com a China tem “tomado o emprego dos americanos”. Entretanto, na maioria dos casos, trabalhadores americanos e chineses não estão competindo pelos mesmos empregos, já que exercem diferentes tipos de trabalho.

Vantagens comparativas e especializações têm um papel importante em todas as relações comerciais. A China possui vantagem comparativa na indústria, enquanto os EUA têm vantagem nas áreas que envolvem um alto desenvolvimento de capital humano, como tecnologia, educação e indústria de precisão.

Cada vez menos americanos trabalham em áreas esgotantes como parques industriais tradicionais e agricultura, sendo que ambos ainda são comuns na China. A queda no emprego na manufatura tradicional e na agricultura tem sido mais do que compensada por um aumento no de profissionais assistenciais e nas carreiras criativas e de conhecimento intensivo, as quais são mais seguras, mais estimulantes intelectualmente, e que aumentam a qualidade de vida dos cidadãos americanos.

Por exemplo, o número de médicos por pessoa tem aumentado nos Estados Unidos, além de ter aumentado o número de professores por aluno. O gráfico abaixo mostra que, enquanto o emprego na manufatura tem diminuído, o número total de empregos não-agrícolas disparou.

Fonte: Daniel J. Ikenson, Cato Institute Trade Policy Studies
Fonte: Daniel J. Ikenson, Cato Institute Trade Policy Studies

2) Muitas pessoas estão preocupadas com a chamada manipulação cambial da China. Esta, eles alegam, está mantendo o valor do yuan artificialmente baixo em relação ao dólar2 . Isto significa que americanos pagam menos por produtos chineses. Como Mark J. Perry, membro do conselho do Human Progress, coloca:

A “manipulação” do câmbio chinês é, na verdade, muito vantajosa para milhões de consumidores norte-americanos (especialmente os de baixa renda) e de empresas norte-americanas que compram produtos e insumos na China. Estes dois grupos certamente não reclamam dos baixos preços chineses e, na verdade, estariam em situação pior se a China fosse forçada a reavaliar sua moeda e com isso tornar seus produtos mais caros para os americanos.

Então, se nenhum consumidor americano ou empresa importadora se beneficiariam da valorização do yuan e da redução na ‘ajuda externa’ da China para os EUA, quem se beneficiaria? O mesmo grupo que sempre se beneficia do protecionismo e de políticas comerciais mercantilistas: produtores nacionais que competem contra rivais estrangeiros na China e em outros lugares.

Infelizmente, o custo do protecionismo para os consumidores é maior do que o benefício para os produtores, resultando em uma perda econômica para o país e uma redução do padrão de vida.

Em outras palavras, enquanto algumas poucas indústrias seriam beneficiadas, a vasta maioria dos americanos ficariam mais pobres devido à imposição americana de políticas protecionistas, ou por penalidades impostas à China.

3) Céticos do comércio com a China frequentemente reclamam que o comércio leva à exploração dos trabalhadores chineses, e os coloca em situação pior. Entretanto, como escreveu Johan Norberg da Cato:

Ativistas ocidentais se enfurecem contra as fábricas de suor3 , mas entre os pesquisadores e economistas, os de esquerda e de direita, há um consenso que estes postos de trabalho são o caminho4 para fora da pobreza.

Para que não esqueçamos, os EUA e a Europa tiveram suas próprias fábricas de suor durante a Revolução Industrial. Trabalhar era, em alguns exemplos, perigoso e difícil – embora não tão penoso quanto viver de subsistência agrícola. No entanto, como resultado da Revolução Industrial, a expectativa de vida e o PIB per capita decolaram, enquanto a pobreza foi rapidamente reduzida.

Desde da liberalização da economia, a expectativa de vida na China disparou, aproximando-se do nível nos EUA, e centenas de milhões de chineses escaparam da extrema pobreza. Isso representa a maior redução na pobreza que o mundo já viu.

Enquanto a prosperidade tem aumentado, a desigualdade entre gêneros tem diminuído, e uma parcela menor da população sofre com alimentação inadequada. Se os céticos do comércio realmente se preocupam com o bem-estar dos chineses pobres, eles devem apoiar o programa antipobreza mais bem-sucedido de todos os tempos: liberalismo econômico, incluindo a liberdade de comércio internacional.

 Fonte: Maxim Pinkovskiy e Xavier Sala-i-Martin, NBER Working Paper No. 15433
Fonte: Maxim Pinkovskiy e Xavier Sala-i-Martin, NBER Working Paper No. 15433

Esse artigo foi originalmente publicado como Trading with China Makes Us (and Them) Richer para o Foundation for Economic Education.


Notas:

  1. No Brasil, também se tem esse receio. (N. do E.)
  2. Ou qualquer outra moeda, como o real brasileiro. (N. do E.)
  3. Sweatshops, no original em inglês. Trata-se de empregos com muitas horas de trabalho, baixos salários, e condições precárias. (N. do T.)
  4. Stepping stones, no original em inglês. Ou pedras que que são usadas como ponto de apoio intermediário ao se sair de uma plataforma buscando chegar em outra mais distante. (N. do T.)

Sobre o Autor

Chelsea Follett trabalha no Cato Institute como pesquisadora e editora-chefe no Human Progress.

3 Comments

  1. Concordo plenamente com os com os pontos 1 e 2, porém concordo parcialmente com o ponto 3. A questão apresentada nesse tópico não se refere ao fato de um emprego ser ruim a um trabalhador Chinês, mas a forma como esse trabalho é exigido deles.

  2. O primeiro argumento até pode ser verdadeiro em relação aos EUA, no caso brasileiro estamos perdendo postos de trabalho e nosso sistema educacional não forma nem operários de qualidade… na divisão internacional do trabalho deveríamos ocupar uma posição semelhante à chinesa, mas nossa carga tributária e a legislação trabalhista invializam a instalação de indústrias…

  3. João Luiz Pereira Tavares - Responder

    Problemas regionais tanto quanto nacionais… MORO, Nosso Amado Chefe e Coração Valente©

    Não é difícil resolver o grave problema do atual Brasil. Basta conhecer o contexto… Por exemplo, você conhece o bilionário João?… Se não sabe, não irá compreender nada!

    Nossa solução para a Educação MUSICAL e geral em 2017 é a «Coração Valente©» sim, professora de Língua Portuguesa e Doutôôôôra em Economia. De um gosto musical instrumental refinado. Sabe quem é a «Coração Valente©»??? Se não, aí é lógico que você não irá entender nadinha!

    Ela é sábia e inteligente e é a única capaz de resolver o problema do Brasil, compreendeu?…

    E lembre-se, ela é também nossa deusa. deusa do Petismo. É ela a solução!, Nossa Mãe ILIBADA.

    deusa essa criada por João, o bilionário, cujo nome santificado e puro é «Coração Valente©». Não cometeu crime de responsabilidade. Ele é deusa.

    O bilionário João Santana agora está preso pelo vilão do lado escuro MORO. Moro esse que a nossa religião ensina-nos que é uma intidade do Mal. Se a nossa religião falou, então ele é do Mal mesmo. ¿Sabe quem é Moro?

    Sim! Ela foi indicada por Nosso Amado Chefe, mas criada pelo bilionário João. Honra a nossa brega deusa petista! ¿Sabe quem é Nosso Amado Chefe??

    Apelo:
 ¡Volta logo brega Mãe sábia da Língua Portuguesa ilibada e da musicalidade profunda, nossa solução para 2017! E para a Educação do Brasil, seja a formal ou a EDUCAÇÃO ALTERNATIVA e moderna! A sábia! Puríssima! Coração Valente©

Responder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Close