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No clássico livro de Milton e Rose Friedman Livre para escolher: Um Depoimento pessoal , os autores defenderam a seguinte tese (esta citação foi destacada no meu recente post de aniversário de Milton Friedman ):

Progresso industrial, aperfeiçoamento mecânico, todas as grandes maravilhas da era moderna significaram relativamente pouco para os ricos. Os ricos da Grécia antiga quase não teriam se beneficiado dos modernos sistemas de encanamento: os servos substituíam a água corrente. Televisão e rádio? Os aristocratas de Roma podiam apreciar os melhores músicos e atores em suas residências, podiam ter os melhores atores como seus funcionários domésticos. Roupas prontas, supermercados – todos estes e muitos outros desenvolvimentos modernos teriam adicionado pouco às suas vidas. As grandes conquistas do capitalismo ocidental se reverteram primariamente em benefício das pessoas comuns. Estes feitos tornaram disponíveis para as massas conveniências e luxos que eram anteriormente prerrogativas exclusivas dos ricos e poderosos.

Este é um reconhecimento importante e poderoso de que uma desproporcional fração dos benefícios do capitalismo, do livre mercado, da inovação, de novos produtos, do comércio e dos avanços tecnológicos vão para o cidadão comum, e não para os ricos como os progressistas Hillary Clinton e Bernie Sanders querem nos fazer acreditar. Alguns poucos exemplos atuais deste fenômeno talvez sejam a ampla disponibilidade hoje de GPS em nossos celulares e de serviços de carona compartilhada como o Uber e o Lyft.

Pergunta: Quanto que os mais ricos americanos como Bill Gates , Warren Buffet , Bill Clinton e Donald Trump se beneficiam do GPS e do Uber?

Resposta: Muito provavelmente nada, porque eles raramente dirigem seus carros, geralmente viajam em jatos privados e limusines, e todos eles possuem grandes equipes que tratam da organização de suas viagens. Agora pense nos enormes benefícios que o GPS e o Uber geram para o cidadão comum nos EUA, e você terá que concordar com Friedman que as “grandes conquistas do capitalismo beneficiam primariamente as pessoas comuns”.

Acabei de aprender sobre outro exemplo desse fenômeno em um e-mail do colunista Jeff Jacoby do Boston Globe, que me enviou a citação abaixo do livro “ Apresentando Frederick Douglass: Uma biografia ilustrada do americano mais fotografado do século 19 1 .

Primeiro, sobre o livro, aqui vai o que um crítico escreveu no site de notícias sobre câmeras e fotografia PetaPixel :

Extensas pesquisas revelaram que Douglass foi um destacado pioneiro em fotografia que esteve por trás de tantas imagens quanto ele pôde a fim de combater caricaturas “blackface” 2 e afirmar a humanidade de afro-americanos durante a escravidão.

Douglass acreditava que fotografias eram um meio poderoso de influência “moral e social”, permitindo que os pobres e oprimidos encontrassem autoconfiança.

E aqui está a citação de Douglass, que por volta de 1860 escreveu que ele considerava fotografias uma potencial fonte de autoconfiança para o povo oprimido:

A mais humilde doméstica agora pode ter uma fotografia dela mesma tal qual a riqueza dos reis não poderia adquirir cinquenta anos atrás.

Assim como os exemplos de Friedman acima de encanamento moderno, TV, rádio e supermercados, a fotografia moderna da mesma forma adicionaria muito pouco às vidas dos abastados reis – eles poderiam simplesmente ordenar aos melhores artistas do reino que pintassem retratos de si mesmos e outras realezas.

Relacionado: Aqui está uma grande citação de Joseph Schumpeter sobre o mesmo assunto:

A engrenagem capitalista é, a princípio e ao fim, uma engrenagem de produção em massa que inevitavelmente também significa produção para as massas. […] É a roupa barata, o tecido barato de algodão, a fibra barata, botas, carros e assim por diante, que são conquistas típicas da produção capitalista, e não, via de regra, melhorias que significariam muito para os ricos. A rainha Elizabeth tinha meias de seda. O feito capitalista não consiste tipicamente em produzir mais meias de seda para as rainhas, mas em trazê-las para o alcance das mulheres operárias em contrapartida a quantidades cada vez menores de esforço.

Ao que Don Boudreaux respondeu em 2007 no Café Hayek , e que é uma grande forma de resumir o ponto principal deste artigo:

Leia a última frase mais uma vez. Deveríamos ensiná-la a nossas crianças. Ao invés disso, temo que elas estejam aprendendo que sob o capitalismo, os ricos ficam mais ricos e os pobres ficam mais pobres. Simplesmente não é assim.

Entretanto estou certo que continuaremos ouvindo de Hillary, Sanders, Obama e outros progressistas sobre como todos os ganhos de uma economia de mercado vão para os ricos. Simplesmente não é assim! Pense sobre quão equivocada é a visão progressista na próxima vez que usar seu laptop, seu smartphone, seu GPS, SoundHound ou Spotify, ou pegar uma carona usando Uber ou Lyft.


Esse artigo foi originalmente publicado como The great achievements of capitalism have primarily benefited the ordinary citizen, not the wealthy para o American Enterprise Institute .


Notas:

  1. Tradução livre. (N. do T.)
  2. Blackface é a maquiagem que um branco usa para representar o papel de um negro. (N. do T.)

Sobre o Autor

Mark J. Perry é pesquisador da American Enterprise Institute e professor de economia e finanças na University of Michigan.

1 Comment

  1. Só uma correção : em vez de “O capitalismo” o texto diz que “A Revolução Industrial” é para o resto de nós, não para os ricos. Em tempo: no mundo real e concreto, NÃO EXISTE essa falsa dicotomia “capitalismo ocidental vs capitalismo oriental”. Só existe O CAPITALISMO. Ponto final.

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