Os críticos frequentemente acusam o mercado e o capitalismo de piorarem a vida dos pobres. O refrão é certamente comum nos corredores da academia esquerdista, e também em círculos intelectuais mais amplos. Mas, como tantas outras críticas ao capitalismo, essa ignora os fatos da história, tão reais e tão disponíveis.

Nada fez mais para tirar a humanidade da pobreza do que a economia de mercado. Essa alegação é verdadeira, quer se olhe para um intervalo de tempo de décadas ou de séculos. O número de pessoas ao redor do mundo vivendo com menos de aproximadamente 1 dois dólares por dia é menos da metade do que era em 1990. Os maiores ganhos na luta contra a pobreza ocorreram em países que abriram seus mercados, como a China e a Índia.

Se olharmos para um período mais longo da história, podemos ver que a tendência atual é apenas a continuação das vitórias do capitalismo enfrentando a pobreza. Na maior parte da história humana, vivemos em um mundo de poucos abastados e muitos desprovidos 2 . Isso lentamente começou a mudar com o surgimento do capitalismo e da Revolução Industrial . Conforme o crescimento econômico decolou e se espalhou por toda a população, ele criou nosso próprio mundo no Ocidente onde há muitos abastados, e alguns abastados do bom e do melhor.

Por exemplo, o percentual de lares americanos abaixo da linha de pobreza que têm aparelhos domésticos básicos cresceu firmemente nas últimas décadas , a ponto das famílias pobres em 2005 terem maior probabilidade de ter coisas como secadora de roupas, lavadora de louças, geladeira e ar condicionado do que a família média de 1971. E itens de consumo que nem existiam naquela época, como telefones celulares, existiam em metade dos lares pobres em 2005, e existem hoje na grande maioria deles.

O capitalismo também tornou as vidas das pessoas pobres muito melhores ao reduzir taxas de mortalidade infantil, sem mencionar as taxas de mortalidade materna no parto, e por estender expectativas de vida em décadas.

Considere também, como o motor do crescimento capitalista permitiu ao planeta sustentar quase 7 bilhões de pessoas, comparado a 1 bilhão em 1800. Como notou Deirdre McCloskey , se você multiplicar o aumento no consumo do ser humano médio pelo aumento em expectativa de vida ao redor do mundo por sete (para 7 bilhões de pessoas contra 1 bilhão de pessoas), a humanidade como um todo está melhor por um fator de aproximadamente 120. Não se trata de 120% melhor, mas 120 vezes melhor em relação a 1800 3 .

O processo de mercados competitivos também fez educação, arte e cultura disponíveis para mais e mais pessoas. Até os mais pobres dos americanos, isso sem falar de muitos dos pobres pelo mundo, têm acesso pela internet e pela televisão a concertos, livros e obras de arte que foram domínio exclusivo dos endinheirados por séculos.

E nos países mais ricos, a dinâmica do capitalismo começou a alterar a própria natureza do trabalho. Onde um dia as pessoas labutavam 14 horas por dia sob o sol em trabalhos extenuantes, agora um número cada vez maior de nós trabalha no conforto de ambientes climatizados. Nosso dia e nossa semana de trabalho encolheram graças ao valor muito maior do trabalho que é consequência de se trabalhar com capital produtivo. Passamos um percentual muito menor de nossas vidas trabalhando por dinheiro, quer sejamos ricos ou pobres. E mesmo com a mudança econômica, a renda dos pobres é muito mais estável, já que não é atrelada a mudanças imprevisíveis no tempo que são inerentes a uma economia predominantemente agrícola que já desapareceu há muito tempo.

Pense assim: os reis fabulosamente ricos de antigamente tinham empregados atendendo todas as suas necessidades, mas um dente doente era possivelmente fatal. Os pobres em países largamente capitalistas têm acesso a uma qualidade de cuidados médicos e uma variedade e uma qualidade de comida das quais os reis do passado só podiam sonhar.

Considere também que cem anos atrás o trabalhador pobre de Londres só podia, na melhor das hipóteses, dividir meio quilo de carne por semana entre todos os seus filhos, que eram mais numerosos do que os dois ou três de hoje. Além disso, toda a família comia carne uma vez por semana no domingo, o único dia em que o homem da casa estava para o jantar. Essa era a carne da semana.

Compare isso com hoje, quando nos preocupamos que os americanos pobres conseguem muito facilmente adquirir todos os dias uma refeição com uma porção de carne por menos de uma hora de trabalho. Mesmo que você diga que o capitalismo colocou as pessoas pobres acima do peso , essa é uma grande realização se comparada à norma pré-capitalista de constante subnutrição, ou à luta do trabalhador pobre de cem anos atrás para ingerir calorias suficientes.

A realidade é que historicamente os ricos sempre viveram bem, já que por séculos eles puderam recrutar trabalho humano para atender cada uma de suas necessidades. No mundo pré-capitalista, os pobres não tinham qualquer esperança de mobilidade social ou de alívio dos penosos trabalhos que mal lhes mantinham vivos.

Hoje, os pobres em países capitalistas vivem como reis, graças em maior parte à liberdade de trabalhar e à habilidade em acumular capital que torna o trabalho mais produtivo e enriquece até os mais pobres de todos. A queda no custo daquilo que já foi luxo e hoje é necessidade, causada por mercados competitivos e suas sinalizações de lucro ou prejuízo, trouxe às massas máquinas poupadoras de trabalho. Quando a busca pelo lucro e inovação se tornaram condutas aceitáveis para a burguesia, a cornucópia trouxe sua recompensa, e até os mais pobres compartilharam dessa riqueza.

Uma vez que as pessoas não precisaram mais de permissão para inovar , e uma vez que o valor de novas invenções passou a ser julgado, na forma de lucros e prejuízos , pela melhoria que faziam nas vidas das massas, os pobres começaram a viver vidas de conforto e dignidade.

Essas mudanças não são, como alguns diriam, questão de tecnologia. Afinal, os soviéticos tinham grandes cientistas, mas não conseguiram canalizar esse conhecimento em conforto material para seus pobres. Também não são questão de recursos naturais, que é óbvio hoje que Hong Kong, pobre em recursos, está entre os países mais ricos do mundo graças ao capitalismo , enquanto o socialismo venezuelano destruiu esse país rico em recursos 4 .

Invenções só se tornam inovações quando existem as instituições corretas para fazê-las melhorar as vidas das massas. Isso é o que o capitalismo fez e continua fazendo dia por dia. E é por isso que o capitalismo tem sido tão bom para os pobres.

Considere, finalmente, o que aconteceu quando os soviéticos decidiram exibir a versão em filme de “The grapes of wrath” como propaganda anticapitalista. No livro e no filme, uma família pobre americana é expulsa de casa por tempestades de poeira na época da grande depressão. Eles partem em seu carro velho numa terrível jornada em busca de uma vida melhor na Califórnia. Os soviéticos tiveram de interromper a exibição do filme depois de pouco tempo porque os russos nas plateias estavam fascinados que americanos pobres conseguiam ter carros.

Nem mesmo propaganda anticapitalista consegue fornecer evidência que não contradiga seu próprio argumento. A verdade histórica é clara: nada fez mais pelos pobres do que o capitalismo.


Esse artigo foi originalmente publicado como Capitalism Is Good for the Poor para o Foundation for Economic Education .


Notas:

  1. O Banco Mundial adota o critério de viver com menos de US$ 1,90 por dia como critério para linha de extrema pobreza. Esse valor é convertido para a moeda local de cada país, levando-se em conta seu poder de compra. (N. do E.)
  2. Haves and have-nots, no original em inglês. O verbo to have significa ter, possuir. O que o autor quis dizer, portanto, é que havia poucas pessoas com acesso a bens e serviços, e muitas desprovidas de tal. (N. do T.)
  3. Não encontramos os cálculos de McCloskey. Refizemos com os dados que encontramos e chegamos em um número ainda mais impressionante. Segundo o respeitadíssimo Maddison Project , a renda média mundial em 1820 (não há dados para 1800) era de Intl.$ 712, e de Intl.$ 7.814 em 2010 (último ano disponível). De acordo com o site Our World In Data , a expectativa de vida no mundo em 1820 (também não há dados para 1800) era de 29 anos, e 66,6 anos em 2001 (último ano disponível). Multiplicando-se todos esses números temos (7814 / 712) x (66,6 / 29) x (7 / 1) = 176. (N. do E.)
  4. A Venezuela é o país com maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo . (N. do E.)

Sobre o Autor

Professor de Economia na St. Lawrence University e autor de Microfoundations and Macroeconomics: An Austrian Perspective.

2 Comments

  1. Com certeza os olhos dos quadrilheiros comunistas fascistas ardem ao lerem este artigo e por proibirem tudo, também não deixam seu gado alienado esquerdista terem acesso à verdade. Somente vivem do caos que criam na sociedade, são criminosos que vivem semeando o medo, discórdia, divisão na sociedade, mas, são psicopatas com sede de poder e dominação total. “Aos Olhos da verdade”. Obrigado Artista Realista!

  2. […] mercado e das escolhas dos consumidores. Além do mais, sociedades baseadas no mercado têm sido a melhor solução para a pobreza que a humanidade já conheceu […]

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