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No início deste ano1 foi publicada uma análise chamada “O acúmulo de riqueza na prática”. Este estudo levou em consideração os dados de 2014, e nele foi evidenciado que o acumulo de riqueza no Brasil estava caindo. Ao atualizá-lo com dados de 2015 observa-se que a tendência continua. Lembrando que o relatório fonte dos dados utiliza informações do meio do ano como base, divulgado anualmente em outubro.

Recordando algumas afirmações do artigo anterior:

  • O momento de empolgação que o Brasil se encontrava de 2004 a 2011 esfriou.
  • No decorrer dos anos 2000 as condições para acumular riqueza começaram a ser restringidas, a situação do Brasil iniciou a sua piora e a população não percebeu.
  • Piora nas condições para acumular riqueza em consequência de medidas populistas e intervencionistas, buscando uma utópica igualdade em detrimento da liberdade econômica.

Trazendo para 2015, conforme o exposto no Gráfico 1, temos novamente a confirmação da queda do montante de riqueza acumulada no Brasil. O fato novo foi que a tendência mundial de acumulo de riqueza entre 2009 e 2014 foi quebrada, enquanto no Brasil o nível desta queda foi ainda mais abrupto, voltando a patamares de sete anos atrás.

gráfico 1

A segunda parte do estudo trazia uma comparação entre a riqueza acumulada, circulação de riqueza (PIB) e despesas governamentais, onde buscava o entendimento do real tamanho de cada governo.

Nesta parte, o artigo trouxe as seguintes afirmações:

  • O principal argumento em prol do aumento de gastos governamentais está alicerçado na premissa de que quando se correlaciona este número com o PIB do país encontram-se, como os maiores expoentes, os países com os maiores níveis de prosperidade.
  • Porém como afirma a Escola Austríaca de Economia, a prosperidade não advém da circulação da riqueza (mensurada pelo PIB), mas sim do acúmulo de capital efetuado previamente.
  • Levando em consideração esta afirmação e fazendo a correlação entre os gastos governamentais e a riqueza acumulada por cada nação, é visível a correlação inversa desta razão e a prosperidade das nações.

Empregando a mesma premissa anterior, onde foram utilizadas na amostra todas as nações que possuem mais de U$ 1 trilhão de dólares em riqueza acumulada, ao atualizar os gráficos, ocorreu a saída de um país, a Grécia, e a entrada de dois, Hong Kong e Nova Zelândia. Entretanto a conclusão continua a mesma, as menores razões entre gastos governamentais e riqueza acumulada continuam sendo justamente os países mais prósperos.

gráfico 2

gráfico 3

Neste caso, o fato novo é também assustador. Enquanto no ano passado a relação tamanho do governo frente a riqueza acumulada no Brasil era de 25,5% este ano saltou para 34,3%. Até o ano passado a força de um governo poderia consumir a riqueza do país no decorrer de um mandato presidencial, ou seja, quatro anos. Hoje a nossa riqueza pode ser destruída em menos de três anos. Neste ano as riquezas acumuladas pelos brasileiros foram queimadas para consumo ou foram direcionadas para outros países.

Enquanto isto, a maior potencia econômica mundial, os EUA, aumentaram suas riquezas acumuladas numa velocidade maior que o crescimento do seu governo. Hoje eles precisam de quase 15 anos de gastos governamentais para consumir o que possuem de riqueza acumulada, maior do que os 14 anos registrados no último estudo.

Uma terceira análise trazida no estudo anterior era a comparação dos dados apresentados e o Índice de Liberdade Econômica. Assim sendo, dividindo estes países em três níveis, levando em consideração o Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, encontram-se os seguintes grupos:

tabela 1

Examinando a riqueza acumulada e o PIB por adulto de cada grupo, são claras as condições de maior possibilidade de prosperidade onde há mais liberdade econômica. Consequentemente, há menor despesa governamental frente à riqueza acumulada, como se verifica no Gráfico 4.

gráfico 4

Algumas observações devem ser relembradas:

  • Apenas com os dados aqui expostos não há possibilidade de averiguar a correlação de causa e efeito entre os números. Ou seja, não há como afirmar se o acúmulo de riqueza produz o PIB ou o contrário, porém é evidente que estes números andam juntos.
  • Os números de acúmulo de riqueza e PIB são sempre acompanhados pelo desempenho do Índice de Liberdade Econômica, mostrando a completa ligação entre as condições para acúmulo de riqueza e a prosperidade.

As conclusões do artigo anterior continuam as mesmas. Dentre todos os argumentos que podemos utilizar para influenciar pessoas de que a liberdade importa, o acúmulo de riqueza é um dos mais simples. Esta é a receita para ter uma vida confortável desde o tempo dos nossos avós, todos a conhecem, apenas precisamos resgatá-la. A busca de melhores condições para o acúmulo de riqueza, seja legal, cultural ou político, sempre levará a medidas em direção à liberdade.

“Somente uma pessoa que deseja a sua prosperidade desejará ser livre. Enquanto estivermos falando de liberdade para pessoas que sentem vergonha de seu próprio sucesso, as teorias liberais serão palavras ao vento.”


Fontes:
Credit Suisse Global Wealth Databook 2015;
The Heritage Foundation;
CIA The World Factbook.


Esse artigo foi originalmente publicado no Instituto Atlantos.


Notas:

  1. Esse artigo foi originalmente publicado em novembro de 2015. (N. do E.)

Sobre o Autor

É Graduado em Administração de Empresas pela PUCRS, Pós-graduado em Economia Empresarial pela UFRGS, Membro Honorário e Colunista do Instituto Atlantos. Possui experiência profissional de sete anos na área de finanças corporativas. Estudante autônomo e defensor da Escola Austríaca de Economia.

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